terça-feira, 7 de setembro de 2010

Gadanhada no trombil que até vi estrelas


gadanhagadanho ou alfanje é uma ferramenta utilizada na agricultura para ceifar cereais ou para o corte de erva. Consiste de uma lâmina na extremidade de um cabo de madeira ou metálico de aproximadamente 170 cm, com uma pega perpendicular no extremo oposto e outra pega no meio para fornecer controle sobre a posição da lâmina. A lâmina tem aproximadamente 70 cm, com formato curvilíneo e fica perpendicular ao cabo principal, no outro extremo deste. (..) Entretanto, a gadanha requer muita experiência e cuidado para ser manuseada.


Pois é. Andava eu a ceifar acácias, que são umas árvores estúpidas e invasoras com raízes gigantes e que adoram ver-se rodeadas de silvas, em condições metereológicas precárias (debaixo de chuva, vá) quando comecei uma conversa gira sobre doenças e dores com as minhas colegas de trabalho (isto dito assim até parece coisa a sério) Susana e Teresa. Até que a dona Teresa pergunta qual foi a dor mais dolorosa que alguma vez sentimos. A Susana foi a primeira a responder: um pneumotórax. E contou-nos da sua "aventura" na medicina. A Teresa falou da mãe que deu à luz duas filhas sem epidural. Eu ia começar a responder - eu bem que sabia qual tinha sido a minha dor mais dolorosa :| - quando levo com uma gadanhada no trombil que me faz ver algo parecido a estrelas. Irónico, hein? É que nem me apercebi da aproximação da coisa. Só ouvi, de repente, muitos gritos do Caramelo, e uma sombra de um objecto a aproximar-se a uma velocidade estonteante que não me deu qualquer hipótese de reacção, uma vez que estava de costas para a arma lançada.

Tumbas! 
Até se me vieram as lágrimas aos olhos, a mão instantaneamente à cabeça e uns quantos "foda-se" cá para fora. As minhas colegas apressaram-se a dizer "mas estão parvos ou quê?! Margarida estás bem? Estás a sangrar? Podes chorar, que isso deve ter mesmo doído". Porra, doeu e não foi pouco. Levaram-me dali para fora, nem consegui ver se era a gadanha grande ou a pequena, mas desconfio que não fosse a coisinha mais mini do mundo. Para ajudar, o rádio estava sem bateria e os Guarda-Rios que estavam lá desapareceram. De repente, todos tinham desaparecido, nem carrinhas, nem nada. Eram os Javalis (nós) e o mato. E os telemóveis sem rede e a chuva a molhar-nos o cucuruto. Chovia, e o estojo de primeiros socorros era totalmente inútil pois não tinha gelo e por sorte, apenas tinha ficado com um grande galo, que mais parece um corno (hey dude up there, is this some kind of warning hein?). A Teresa lá telefonou e a chamada ouvia-se aos cortes. Felizmente, de uma frase como "Precisamos que nos venham buscar, temos um elemento ferido. A Margarida magoou-se a sério. Levou com uma gadanha na cabeça", o Cláudio (nosso coordenador) apenas conseguiu ouvir "alguém magoou-se". Bem, pelos vistos foi suficiente pois sempre apareceram.

O Caramelo coitado, ficou mesmo atordoado, pediu-me mil desculpas e disse que me levava ao hospital mas como não foi de propósito e não tinha sido nada de muito grave, não foi preciso nada disso da parte dele.
Peguei no telemóvel e tratei de mandar mensagem ao Miguel a ver se os pais dele se encontravam no hospital a trabalhar, para verem se a gadanhada não tinha afectado os miolos. Cinco minutos depois, tenho a mãe dele a ligar-me com uma data de instruções para quando chegasse ao hospital. A eficiência é uma coisa fantástica.
Assim, cheguei a casa e telefonei ao meu pai para me levar ao hospital, uma vez que tinha ficado sem bateria a meio do caminho e comecei a sentir com cada náusea... E assim fomos, felizes e contentes para o hospital. 

Para ficar lá 3 horas. Cheguei mesmo a pensar que ia pernoitar na sala de espera à espera de um relatório de sete linhas da TAC. Depois claro, ali o meu contacto super eficiente foi fazer uma visita em família para me ver a mona. Julgo que o pai dele não gostou muito do meu aspecto, pois ao cumprimentar o meu pai disse com uma cara preocupante, e olhando-o bem nos olhos: ela está muito magra (acentuando o muito). Até fiquei intimidada. Mas eu adoro aquela malta! São impecáveis.

Por falar em impecabilidade, tenho de sublinhar um pequeno pormenor. A mãe do B. ligou-me preocupada comigo e extremamente disponível, a oferecer-se para vir ter comigo ao hospital caso estivesse sozinha, a perguntar se eu precisava de alguma coisa. E depois a ligar-me mais tarde outra vez para saber como estava, se já tinha comido, se estava deitada, se o galo era muito grande. Foi muito agradável sentir-me acarinhada e que há pessoas que se preocupam genuinamente comigo, e que vão querendo saber ao longo do tempo a evolução das coisas. Há que dar valor a estas coisas, quando as temos pois podem ser muito raras.

E pronto, está contada a aventura de como a vossa amiga Margarida activou o seguro de acidentes de trabalho da  CMC no seu primeiro trabalho oficial. 
Gadanhada no trombil 
(já viram a fotografia, garanto-vos que não é muito agradável levar com aquilo no focinho).

Enough lying!

Detesto quando as pessoas acham que eu tenho "otária" escrito na testa e julgam que me passam a perna as vezes que quiserem. Oh meus amores, eu apanho tudo. Só não o digo porque quero ver até onde isto vai, que proporções é que isto toma. Sou muito mais inteligente do que vocês possam pensar, tenho este defeitozinho de reparar nos pormenores das coisas, que chatice... Acho piada é que cada vez fazem mais à descarada. Deixem de ser sacanas, já têm idadezinha para serem umas mulherzinhas e uns homenzinhos. Que grande respeito pela amizade, sim senhora! E as chamadinhas hiper corajosas anónimas? Mas ainda há gajas que pensam que eu não sei quem elas são?! Eu só não digo, por respeito (que muito sinceramente vocês não merecem, outra vez). Realmente isto é um mundo cão, eu faço um esforço para respeitar esta gente porque também são seres humanos e têm sentimentos, e esta malta saca o meu número de um telemóvel e marca o #31#, põe em conferência e começam a chamar-me puta. Ora, eu até lhes respondia e estou cada vez mais arrependida de não lhes ter dado troco à letra, mas não quis descer ao nível delas. E querem saber a minha idade, para saberem com o que estão a competir. Onde já se viu, meninas da faculdade armadas em adolescentes ranhosas que só querem é intrigas... Cheias de maturidade, não haja dúvida!

É preciso fazer um desenho? É que dentro de poucos dias terei o número delas na mão. As pessoas só não vêem quando não querem ver. E eu sou persistente, demasiado até. E vou enfrentar o touro pelos cornos se for preciso, já que já tenho um devido a uma gadanhada no trabalho (história que fica para outro post).

Cumprimentos de linda-a-velha fofas,
See you soon ;)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Letter for those friends who miss me


I'm closed.
For the very first time I have closed myself in this four walls I made up just for me. I've always been that kind of person who shares everything or almost everything with her trusted ones. But not this time. Please, don't take it the wrong way, I still trust them and appreciate all they do for me. But this time I don't want to talk about my life, don't want to open my heart, don't want any kind of judgement about the way I am now or how I've been acting.
We all make mistakes, we all have our moments to disappear from the face of Earth without any explanation.Well, at least, I am explaining isn't it?

If any of you ask me if I'm ok, how is going my life, if there are any news, I will just say: "Yeah I'm ok, life's been normal and don't have any news. What about you?" But no, I don't really know how I am, my life is completely out of control, weird, strange, insane, peaceless, sometimes hurtful, sometimes healing and always, always changing. I just don't wanna talk about it beacuse it forces me to think about it, and I don't wanna think about anything. Just want to live the "today".

I don't expect you to understand this, I just hope you don't get mad at me when I don't answer your messages or pick your calls. Is not that I'm ignoring you, that I don't care about you anymore. I just need a little time away from everything. You must be thinking "what the hell is that behaviour?! that attitude!". That I'm acting like a rebel and lonely soul around here, angry with the world and with herself. Nothing like that.

It's just... For the first time I want to be invisible. For now, I have to fight alone, struggling for what's good for me. Even if you think it's not - that is the only thing I really don't care if you agree. One of these days, I'll come back, I can promise you that. And you, you will notice.

And I really hope you can forgive me.

domingo, 5 de setembro de 2010

O Zahir

"A liberdade absoluta não existe - nem ninguém a quer - : o que existe é a liberdade de escolher com o que queremos comprometer-nos."

If he gives up on them, she will give up on love. 
Definitely.

sábado, 4 de setembro de 2010

A família [obrigada Frazoni]

Há qualquer coisa de errado na família. A família não funciona. Sei que, como conservador, deveria defender a família. Mas não consigo. A família é indefensável. É um equívoco. É um efeito de economia. A família está a dar cabo das pessoas. E das famílias.
Porque é que as pessoas, só por serem consanguíneas umas das outras, hão-de viver juntas?


As crianças haviam de ser separadas dos pais desde a mais tenra idade. Os próprios haviam de ser separados um do outro desde a mínima ternura. Só assim é que o amor poderia crescer e a família continuar.
Há algo de promíscuo na maneira como as famílias vivem. As pessoas vivem umas em cima das outras. São obrigadas a ver o mesmo canal de televisão, a comer o mesmo arroz de polvo, a ouvir as mesmas discussões, a ver os mesmos roupões e até a cheirar o mesmo chulé dos mesmos chinelos anos 40 do avô.
É pouco saudável. Não admira que toda a gente queira bater a asa à primeira oportunidade. À ganância. Para cair noutro ninho, com outro marido e outros filhinhos, mas ainda pior. É por estas e por outras que as famílias se separam cada vez mais – porque não podem viver juntas.

Tenho para mim que o homem, como a mulher, não nasceu para viver em grupo. Uma casa de banho, por exemplo, jamais se deveria partilhar. Não dá jeito. É embaraçoso. Faz prisão de ventre. Defecar é um direito básico, a cujas sequelas atmosféricas ninguém deveria estar sujeito. Sobretudo em casas de banho interiores.
Se se quer conservar a família, é preciso mantê-la afastada. Mesmo contra a vontade. A separação cria saudade. A distância facilita o respeito. Marido e mulher deveriam ser obrigados a convidar-se diariamente para jantar. As refeições obrigatórias sabem sempre mal. O convívio forçado à mesa -«Passa a hortaliça, não tires os macacos do nariz» – não é uma prova de amor, é um refeitório de penitenciários.

A partir dos seis ou sete anos, as crianças necessitam de uma casinha própria, onde o acesso de adultos esteja vedado, excepto em casos de incêndio, varíola, consumo comprovado de vodka, et caetera. Em suma, as crianças precisam de um apartamento separado, onde se possa escrever nas paredes, fazer barulho, torturar animais de estimação, disparar pressões de ar e tudo o mais. A família ideal é um complexo habitacional com três chaves. Digamos um 2º andar Esquerdo, Frente e Direito. No Esquerdo mora a Mãe. No Frente moram os filhos e a criada. No Direito mora o Pai. Para efeitos de controlo, todos têm a chave uns dos outros, mas só para casos de emergência, porque são todos obrigados a tocar à campainha antes de entrar. Excepto em casos urgentes de carência de carinho («Ó Pai, está uma bruxa atrás das cortinas») ou de ciúmes («Maria José, Maria José – com quem é que estás a falar?»).

Cada apartamento pode ter apenas uma assoalhada. Mais vale viver em três T1′s separados na Reboleira do que tudo a monte numa enorme casa de família no Estoril. As pessoas precisam de estar sozinhas, de curtirem e curarem as suas neuras na maior privacidade, de ouvir as músicas de que gostam sem chatear os outros, de se escaparem, de se fazerem caras e rogadas, de receber as pessoas de quem mais ninguém na família gosta.
Só separada é que a família pode sobreviver. Contígua mas não comunitária. Adjacente mas não jazente. Se um casal for impelido, por razões habitacionais, a tocar à porta, a levar flores, a convidar a jantar, a fazer a corte para poderem dormir os dois juntos, o amor pode durar muitíssimo mais. Uma família que tenha três moradas é feliz. Pode escrever cartas, pode trocar postais.

O horror da família é a proximidade. É horrível quando os pais ouvem os filhos a fazer concursos de puns, quando os filhos ouvem os pais a gemer e o colchão a guinchar, os gritos “Não! Não! Sim!” e depois o inevitável chapinhar do bidé. É indecente quando a mulher é obrigada a dormir ao lado de quem quis ainda há pouco esfaquear e que ainda por cima está a ressonar que nem um porco. Cada qual com a sua banda sonora – eis o lema familiar do futuro. O hino quotidiano das famílias portuguesas, que consiste na audição comunitária do barulho do autoclismo não é, nem nunca será, um cimento de solidariedade.

Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educar convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.
O segredo é conviver em vez de coabitar. A família feliz constitui-se por vizinhos apaixonados, por condóminos de sangue, por um poligrupo sentimental. As pessoas só estão juntas quando querem estar. Só partilham o que querem partilhar. Passam a vida a entreconvidar-se. Os pais aliciam o filho: «Ouve lá – se nós te comprarmos uma Harley Davidson, não queres ir até ao Jardim Zoológico connosco?» Os filhos dão a volta aos progenitores: «Ó pai, o vídeo está avariado, conta-nos uma história.» O marido alicia a mulher «Vá lá, Maria José – fica comigo hoje à noite. Tenho caviar e champanhe no frigorífico, comprei o compacto do primeiro LP dos Smiths e a empregada mudou hoje os lençóis… e juro que amanhã de manhã eu também me levanto cedo e vou contigo ao oftalmologista…»

Uma família que é obrigada a convencer-se, a seduzir-se, a respeitar-se mutuamente é uma família que pode durar para sempre. Família maçada acaba despedaçada. O mal da família é um problema de má-criação e de falta de respeito. Os familiares mostram-se incapazes de viver com civilidade, gritam, insultam-se, abusam do seu poder.
Se um miúdo, quando leva um estalo, puder fechar-se uma semana no seu apartamento a ouvir heavy metal a altos berros; se uma mulher, quando o marido a chatear, puder puxar da agenda de solteira e passar o resto do dia a fazer telefonemas a ex-namorados; se um marido, maltratado pela mulher, tiver uma sala onde possa receber os amigos, para jogar à lerpa, beber água-pé e visionar videocassetes da Cicciolina, o conflito desagudiza-se naturalmente.

É uma questão puramente arquitectónica. Mais tarde ou mais cedo, como é regra do amor, as saudades superam os ressentimentos e as campainhas começam a tinir, e os “desculpa lá” recomeçam a ressoar. As pazes fazem-se de livre vontade. Os beijinhos dão-se de bom grado. A família reúne-se, no verdadeiro sentido da palavra. E reina a concórdia.
Na versão actual, exceptuando as famílias que vivem em grandes mansões com tantas alas e governantas que os membros só se vêem à hora de jantar, a família portuguesa é um convite à promiscuidade. Os pais reprimem os filhos, querem sempre ver o canal errado, insistem em comer carapaus grelhados, obcecam-se com a conta da luz, não adormecem até chegarem as crianças e por isso dormem pouco e por isso contraem doenças nervosas e por isso culpam os filhos. Os filhos, por sua vez, são indiferentes ao amor dos pais, ingratos, insolentes, intratáveis, gastadores inveterados e, ainda por cima, profundamente infelizes.

Nas situações mais extremas de proximidade familiar, ou seja, nas barracas, os homens batem nas mulheres e acordam as crianças, os avós atam-se aos vãos das portas, os pais violam as filhas, os irmãos disparam caçadeiras contra os pais, os cunhados telefonam para O Crime. E tudo durante a novela, enquanto o cheiro dos rissóis se vai entranhando no terilene dos lençóis.

A família é uma instituição demasiado preciosa para se deixar destruir pela coabitação obrigatória, pela prepotência paterna e pela falta quase absoluta de privacidade. O amor é demasiado raro e difícil para se estar a esbanjar na rotina quotidiana do concubinato. É preciso salvar a família da excessiva familiaridade. A familiaridade, dizem os ingleses, gera o desprezo. O desprezo é fatal. A ansiedade dos filhos por abandonar a tirania do lar paterno é tão grande que os atira para a miséria de constituir novas famílias em quase tudo semelhantes àquela que deixaram. É um circulo vicioso.

É um vício circular. Numa concepção anarco-conservadora, que visasse proteger a liberdade dos familiares com vista à perpetuação da família, a felicidade seria uma função simples de poder pagar três rendas de casa. Ou de transformar cada assoalhada num apartamento, ou de desdobrar cada T3 em 3 T1′s cada uma com a sua muralha, nem que fosse de contraplacado, cada um com a sua chave. Em última análise, quando não houvesse dinheiro para isso, seria preferível misturar famílias, trocando camas de casa para casa, de modo a separar os casais e os respectivos filhos, num regime de holiday home.
A família é uma instituição que corre perigo. Com razão. É uma instituição insuportável. É uma mini-Mafia, com abraços e facadas, lágrimas e jantaradas, com a desvantagem de ser não-lucrativa. É uma pandilha permanentemente com os azeites e os óleos de Fula. É um pandemónio fascistóide. É uma Cosa Nostra que preferíamos fosse Dotra pessoa qualquer.

É preciso avançar para a família do futuro: para as cooperativas sanguíneas, onde cada um tivesse o seu cantinho, onde as crianças se considerassem adultas aos 12 anos, os adultos recuperassem a irresponsabilidade da adolescência aos 35 anos e ninguém estivesse com ninguém sem que lhe apetecesse estar. É preciso reinventar a família como uma comunidade multi-etária de compinchas livres e respeitadores. De modo a mais ninguém poder sujeitar os parentes encarcerados à sua opinião sobre a recandidatura de Mário Soares, ou descascar uma só laranja em frente do televisor, ou despir uma só peúga que fosse, ou cortar as unhas dos pés na presença de menores, ou dar impunemente, em plena sala de estar, no seio da família, um único e preguiçoso pum. E, em vez de pedir desculpa, sorrir, e pedir que alguém lhe passe a TV Guia. 


Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Afinal, estas é que são as estatísticas de sempre

Awesome! :'D @

E a Terra volta a entrar nos eixos..

Não sabias disto? 
Está na altura de descobrires, 
de sentires que tenho uma razão a dar-te para sorrires.

Comecei hoje a trabalhar no Observa Natura - quer dizer, foi a formação - e descobri que escolhi o projecto a que dão mais importância. O Projecto Gaio. Só hoje me dei conta da responsabilidade, até porque estamos em altura de incêndios florestais e ali a serrinha já foi afectada este Verão, e dei um passo para a frente. Eh lecas, até me sinto crescida!

Fora isso, a inscrição no hiphop (com que eu ando a sonhar há ano e meio) está almost done, estou a aprender a cozinhar a sério e não só para desenrascar, saí finalmente do castigo, a Frazonni vai voltar e ontem mandou-me uma mensagem toda comovida com o meu post, o M. tem cada vez mais paciência para mim e o B. ... Penso que agora é que a coisa se está a dar bem, finalmente. Ele tem a capacidade de me fazer muito feliz e de me completar. Claro que it takes hard work , e bastantes cedências. Mas como diria o tonicha da minha turma, I believe!

E prontes, depois da tempestade vem a bonança.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Hora de explicar

Finalmente! Sei que ainda vai tremer, mas sinto-me com um bocadinho de mais força. Acho que já posso explicar um pouco do que passei este mês de Agosto para perceberem o meu estado de espírito miserável.

Primeiro começa com MERDA, com todas as letras grandes, possíveis e imaginárias. Merda daquelas que vocês sentem que o mundo à vossa volta e todos os sonhos que construíram desabaram mesmo em cima de vocês. Merda daquelas que dá realmente vontade de morrer, é uma regurgitação de mágoa, raiva e muito mais. Não vou especificar a situação, por muito que partilhe bastante da minha vida, há coisas que é melhor ficarem guardadas para mim...
Portanto, o primeiro dia foi para esclarecer essa merda. Claro que para isso, vi-me obrigada a mentir aos meus pais. Desta vez, os fins justificaram os meios. Teve de ser, para o bem da minha sanidade mental (sabia lá eu que as coisas iam agravar-se consideravelmente). Of course, que fui apanhada pelos papás e adeus telemóvel. Olá sermões, castigos e duas semanas inteirinhas com o meu pai. (Para quem não sabe, eu não tenho propriamente a melhor relação com o meu pai. E duas semanas, 24 sobre 24, sem contacto com o mundo exterior really means hell to me). E fartei-me de me enterrar, até ao pescoço. De mais merda. Com os meus pais. A toda a hora.

Para ajudar, a notícia de que a minha prima (que, se eu fosse baptizada, era minha madrinha) tinha de lutar contra um cancro da mama, que o meu tio teve um ataque cardíaco, a descoberta de um grande podre de familiares meus (tão podre, que fica no privado), entre outros, deitou-me muito abaixo. Já não sabia para onde me havia de virar, que má fase seria esta que parecia não ter fim, nada nem ninguém eram suficientes para me ajudar, para me fazer sentir melhor. Nem aproveitei nem tive vontade de aproveitar as festas do Pé-da-Serra que foram o melhor do meu Verão passado. It all seemed a black hole. Big black hole. Huge black hole.

E foi assim, até dia 29. A awful nightmare, a living hell.
Já não tinha forças, já desistira de tudo, já me deitara a perder, já nada valia a pena, e tudo estava errado. Estatelei-me de cara no chão cheio de areia daquela das obras, e fiquei-me por lá. Ia vendo as pessoas a passar, folhas e poeira a voar, a minha cara ia adoptando as formas das pedrinhas do chão. Fechei os olhos, e tentei adormecer. As minhas mão sentiam o asfalto quente e isso deu-me uma certa paz. Até que me fartei de estar deitada, levantei a cabeça e pus-me em pé.

And here I go again! :D

E ela vai voltaaaaaaaaaaaaar !

Tenho a certeza que este post vai comover a minha pequenina coisinha fofinha INÊS FRAZÃO!
Yaaaa man, estou a morrer de saudades tuas oh estúpida! A gente já não se vê há um mês! Inconcebível (uau!), damn it =|. Realmente foste o melhor de ter sido rejeitada de São João (lágrimazita no canto do olho... dela muahahaha)


E ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar, e ela vai voltar!

Deu para notar a alegria não deu?

E descobri as estatísticas do blogger

Eita! 
Não sabia que havia tanta gente nos Estados Unidos a visitarem o meu cantinho!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

30.08








Quem te falou em escolhas certas, mentiu-te
Quem te apontou caminho cheios sem os percorrer
Quem te mostrou suas aguarelas
Nas telas pintadas por uma só forma de ver


Quem te falou numa verdade, enganou-te
Há mais verdades escondidas por ai
Somos voláteis, somos feitos de contrários
Somos todos santos, somos todos mercenários


Sacrifico minha vontade por um tiro no escuro
Que nos deixe a sós
Custa ver que na realidade o tiro não foi no escuro
O tiro foi em nós


Não pretendo não fazer erros
Vou aprendendo com o mal que trago em mim
E se aprendo sinto-me gente
E só é gente quem consegue ser assim


E alguém
Que vendo o mal nunca está bem


Alguém disse que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem sequer me aperceber
Alguém disse que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem parar para abastecer


(...)

Alguém que vendo o mal nunca está bem


Alguém, cuja maldição afinal
Está nessa fraqueza carnal
De querer o bem e ter o mal

Anaquim - Lídia

badabadibum

Após um mês de dias maus - sim, praticamente todos foram maus, e os que não foram, foram assim assim - finalmente tive um bom dia. Daqueles mesmo bons e que fazem sorrir. Não foi nada por aí além, mas experimentem ter 30 dias maus a ver se não dão valor a um dia bonzinho.

Queria agradecer ao M e ao B (sim, apeteceu-me aderir à moda das letras, vou imitar três blogs que fazem o mesmo humpf!). E especialmente à Morce (eita, merece umas letras a mais) pelo comentário do post "way too bad", que me deu força!

Sou tão fofinha, quando quero.
E pronto, é isto.

domingo, 29 de agosto de 2010

Conclusões

a) O "I Will Survive" da Gloria Gaynor é uma música dos anos 70
b) O "I Will Survive" da Gloria Gaynor foi adoptada pela população homossexual como hino do seu poder
c) A própria cantora tem como apelido Gaynor
d) A claque do Benfica, adopta o "I Will Survive" de Gloria Gaynor como música de apoio moral, trocando a letra gentilmente escrita pela senhora por "laa laa la la laaaa la laa"

Tirem as vossas próprias conclusões.

way too bad


Sabem aquela altura em que olham para vocês mesmos ao espelho e já não se reconhecem?
Que se perguntam: o que é que eu deixei que fizessem de mim?
O que é real e o que é mentira?
Quem sou eu e no que é que me tornei?

E... porquê eu?

Pois, cheguei aí. 
Cheguei a um ponto chamado exaustão emocional.
É como um poço fundo sem hipótese de escalar.
No fim, pensa-se sempre no início.
Quando é mau, pensa-se quando era bom. E em por que raio é que tem de ser mau.
E quanto mais se fala na mudança, mais se fica na mesma.
Até que nos tiram tudo, ou quase tudo.
E batemos no fundo.
E a única direcção possível é subir, e mudar.

Ando inquieta, negativa, cansada.
Sem paz de espiríto.
Heart-broken.
Sem conseguir dormir bem, por não me desejarem que eu durma bem.
Pelo silêncio.
Pelo fenómeno de overthinking
Pela falta de liberdade, interior e exterior.

Um dia, alguém disse-me:
Se te fecham uma porta, abrem-te uma janela.
Dessa janela eu vejo tudo o que eu queria e poderia ter.
E não posso.
Porque não me dão.
Porque não me deixam.

As acções falam mais alto que as palavras.
E quando já nem as palavras valem assim tanto.
É como se caísse no asfalto com areia das obras.
De cara.
E nos dizem:

É bem feito, eu avisei-te.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Quando já achava que tinha o dobro, descobri que só tinha metade.
Alguém algures deve estar a gritar-me: 
SUCK IT UP!

and i'm back

Pois é, pessoal. Daqui a pouco fazia um mês sem cá escrever... Estava a tentar bater o meu recorde, e acho que consegui. Bah! O tanas, simplesmente não tenho andado com cabeça e depois isolaram-me duas semanas no cu do mundo que é o Alentejo onde a Internet é praticamente inexistente... Tenho que fazer several updates aqui à coisa, mas não ando com pachorra nenhuma. Não tem sido o período mais giro da minha vida, não.. Este post é só para acabar com o silêncio prolongado, porque já houve quem reclamasse muahahah.

TCHAN TCHAN TCHAN TCHAAAAAN (esta é para a Frazon que está a curti-las à grande em Leiria city)