terça-feira, 30 de julho de 2013

nea moudania

No Synavla, o bar do Yiannis e da Maria, já conhecemos várias pessoas simplesmente porque aqui toda a gente mete conversa com os estrangeiros. Conhecemos a Katarina e o Kostas, os dois filhos do Yiannis e da Maria, muito queridos e simpáticos. O Kostas trabalha em um dos hotéis da mesma cadeia do nosso e já nos convidou para ir com ele e uns amigos visitar as Grutas de Petralona, algo que queríamos mesmo muito! Conhecemos também a Tatiana, a namorada dele, que mora na Rússia e veio visitar Nea Moudania, um amor de pessoa. 

Num dos piores dias que tivemos, conhecemos o Panos, um advogado que estudou em Inglaterra e que tem um amigo português a viver em Nea Moudania. Conhecemo-lo num dia que foi péssimo e bom no fim: o nosso suposto dia de folga em que às 10h da manhã nos foram bater à porta a dizer que nos tinham trocado o horário e que tínhamos de ir trabalhar. Ainda para mais, no dia anterior tínhamos ido para a cama só às 4h da manhã por causa da fogueira na praia. Para ajudar esse dia a correr bem tive uma paragem de digestão e passei a tarde a vomitar por causa da péssima comida da cantina e, como o médico não estava no hotel, mandaram-me para casa. Como em casa me sentia sozinha, fui para o bar onde fui muito bem tratada, como se fosse da família. 

Como estava triste, a Maria chamou uns amigos que, pelo que percebi, andam no coro com ela, e começaram a cantar para mim. Depois disso o Yiannis pôs Mariza a tocar no bar e o Panos, que não nos conhecia de lado nenhum e tinha começado a falar com o Miguel pagou-nos as bebidas, que também era a única coisa que eu conseguia pôr no estômago. 


Estivemos horas a conversar com ele sobre tudo um pouco: política, a situação da Grécia e de Portugal, futebol, trabalho, família, Santorini, sítios para visitar… E no meio da conversa disse que ia tentar trazer o amigo português para nós o conhecermos! Por estas e por muitas outras, adoro este bar.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

viver com ele :)

Viver com ele está a ser ainda melhor do que esperava. Apesar de o nosso quarto ser um bocado manhoso, vamos conseguindo dar um jeito nisto e ter uma boa convivência. Sempre fui da opinião de que ninguém se devia casar sem estar a viver primeiro com a pessoa. É diferente vermos uma pessoa umas horas por dia, se é que se vêem todos os dias, e até mesmo viajar um mês com ela de viver com alguém, por vezes 24h sobre 24h. 

Viver com alguém implica que se determinem algumas regras, que nos adaptemos um ao outro, que haja respeito pelo outro e que haja uma divisão justa nas tarefas. Até porque, passado algum tempo, as mínimas coisas começam a irritar: uma tampa de sanita levantada, uns cabelos no chuveiro, coisas desarrumadas, roupa por lavar, etc. Às vezes até descobrimos coisas da personalidade da outra pessoa que não conhecíamos até então. Penso que quando se vive com alguém é que começamos a ter certezas seja do que for. 

Por vezes viver com alguém faz-nos cansar dessa pessoa, o que felizmente não é o meu caso. Estamos a aprender os tempos de cada um. O tempo para estar na palhaçada, o tempo para deixar em paz, o tempo para conversar e o tempo para nós mesmos, que também é importante. E viver com ele é tão bom… Sabe tão bem acordar com um beijo e festinhas, adormecer de mãos dadas, dar abraços de urso depois de uma boa conversa, ver um bom filme juntos, contar histórias engraçadas do dia… 

Cada vez mais sinto que ele não é apenas um namorado. É um amigo, o meu melhor amigo. Acima de tudo, um companheiro de vida que eu amo do fundo do meu coração.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

karpouzí*


Há duas coisas de que eu vou ter umas saudades imensas na Grécia: este tempo maravilhoso e a fruta deliciosa. Há muito tempo que não comia fruta tão boa, tão saborosa e doce. Ainda não bebi um sumo de laranja natural que fosse amargo como alguns que bebo em Portugal, ainda não comi uma melancia que fosse sem sabor, nada da fruta que comi até agora era menos do que suculenta e de comer e chorar por mais. 

Para além de deliciosas, são baratas e bastante grandes, é pena é não termos muito espaço em casa para enchermo-nos de fruta. Mas assim que receber o meu primeiro salário, uma parte dele vai para poder comer muita, muita fruta!

*Tradução: melancia.

quinta-feira, 25 de julho de 2013


Sei que, quando voltar, lutarei com alma e coração para conseguir o emprego para o qual me candidatei e fui a uma entrevista antes de me vir embora – na qual fiquei completamente apaixonada por tudo aquilo que me ofereceria e que eu poderia oferecer. Sei que vou apreciar muito melhor os momentos em família e com amigos, e que destes vou perceber ainda melhor quem realmente é para ficar e quem está só de passagem na minha vida. Sei que darei o triplo do amor e carinho às minhas cadelas, terei mil e uma histórias para contar a quem me quer bem e que aproveitarei todas as oportunidades de vibrar com o meu país e contribuir para que seja um pouco melhor. 

Portugal é um país lindo e agora vejo isso muito claramente. Tem coisas más e coisas boas, mas é um sítio fantástico para se viver. E por isso, quando voltar, quero aproveitar todas as oportunidades que tiver para viajar e conhecer melhor o nosso país. Estou a voltar a aprender a dar valor às pequenas coisas: um bom dia de sol, aquelas noites de Verão quentes de que já tinha saudades, andar a pé perto do mar, estar num sítio diferente, relaxar, ler um bom livro, ouvir boa música portuguesa, passear, brincar com um cão da rua, dar festinhas a um gato simpático, tocar guitarra ou piano, fotografar, filmar, aprender coisas novas, ter uma boa conversa, uma brisa amena, dar boas gargalhadas, escrever. 

E, apesar de ser difícil ter Internet, está a fazer-me bem desabituar-me do vício. Sim, eu já estava demasiado viciada, perdia tempo desnecessário a ver coisas que não interessavam a ninguém, tempo esse que podia aproveitar bem melhor. Neste momento, deixei de escrever no Twitter, deixei de comentar mil e um blogs, apenas tenho o meu blog que é o meu diário para um dia mais tarde recordar e o Facebook que é onde consigo falar com todos os que me interessam e partilhar fotografias e algumas histórias. Dou agora mais valor a conversar com as pessoas do que a cuscar a vida delas. 

Apesar de não gostar do trabalho, vou continuar a fazer por melhorar, por aproveitar tudo o que isto tem para me dar pois dificilmente voltarei cá e não quero deixar nada por fazer.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

synaulia - o melhor bar do mundo


Nos primeiros dias andávamos à procura de um sítio para conseguirmos Internet sem ter de ir ao hotel e encontrámos este bar, o melhor bar do mundo. Aqui conhecemos a Maria e o Yiannis, um casal muito simpático que nos trata como família. Acontece que este bar de que a Maria e o Yiannis são donos fica mesmo ao lado da estação de autocarros de Nea Moudania que, por sua vez fica a 5 minutos a pé da nossa casa, o que para nós é óptimo!

É engraçado pois trocámos uns dedos de conversa no primeiro dia e dissemos que voltaríamos umas horas mais tarde com os nossos computadores, só que, quando voltámos (às três da tarde), o bar estava fechado. No dia seguinte, quando fomos à praia e eu decidi ir para a água um bocadinho sozinha, eles viram-me e reconheceram-me. Começaram a falar comigo e a perguntar coisas sobre Portugal. Claro está que ficou prometido que nessa noite iríamos estrear o bar. Lá fomos nós e não podíamos ter ficado mais encantados.

Primeiro, o bar é giro, tem boa música e bons preços. Depois o Yiannis ensinou-nos umas coisas em grego e ficámos a saber que, por sermos estudantes e estarmos a trabalhar, tínhamos direito a desconto no que consumíamos simplesmente porque eles valorizam o nosso esforço e sabem que não é fácil para nós podermos sustentar gastos superficiais. Ficámos também a saber que o Yiannis já teve um cultural club, ou seja, um bar em que através da arte, da música e até o simples convívio com pessoas de vários países se mostrava um pouco de outras culturas, tanto que até fado lá tiveram. Para além do bar, a Maria faz ainda bijuteria muito bonita e anda no coro como soprano. E, tendo já visto um vídeo dela no Youtube, tem uma grande voz! Ficámos ainda a saber que eles moram na mesma rua que nós, o que achámos mesmo engraçado eheh.



Este vídeo representa apenas um bocadinho do que neste bar se vive diariamente. Para mim, este é o tipo de pessoas que adoro conhecer: cultas, dedicadas, com outra perspectiva de vida e de uma simpatia imensa! Levam um dia-a-dia simples, aproveitam as pequenas coisas da vida como uma boa conversa com amigos ou uma ida à praia para desanuviar e dão valor às pessoas que se interessam e querem aprender, ou não teriam eles uma paciência de santo para nos ensinarem uma data de frases e palavras novas que levamos no caderno cada vez que lá vamos!

Para além disso, fazem-nos sentir em casa :)

terça-feira, 16 de julho de 2013

xenodocheío* (atenção, post grande)


Quanto ao estágio, honestamente, ainda não estou a gostar e não sei se gostarei ou se apenas me habituarei. Porquê? Porque realmente não sou uma pessoa que consiga resignar-se à rotina. Ainda nem fiz duas semanas de trabalho e já estou farta de fazer sempre a mesma coisa. Servir bebidas, limpar mesas, limpar mesas, limpar mesas, polir, polir, polir, servir bebidas, fazer setup, fazer setup, polir, polir, polir, limpar, limpar, limpar, tentar perceber russo, receber uma gorjeta por semana, polir outra vez, sair do trabalho sempre meia hora ou uma hora depois do turno ter acabado, etc. Para além disso, como estágio não estou a aprender muito. Estou a aprender sim, mas podia estar a aprender muito, mas muito mais. 

Neste momento, sinto que já posso fazer o relatório que tenho de entregar no final do estágio pois, em princípio, não mudará muito. E se mudar, é só acrescentar. O pior é ter mesmo tempo e paciência para o fazer, tendo em conta que ainda não trabalhei menos de 10 horas por dia e que só tenho uma folga por semana que tento aproveitar ao máximo. Para além disso, a motivação aqui é só mesmo o dinheiro porque quando fazemos as coisas bem, ninguém diz nada (como tudo na vida), ninguém repara. Mas quando erramos por não sabermos, somos logo chamados à atenção. 

O nosso primeiro dia foi passado com colegas de trabalho a ensinarem-nos um bocadinho do que teríamos de fazer. Eu, felizmente, tive a maior sorte do mundo com o Stefan, um rapaz super profissional e que todos os clientes adoram. Está sempre disposto a ensinar-me a fazer seja o que for, mesmo que esteja ocupado e sob pressão. Nunca me disse que não. É, na minha opinião, das pessoas mais profissionais de todo o staff e a que, para mim, tem mais valor no que faz por ser a primeira vez que trabalha num restaurante de hotel, ao contrário da maior parte dos outros, muito bons profissionais também. Por estas e por outras, vou votar nele para empregado do mês, resta saber se eles aqui ligam alguma coisa a isso. 


No entanto, acabamos por aprender por tentativa-erro que é o método que eu menos gosto. Prefiro que me digam como tenho de fazer em cada situação e aí se eu errar corrigirem-me. Mas pronto, cada um tem o seu método. Claro que tenho de dar valor ao facto de eles darem alimentação, alojamento e shuttle bus para aqueles cujo alojamento é fora do hotel, mas a verdade é que os horários do shuttle bus em nada coincidem com os turnos pelo menos do staff do restaurante, o quarto onde nós estamos é muito pequeno e quente, só temos uma janela com vista para uma casa degradada e a comida da cantina, pronto, é comida de cantina. 

Mas isto não é só coisas más, há que ver as coisas com sentido de humor e sempre como uma lição de vida. Se eu não tivesse vindo para cá, estaria provavelmente a deprimir ainda mais em Portugal porque acho que não ia gostar de trabalhar em restaurante durante tanto tempo e nem sequer sairia da rotina em que já estava. Como diz Paulo Coelho, viver é experimentar. E se eu não experimentasse trabalhar em restaurante, talvez nunca desse o valor que os empregados merecem (que é muito mais do que geralmente dão) nem percebesse que tipo de trabalho quero para mim. 

Neste momento, sei que não sou capaz de ter um trabalho rotineiro ou que não me deixe ter, pelo menos, um pouco de tempo para eu poder investir em coisas fora da rotina. E só por isso, por descobrir mais coisas acerca de mim, do que quero e não quero na minha vida e para a minha vida, já tudo isto está a valer a pena.

Tradução: hotel

Continua...

domingo, 14 de julho de 2013

S 'agapó̱*


Nem consegui vir ao blog no dia, mas a verdade é que eu e o meu príncipe fizemos 1 ano no dia 7 de Julho. Fomos festejar na nossa folga, no dia seguinte. Sinceramente, embora tenhamos passado por um mau bocado na relação antes de virmos para a Grécia, esta vinda só nos fez foi bem. Temos sido o apoio um do outro e simplesmente adoro viver com ele. 

Estou a ficar tão acostumada à presença dele que só o facto de termos turnos separados me faz ter saudades dele. Enfim. 

Foi um ano espectacular, que venham muitos mais!

*Tradução: Amo-te.

sábado, 13 de julho de 2013

políkalo*


O caderno que está na imagem foi-me oferecido por um grego muito simpático de uma espécie de tabaqueira onde fomos comprar papel higiénico, uma água e um sumo. Estivemos a trocar uns dedos de conversa e no fim, quando íamos pagar, ele disse que oferecia o caderno que custava 0,80€. Por isso, daí em diante, escrevemos lá de tudo, desde as nossas contas, palavras e frases e a sua tradução em grego, episódios engraçados, as nossas contas e random things. A verdade é que já lá temos umas quantas coisas, até em alfabeto grego (obviamente não escritas por nós)! 

O alfabeto grego é outro desafio que adorava superar, tivesse eu um bocado de tempo para o aprender. Já vou percebendo algumas letras ou combinações de letras e o seu equivalente ao alfabeto internacional, como o NT que equivale ao nosso D ou então o P que equivale ao nosso R. É mesmo engraçado ver os nossos nomes e os dos nossos pais escritos em grego, nos documentos do tax number. 

Vamos ver se encontramos um bom livro english-greek para começarmos a desenvolver mais do que apenas simples palavras ou frases repetidas. Quero imenso perceber a gramática grega que, sendo uma língua latina, não há-de ser assim tão difícil.

*Tradução: Muito bom.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

perimeno*

No dia seguinte à nossa chegada a terras gregas, fomos ao hotel para tratar das coisas do nosso estágio, mas o nosso boss estava noutro hotel e o dia seguinte era o seu dia de folga, pelo que só conseguiríamos falar com ele na 2ª feira. Entretanto, o gestor do restaurante fez-nos uma mini visita guiada e explicou-nos algumas coisas que precisamos de saber e informou-nos de que só começaríamos a trabalhar na 4ª feira. Pensámos logo “boa! 5 dias de férias”, mas afinal foram mesmo 6 porque só começámos a trabalhar 5ª feira, ou seja, ontem (oficialmente, porque fizemos 2h30 na noite anterior). 



Tudo isto porque para podermos trabalhar na Grécia precisamos de um Tax Number e é o hotel que trata disso depois de assinarmos uns quantos papéis. Já temos os nossos uniformes, duas calças pretas e duas camisas azuis. Fomos busca-los à lavandaria, onde conhecemos uma rapariga da Lituânia muito querida chamada Marta. 

Já soubemos que o ano passado o staff tinha muito mais pessoas de fora, ou seja não-gregas, mas que este ano são mais gregos. Isto porque, devido à crise (que diga-se de passagem que aqui se sente muito mais do que em Portugal), instituíram uma lei em que obrigam as entidades empregadoras na Grécia recrutarem mais pessoas do seu país. Trabalhar com gregos tem muito que se lhe diga. Há uns muito bacanos e cheios de energia e outros que estão ali só a atrapalhar, tanto que nem inglês alguns sabem falar! Mas isso fica para outro post.

Quase todos os dias aprendemos a dizer coisas novas em grego. Há palavras que são muito parecidas com o português e já percebi que a real dificuldade está no alfabeto grego e não propriamente em falar, que é o que neste momento nos interessa. 



Durante estes dias de "férias", andámos a estrear as praias e a passear pela vila, mas já começámos a trabalhar e meu deus... 10 horas por dia sempre a andar é obra...

*Tradução: esperar

Ps. Uma vez que não tenho net em casa, cada vez que cá venho é só mesmo para falar com algumas pessoas e actualizar o blog, pelo que não consigo ver os vossos blogs como gostava mas espero que compreendam e que gostem das parvoíces que vão por aqui aparecendo! :)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

spíti*


Tenho que confessar que o alojamento do staff ficou um bocado abaixo das minhas expectativas, mas também já percebi que ficámos num dos quartos piorzinhos. Mas como tenho aprendido a lidar com as coisas menos boas com algum humor, quando descrevo o nosso quarto na minha cabeça rio-me sempre um bocadinho. 

O quarto é minúsculo, mas isso não me incomoda de todo. Parece é estar sempre desarrumado pois não temos muito espaço para guardar as coisas. Para começar, uma das peculiaridades deste quarto é termos um armário onde temos alguns cabides mas sítio nenhum para pendurar esses mesmos cabides! Solução: tirámos o quadro da parede e pendurámos lá a roupa que tinha maior necessidade de estar num cabide. 



Gayzice do antigo inquilino
Temos também uma paisagem magnífica para uma casa degradada e uma floresta que está a emergir do andar abaixo do nosso, uma varanda que não devia ser limpa desde que foi construída e uma casa-de-banho cuja luz fundiu no segundo dia, o que faz com que tenhamos de acender a luz do corredor e tomar banho com a porta aberta para vermos onde pomos os pés. O que vale é que, apesar de a casa-de-banho ser partilhada, não temos ninguém com quem a partilhar, pois o quarto ao lado está vazio. Tínhamos uma televisão no quarto que não funcionava e um mini-bar no pequenino corredor que não tinha tomada para o ligar por isso decidimos levar a televisão para o corredor e o mini-bar para o nosso quarto, que tem DUAS tomadas. Temos também um chuveiro de meio metro de altura!




Mas será este o nosso lar nos próximos 2 meses, por isso vamos tratar bem dele :)

*Tradução: casa


terça-feira, 2 de julho de 2013

Pos se lene?*


Uma vez que ainda só pus aqui um post parvo sobre os primeiros dias na Grécia, decidi que tinha de contar aqui algumas coisas mais ao pormenor, para um dia mais tarde recordar. 

Para começar bem a viagem, o voo Lisboa-Munique (onde faríamos uma escala de 6 horas) estava cerca de 4 horas atrasado. Acordámos por volta das 5 da manhã para ir para o aeroporto e só saímos de Portugal quase às duas da tarde! Por isso, em vez de fazermos 6 horas de escala em Munique, fizemos de cerca de 1 hora e pouco. Foi o suficiente para perceber que o aeroporto de Munique parece um centro comercial enorme e que na Alemanha o tempo e a “simpatia” de alguns alemães não são propriamente coisas que me atraiam a explorar o seu país. 

Adiante, de Munique para Thessaloniki fomos na Aegean Airlines e adorei. Primeiro, começaram por distribuir rebuçados no início da viagem e depois o jantar não foi nada mau mesmo! Almôndegas com massa e estava mesmo bom! Quando chegámos a Thessaloniki rapidamente percebemos que estávamos na Grécia. Não querendo maldizer este lindo país com tanto potencial desperdiçado, mas a organização não é muito com eles. Para já, só havia um tapete das malas onde estariam as malas de todos os voos que chegavam por volta da mesma hora, por isso estão a ver a quantidade de pessoas à volta do tapete não estão? MEDO.

Depois as casas-de-banho não são propriamente a coisa mais limpa de sempre, mas isso nem na Alemanha o eram, o que me leva a acreditar que podemos ter muitos defeitos mas as casas-de-banho do nosso aeroporto estão um brinquinho. Quando saí e estávamos à espera do rapaz que nos ia buscar (que será o nosso supervisor), levei logo com um berro de um segurança grego porque aparentemente estava num sítio em que não podia. Talvez escrever o aviso também em inglês não seria má ideia, i guess. 

Quando o Liviu (o nosso supervisor que foi um simpático e nos foi buscar ao aeroporto por apenas 30€, sendo que os táxis cobrariam 90€) nos encontrou, fomos estrear as estradas gregas e, por sua vez, a aventura que é conduzir na Grécia. Duas coisas: se o limite é 90, ninguém anda abaixo de 110 e é imperativo conduzir com os máximos sempre ligados à noite. 

Chegámos ao hotel, recebemos os nossos envelopes com as chaves de casa e fomos para casa.

To be continued...

*Tradução - como te chamas?

domingo, 30 de junho de 2013

kalimera, thelo liyo phomi*

Pus isto no Facebook e quis partilhar aqui no blog para quem não me tem adicionada. Para já ainda não tenho muito tempo nem inspiração para escrever aqui por isso para isto não ficar parado... Eheh, brevemente ponho fotografias:

Após uma greve forçada de Internet, dou finalmente sinais de vida! 

Coisas giras: cheguei ao aeroporto de Thessaloniki e levei logo um berro de um segurança grego (fora esse, os gregos são em geral muito simpáticos), o nosso futuro supervisor foi buscar-nos graças à nossa amiga Jéssica Rodrigues que tem sido uma óptima ajuda (obrigadaaa!!), os gregos conduzem à noite com os máximos sempre ligados, almoçamos por volta das 10h de Portugal e jantamos às 16h, a luz da casa-de-banho (que não tem janela) fundiu-se ao segundo dia, ao tomar banho quase às escuras cortei-me na perna e como tenho a tensão baixa quase desmaiei, estamos a aprender grego com uma padeira muito simpática e portanto já sabemos pedir pão em grego numa frase completa, aqui os cães passam a vida a dormir, já esteve um calor imenso, já choveu e trovejou e agora está uma ventania dos diabos, os gregos têm uns horários de trabalho super esquisitos, já vimos melancias a 44 cêntimos, o mar tem uns belos de uns 24ºC, estive a jogar voleibol de praia com uns russos e levei com a bola no nariz e tudo isto porque só começo a trabalhar na 4ªfeira! 

Objectivo fora do estágio: sair daqui a perceber o mínimo de grego, que é uma língua super gira!

*Tradução: bom dia, queria um pouco de pão.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

last day.

Eu sei que este blog tem andado muito parado mas os preparativos para a viagem, as despedidas, tudo e mais alguma coisa têm-me tomado um pouco de tempo. Para além disso, tenho passado um pequeno mau bocado na última semana mas felizmente já está tudo bem!

Hoje é o último dia em Portugal, amanhã parto para uma de muitas aventuras. O pior vão ser as saudades, principalmente das minhas cadelas que são como filhas para mim! Sim, porque das pessoas, as conversas no Skype, emails e coiso e tal vão apaziguando um pouco este sentimento, mas os animais não percebem quando dizemos "eu volto" ou "tenho saudades tuas". Às vezes as saudades são o preço a pagar por sonhos como este de viajar, mas o reencontro vai saber a mel!

E pronto, ontem estive com a minha Leonor de quem já tinha milhões de saudades e hoje vou à praia com quem quiser vir despedir-se de mim para depois aproveitar o resto do tempo com a minha família!

sábado, 22 de junho de 2013

Depois de ler coisas, ouvir coisas, falar de coisas percebo que, em certas vidas, se tudo neste momento se dissipasse eu seria apenas mais uma. Mais uma pessoa que veio a seguir a outra e que será seguida de uma outra. Outra, outra, outra. Rapidamente nos vemos substituídos. Rapidamente nos sugam o que temos para dar e aprendem a dá-lo a outra pessoa. Facilmente se afastam de nós e metem-nos no mesmo saco com tantos outros. Aparecemos algures numa lista infindável de gente e as palavras que nos dedicam soam a repetição de outras outrora proferidas.

Neste momento, tenho a certeza de, para além da minha família, apenas duas pessoa que seriam incapazes de me substituir. Talvez seja pelo tempo que tem a nossa amizade, por todas as fases más e boas que já passámos, pelos afastamentos e aproximações, por tudo o que elas sabem de mim, por tudo o que elas conhecem de mim. Sou quase capaz de afirmar que são as únicas pessoas que me conhecem por inteiro e que sabem lidar comigo, sem que eu tenha de forçar nada. Por alguma razão eu digo que ela é a minha irmã de alma e que ela é a minha "man". 

Para elas, eu acredito que não seja apenas mais uma, mesmo que tudo por algum motivo algum dia acabasse. Para todas as outras, sou. 

E neste momento elas são as minhas únicas forças.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

recordando...



O sol beijava-me com os últimos raios do dia, quando entro no edifício branco de portas automáticas. Percorro silenciosamente os corredores que me levam às escadas do meu destino. Ao fundo da sala, estavas tu, sem notar a minha presença. 

De longe, cativas a atenção com grandiosos movimentos que se conjugam com a melodia de acordes dedilhados e, por isso, cresce em mim uma ânsia de criança que observa algo pela primeira vez. Deixo-me tentar pela vontade de me aproximar e perco-me na energia que deixas voar nesta pequena sala. Sem carregar em quaisquer interruptores, iluminas o teu próprio palco, flutuando entre quedas suaves e saltos majestosos. 

O teu olhar, perdido em ti mesma e nesse todo que só a ti pertence, distrai-se por breves segundos ao notares a minha chegada. Sorris… Esse sorriso esplendoroso que aquece os corações mais frios e desperta os mais tímidos… Sorris, sem te perderes da fluidez da tua alma que, embora invisível, está mais exposta que nunca. Reparo na profunda intensidade do teu olhar e perco-me por instantes, observando cada pormenor do teu corpo e cada movimento da tua anatomia. Os teus cabelos soltos desenham ondas no ar e, quando por breves segundos sustens a respiração numa pausa dos teus compassos, beijam-te a pele morena inebriada de magia. 

Envolves-te no êxtase dos últimos passos, dos movimentos que se esgotam, da alma que se entrega ao seu próprio corpo e do corpo que explode energia. Todos sentem; respiram em uníssono. A música adormece...  

E tu vens ter comigo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

desabafo.




Custa-me a admitir mas sei que vou ter mais saudades de algumas pessoas do que gostaria de ter. Eu sei que a saudade é uma coisa boa, pelo menos tento vê-la assim. Mas o pior é quando sentimos que não fazemos diferença nenhuma a certas pessoas e ainda assim sentimos a sua falta. 

Nestes momentos em que a data da partida se aproxima, dá para perceber melhor quem mais gosta de nós, quem mais gosta de ter a nossa presença na sua vida. São as primeiras pessoas a querer aproveitar os últimos dias comigo. Desta vez não tive más surpresas, nem desilusões. Desta vez, apenas surpresas boas porque já sei o que esperar de cada pessoa que tem uma relação comigo. 

A minha irmã de alma e a Frazão ficaram logo na fila da frente. Apesar de andarmos ocupadas, as promessas dos encontros mais frequentes até dia 28 vão sendo cumpridas. São as pessoas que mais demonstram que não interessa para onde a vida nos leva, elas vão comigo no coração e que, quando voltar, cá me esperarão de braços abertos. Depois, a minha pequena família linda das meninas do contemporâneo. Tenho um enorme carinho por elas e já estou tão habituada a ter a presença delas frequentemente que acho que vai ser a ausência que mais me vai custar lá fora. São miúdas especiais, aquelas! Depois tenho pessoas que vejo de ano a ano e que sabendo da minha aventura não perderam tempo e combinaram de imediato comigo. E isso aqueceu-me o coração. Então quando me abraçam...

É bom sentirmo-nos queridos... É, para mim, das melhores sensações quando recebo um abraço apertado, forte e genuíno que diz tudo sem dizer nada. Uma pequena grande demonstração de amizade, carinho e respeito. As pessoas que me abraçam assim não têm noção de como me deixam de coração cheio. Não têm mesmo.

Sabe-me pela vida.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

praga, dia 4.























O quarto dia foi um dia mais soft e que começou mais tarde devido ao cansaço do dia anterior. Depois de fazermos umas macacadas em frente a umas estátuas, decidimos ir ao supermercado comprar coisinhas para comer e ir a pé até ao Museu Nacional. Logo aí conseguimos fazer o fail do dia. Com um mapa na mão andámos e andámos. Encontrámos a sinagoga mais bonita que já vi em toda a minha vida. Também não vi muitas sinagogas mas esta era simplesmente mágica! 

Continuando, tanto andámos que fomos dar com um supermercado igualzinho ao que tínhamos ido pela manhã. Achei tanta piada que gravei para comparar. "Que giro, isto se calhar é igual em vários sítios de Praga". Depois chegámos simplesmente à conclusão de que era o mesmo supermercado LOL. Demos uma volta gigante para simplesmente vir parar ao mesmo sítio e percebermos que queríamos ir para trás do supermercado ahah. Mas pronto, se assim não fosse não tínhamos visto esta sinagoga espectacular:





Depois de tropeçar numa campa no meio da rua (é verdade!!!), decidimos descer o equivalente à nossa baixa lisboeta em Praga onde vimos imensas barraquinhas, lojas, restaurantes e casinos. E como não podia deixar de ser, o Fernando Pessoa checo ahah (quem já passou pela Brasileira na Baixa, vai perceber!).

A campa!!



Ignorem a cara de cu, era mesmo só para mostrar o senhor.
Próximo destino: Old Town Square! Perguntámos a várias pessoas onde ficava e íamos seguindo as indicações. Passámos pelo Museu das Máquinas do Sexo! Se não fosse tão caro até tínhamos entrado, mas assim sendo ficámos pela diversão na entrada: uma cadeira que media a nossa intensidade... LOL Aparentemente eu sou uma quase "Sex Bomb", como podem ver o meu espanto ahah:


Na Old Town Square dei de caras com mais um momento musical de nos deixar babados. Uma banda de Jazz com uma bateria improvisada: duas tampas de panela, um ralador e duas varetas de batedeira. Tocavam um mix de jazz, blues e country. Genial!

Esperámos pelas 17h para vermos o Astronomical Clock em acção, mas não achei nada de especial. Achei engraçado encontrar o segundo casal de recém-casados numa semana e decidimos gastar 400 coroas num passeio de charrete com um verdadeiro carroceiro! A viagem durava 20 minutos e os cavalos decidiram passar-se, por isso parámos várias vezes. Foi mesmo engraçado. 

Para Praga levei a minha nova máquina de filmar e, juro, eu tenho de fazer aqui uma montagem porque há coisas que não consigo transmitir por escrito e que são de chorar a rir!

A banda. Genial!




Depois de passearmos um bocadinho, decidimos ir jantar a um restaurante que recomendo vivamente pela relação qualidade-preço: "Corsaire". O atendimento foi super amável, os pratos bem servidos e deliciosos e uma sobremesa de comer e chorar por mais! Para além disso, deixavam entrar cães, algo que eu achei de louvar. Perguntei à empregada se era habitual os cães entrarem nos restaurantes e ela respondeu-me que dependia do restaurante, que nenhum ou praticamente nenhum restaurante tem sinal de proibição mas que convém pedir autorização!

Em Praga, todos os cães que vi estavam impecavelmente bem tratados e eram imensos os que passeavam e entravam em sítios públicos fechados! Adorei! E uma coisa que achei graça foi o facto de a maior parte dos cães que vi eram de raça considerada potencialmente perigosa!

Bom, aqui fica o nosso jantar. Ainda hoje sonho com esta sobremesa deliciosa! 



Depois do jantar, fomos para casa dormir!