terça-feira, 13 de agosto de 2013

correio em nea moudania.

Eu já tinha reparado que não tinha caixa do correio mas achei que isso era por o meu alojamento ser um antigo hotel, mas como a minha mãe quer mandar umas coisas eu decidi pedir ao nosso amigo Yiannis a morada do bar dele para enviarem para aqui. A questão é que eles aqui não têm moradas tipo "Rua tal e tal, nº7 blabla". Vou, portanto, deixar aqui a "morada" explicada: 

"SYNAVLIA" - nome do bar, entre aspas, para se perceber bem para onde é para entregar a encomenda 
EMP. KENT. K.T.E.L. - isto quer dizer que é perto da estação de autocarros cuja empresa operadora é a KTEL... 
632 00 N. Moudania - vá lá, têm código postal 
Greece / HELLAS 

Perante esta explicação, não posso não citar a minha mãe: 

"Como é que eles se orientam? Os carteiros devem ser como os futebolistas cá, profissão de desgaste rápido. Trabalham 6 meses e ficam com o cérebro em papa. Pior que isso só um mapa do tesouro: dez passos para a direita a partir da primeira oliveira a poente. Cinco cambalhotas, pino e segunda toca do coelho." 

E pronto, é isto. Basicamente as moradas deles são pistas para chegar ao destino. Parece-me que só vou ver as minhas broas de mel quando acabar o estágio.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

do trabalho, parte 2.

Outro desses momentos foi quando me encantei com uma menina muito querida e com um sorriso encantador e que me cumprimentava sempre que vinha ao restaurante, ficasse na minha station ou não. Por algumas vezes, ela e a família jantavam na minha station e passado uns dias, sem estar nada à espera, recebo uma gorjeta de 5€ “for good service” e obviamente fiquei muito contente. 

Nos dias seguintes, foram para a station do Miguel e como nos tinha saído um brinquedo nos cereais que comprámos para a nossa casa, quando passaram pela minha para ir embora ofereci o brinquedo às crianças. Por fim, no último dia deles ficaram na minha station e quando fui perguntar se estava tudo bem, ficaram a falar um pouco comigo, a dizer que estavam tristes por ir embora, que eram da Bielorrússia, que também tinham gostado muito do serviço do Miguel – e eu disse-lhes que era o meu menino eheh –, desejaram-me felicidade e tudo o mais e eu decidi escrever outro recado no guardanapo. 

Porquê sempre um recado no guardanapo? Porque é onde posso escrever algo e dar uma recordação de bons momentos e palavras carinhosas às pessoas que tratam as pessoas que os servem com respeito e simpatia. Parecendo que não, são essas que ficam na nossa memória e que nos dão vontade de dar boas memórias também. Afinal, são as pessoas que fazem um sítio ser bom ou mau e os pequenos gestos podem valer muito mais do que pensamos. 

Adiante, escrevi no guardanapo o meu email e o do Miguel para o caso de eles algum dia irem a Portugal nos contactarem para lhes arranjarmos um sítio simpático para ficarem e a dizer que tinha adorado conhecê-los e às crianças, que eram uma família muito, muito querida. Acabei por emocioná-los e agradeceram-me imenso por tudo. Isso e deram-me 10€ de gorjeta também, coisa de que realmente já não estava à espera pois já tinha recebido 5€ deles. 

São estes momentos que me fazem não querer desistir e continuar a fazer por melhorar. Claro que as gorjetas também sabem bem porque, sendo raras neste restaurante nesta altura do ano, fazem-me sentir que estou realmente a fazer um bom serviço, mesmo não tendo a vantagem que alguns colegas meus têm de perceber e saber falar russo que lhes permite conversar com 90% dos clientes que geralmente não falam grande coisa de inglês. 

E pronto, em Julho lá consegui 27€ em gorjetas e o Miguel 26€ (o que é bastante bom, tendo em conta de que me foi dito que se conseguíssemos 15€ era uma sorte). Vamos ver como corre Agosto agora.

domingo, 11 de agosto de 2013

do trabalho.

Como diz Paulo Coelho no último livro que li dele, 

“Há dois tipos de trabalho. O primeiro é o trabalho feito apenas por obrigação e para ganhar o pão de cada dia. Neste caso, as pessoas limitam-se a vender o seu tempo, sem perceber que nunca poderão comprá-lo de volta. (…) E há o segundo tipo de trabalho. O trabalho que as pessoas também aceitam para ganhar o pão de cada dia, mas em que procuram preencher cada minuto com dedicação e amor aos outros.” 

Por isso, decidi experimentar esta coisa de trabalhar com dedicação e amor aos outros e, apesar de não o seguir todos os dias porque simplesmente há dias em que não tenho paciência para aturar certas situações com a maior das simpatias, em todos os momentos em que o apliquei recebi sempre algo bom em troca, mesmo que não fosse imediato. 

Um desses momentos foi quando durante uma semana inteira servi uma pequena família de ingleses – e por pequena entenda-se 6 pessoas, porque ultimamente eles têm vindo aos 10 e 11 – e ia metendo conversa com eles. Sempre íamos trocando umas palavras, muito queridos e simpáticos, até que um dia eles estavam a tirar fotografias no restaurante e eu ofereci-me para lhes tirar umas fotografias em grupo, para não faltar ninguém. Ficaram todos contentes e pediram para me tirar uma fotografia e, no fim do jantar, uma das senhoras ficou a falar comigo durante uns 10 minutos. 

Sabendo que já tinham ido a Portugal e que queriam lá voltar, escrevi-lhes uma pequena mensagem num guardanapo a agradecer toda a simpatia e carinho que eu própria tinha recebido deles e a dar o meu email para o caso de irem a Portugal nos encontrarmos. Assim que leram aquilo fartaram-se de me abraçar e dar beijinhos e ofereceram a sua casa para o caso de eu querer ir a Inglaterra. Uma oferta que foi quase um pedido eheh: please come! No dia seguinte, deram-me o email deles e já somos amigos no Facebook e tudo!

(continua)
"A única condição que exigira dos outros e de si mesmo fora a disponibilidade. E nessa disponibilidade encontrava a preciosa diferença que cada ser lhe inspirava." 

Lunário

sábado, 10 de agosto de 2013

staff random conversations.

M: David, let me see your new tattoo! 
D: It’s an old chair. 
M: What?! Why do you have na old chair in your arm?! 
D: Because I can.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

greek restaurant random conversations

M: The day nobody breaks a glass, it will be a miracle. 
K: The day nobody breaks a glass, I will walk around the restaurant naked, it’s a promise.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

regras para conduzir na Grécia

• Estar sempre 30 ou 40 km/h acima da velocidade legalmente permitida. 
• À noite, os máximos devem estar sempre imperativamente ligados. 
• Usar capacete quando se anda de mota é para fracos. 
• Os cintos são apenas material decorativo dos carros. 
• As passadeiras são arte urbana. 
• Nos cruzamentos avança primeiro quem tem coragem. Todos têm coragem. 
• Usar os quatro piscas quando apetece e por razão nenhuma. 
• Entrar em contramão nos cruzamentos é fixe!
• Um carro pode levar tantas pessoas quantas lá couberem.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Afytos


Na nossa 3ª folga, fomos a Afytos, uma aldeia/vila a uns 20 km de Nea Moudania. Como tem sido desde que chegámos à Grécia, eu e o Miguel fazemos amigos em todo o lado e Afytos não foi excepção. Ao passearmos por umas ruelas, um senhor chamado Nikola perguntou-nos se queríamos que nos tirasse uma fotografia aos dois e ofereceu-nos bebidas por conta da casa no seu restaurante, Tomato and Pepper.

Imediatamente aceitámos e rapidamente começámos a conversa inicial que temos com toda a gente, dizendo que somos de Portugal, que estamos cá a fazer um estágio, que estamos a trabalhar no Oceania Club… E aqui descobrimos que estávamos a falar com um antigo responsável pelo main bar do hotel, amigo do Mr. Timos (director do hotel). Acabámos por ficar lá a almoçar, a conversar com ele sobre o hotel, o trabalho, o que íamos fazer a seguir a terminar o estágio (viagem a Atenas e Santorini), ao que ele imediatamente nos disse que tinha o melhor amigo a viver em Santorini e que ia falar com ele para nos arranjar um alojamento simpático e barato. 



Para não variar, como toda a gente que temos conhecido, foi muito prestável e disse que devíamos ir a Afytos um dia à noite e que, por não termos autocarro, depois nos dava boleia para casa. Deu-nos o seu contacto para falarmos com ele para arranjar alojamento em Santorini e para qualquer outra coisa de que precisássemos. 


Depois de um almoço tão agradável, fomos passear um bocadinho para depois irmos à praia. Apesar de estar com algumas pessoas – já me desabituei da confusão das praias de Cascais – arranjámos um sítio bom para estender a toalha e fomos à água. As praias em Halkidiki são espectaculares porque de um lado temos árvores, verde por todo o lado e do outro temos o mar, límpido, cristalino e a uma temperatura óptima. O único problema é a areia ter muitas pedras mas isso também faz com que esta se solte melhor da nossa pele, na altura de ir para casa. 



Uma das coisas de que mais gosto nas praias aqui é a ausência de poluição, tanto na areia como na água. É realmente algo de que vou ter muitas saudades daqui e que me faz questionar o facto de termos tantas praias com bandeira azul em Portugal. É-me cada vez mais estranho pensar em como está o mar nas praias de Cascais, sempre com aquela espuma horrível, com algas e lixo por todo o lado. Ao contrário das praias de Cascais, mergulhar neste mar não me faz sentir suja, faz-me sentir parte da natureza. 



A única coisa de que não gostei nesta praia de Afytos foram os estúpidos dos peixes que vinham morder-nos as pernas sabe-se lá porquê. Depois de nos deliciarmos com um bom almoço, um bom passeio, umas lindas paisagens e uma óptima tarde de praia, fomos para casa, tomar banho e, para não variar, fomos para o Synavla.

Com um sorriso na cara :)

terça-feira, 30 de julho de 2013

nea moudania

No Synavla, o bar do Yiannis e da Maria, já conhecemos várias pessoas simplesmente porque aqui toda a gente mete conversa com os estrangeiros. Conhecemos a Katarina e o Kostas, os dois filhos do Yiannis e da Maria, muito queridos e simpáticos. O Kostas trabalha em um dos hotéis da mesma cadeia do nosso e já nos convidou para ir com ele e uns amigos visitar as Grutas de Petralona, algo que queríamos mesmo muito! Conhecemos também a Tatiana, a namorada dele, que mora na Rússia e veio visitar Nea Moudania, um amor de pessoa. 

Num dos piores dias que tivemos, conhecemos o Panos, um advogado que estudou em Inglaterra e que tem um amigo português a viver em Nea Moudania. Conhecemo-lo num dia que foi péssimo e bom no fim: o nosso suposto dia de folga em que às 10h da manhã nos foram bater à porta a dizer que nos tinham trocado o horário e que tínhamos de ir trabalhar. Ainda para mais, no dia anterior tínhamos ido para a cama só às 4h da manhã por causa da fogueira na praia. Para ajudar esse dia a correr bem tive uma paragem de digestão e passei a tarde a vomitar por causa da péssima comida da cantina e, como o médico não estava no hotel, mandaram-me para casa. Como em casa me sentia sozinha, fui para o bar onde fui muito bem tratada, como se fosse da família. 

Como estava triste, a Maria chamou uns amigos que, pelo que percebi, andam no coro com ela, e começaram a cantar para mim. Depois disso o Yiannis pôs Mariza a tocar no bar e o Panos, que não nos conhecia de lado nenhum e tinha começado a falar com o Miguel pagou-nos as bebidas, que também era a única coisa que eu conseguia pôr no estômago. 


Estivemos horas a conversar com ele sobre tudo um pouco: política, a situação da Grécia e de Portugal, futebol, trabalho, família, Santorini, sítios para visitar… E no meio da conversa disse que ia tentar trazer o amigo português para nós o conhecermos! Por estas e por muitas outras, adoro este bar.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

viver com ele :)

Viver com ele está a ser ainda melhor do que esperava. Apesar de o nosso quarto ser um bocado manhoso, vamos conseguindo dar um jeito nisto e ter uma boa convivência. Sempre fui da opinião de que ninguém se devia casar sem estar a viver primeiro com a pessoa. É diferente vermos uma pessoa umas horas por dia, se é que se vêem todos os dias, e até mesmo viajar um mês com ela de viver com alguém, por vezes 24h sobre 24h. 

Viver com alguém implica que se determinem algumas regras, que nos adaptemos um ao outro, que haja respeito pelo outro e que haja uma divisão justa nas tarefas. Até porque, passado algum tempo, as mínimas coisas começam a irritar: uma tampa de sanita levantada, uns cabelos no chuveiro, coisas desarrumadas, roupa por lavar, etc. Às vezes até descobrimos coisas da personalidade da outra pessoa que não conhecíamos até então. Penso que quando se vive com alguém é que começamos a ter certezas seja do que for. 

Por vezes viver com alguém faz-nos cansar dessa pessoa, o que felizmente não é o meu caso. Estamos a aprender os tempos de cada um. O tempo para estar na palhaçada, o tempo para deixar em paz, o tempo para conversar e o tempo para nós mesmos, que também é importante. E viver com ele é tão bom… Sabe tão bem acordar com um beijo e festinhas, adormecer de mãos dadas, dar abraços de urso depois de uma boa conversa, ver um bom filme juntos, contar histórias engraçadas do dia… 

Cada vez mais sinto que ele não é apenas um namorado. É um amigo, o meu melhor amigo. Acima de tudo, um companheiro de vida que eu amo do fundo do meu coração.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

karpouzí*


Há duas coisas de que eu vou ter umas saudades imensas na Grécia: este tempo maravilhoso e a fruta deliciosa. Há muito tempo que não comia fruta tão boa, tão saborosa e doce. Ainda não bebi um sumo de laranja natural que fosse amargo como alguns que bebo em Portugal, ainda não comi uma melancia que fosse sem sabor, nada da fruta que comi até agora era menos do que suculenta e de comer e chorar por mais. 

Para além de deliciosas, são baratas e bastante grandes, é pena é não termos muito espaço em casa para enchermo-nos de fruta. Mas assim que receber o meu primeiro salário, uma parte dele vai para poder comer muita, muita fruta!

*Tradução: melancia.

quinta-feira, 25 de julho de 2013


Sei que, quando voltar, lutarei com alma e coração para conseguir o emprego para o qual me candidatei e fui a uma entrevista antes de me vir embora – na qual fiquei completamente apaixonada por tudo aquilo que me ofereceria e que eu poderia oferecer. Sei que vou apreciar muito melhor os momentos em família e com amigos, e que destes vou perceber ainda melhor quem realmente é para ficar e quem está só de passagem na minha vida. Sei que darei o triplo do amor e carinho às minhas cadelas, terei mil e uma histórias para contar a quem me quer bem e que aproveitarei todas as oportunidades de vibrar com o meu país e contribuir para que seja um pouco melhor. 

Portugal é um país lindo e agora vejo isso muito claramente. Tem coisas más e coisas boas, mas é um sítio fantástico para se viver. E por isso, quando voltar, quero aproveitar todas as oportunidades que tiver para viajar e conhecer melhor o nosso país. Estou a voltar a aprender a dar valor às pequenas coisas: um bom dia de sol, aquelas noites de Verão quentes de que já tinha saudades, andar a pé perto do mar, estar num sítio diferente, relaxar, ler um bom livro, ouvir boa música portuguesa, passear, brincar com um cão da rua, dar festinhas a um gato simpático, tocar guitarra ou piano, fotografar, filmar, aprender coisas novas, ter uma boa conversa, uma brisa amena, dar boas gargalhadas, escrever. 

E, apesar de ser difícil ter Internet, está a fazer-me bem desabituar-me do vício. Sim, eu já estava demasiado viciada, perdia tempo desnecessário a ver coisas que não interessavam a ninguém, tempo esse que podia aproveitar bem melhor. Neste momento, deixei de escrever no Twitter, deixei de comentar mil e um blogs, apenas tenho o meu blog que é o meu diário para um dia mais tarde recordar e o Facebook que é onde consigo falar com todos os que me interessam e partilhar fotografias e algumas histórias. Dou agora mais valor a conversar com as pessoas do que a cuscar a vida delas. 

Apesar de não gostar do trabalho, vou continuar a fazer por melhorar, por aproveitar tudo o que isto tem para me dar pois dificilmente voltarei cá e não quero deixar nada por fazer.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

synaulia - o melhor bar do mundo


Nos primeiros dias andávamos à procura de um sítio para conseguirmos Internet sem ter de ir ao hotel e encontrámos este bar, o melhor bar do mundo. Aqui conhecemos a Maria e o Yiannis, um casal muito simpático que nos trata como família. Acontece que este bar de que a Maria e o Yiannis são donos fica mesmo ao lado da estação de autocarros de Nea Moudania que, por sua vez fica a 5 minutos a pé da nossa casa, o que para nós é óptimo!

É engraçado pois trocámos uns dedos de conversa no primeiro dia e dissemos que voltaríamos umas horas mais tarde com os nossos computadores, só que, quando voltámos (às três da tarde), o bar estava fechado. No dia seguinte, quando fomos à praia e eu decidi ir para a água um bocadinho sozinha, eles viram-me e reconheceram-me. Começaram a falar comigo e a perguntar coisas sobre Portugal. Claro está que ficou prometido que nessa noite iríamos estrear o bar. Lá fomos nós e não podíamos ter ficado mais encantados.

Primeiro, o bar é giro, tem boa música e bons preços. Depois o Yiannis ensinou-nos umas coisas em grego e ficámos a saber que, por sermos estudantes e estarmos a trabalhar, tínhamos direito a desconto no que consumíamos simplesmente porque eles valorizam o nosso esforço e sabem que não é fácil para nós podermos sustentar gastos superficiais. Ficámos também a saber que o Yiannis já teve um cultural club, ou seja, um bar em que através da arte, da música e até o simples convívio com pessoas de vários países se mostrava um pouco de outras culturas, tanto que até fado lá tiveram. Para além do bar, a Maria faz ainda bijuteria muito bonita e anda no coro como soprano. E, tendo já visto um vídeo dela no Youtube, tem uma grande voz! Ficámos ainda a saber que eles moram na mesma rua que nós, o que achámos mesmo engraçado eheh.



Este vídeo representa apenas um bocadinho do que neste bar se vive diariamente. Para mim, este é o tipo de pessoas que adoro conhecer: cultas, dedicadas, com outra perspectiva de vida e de uma simpatia imensa! Levam um dia-a-dia simples, aproveitam as pequenas coisas da vida como uma boa conversa com amigos ou uma ida à praia para desanuviar e dão valor às pessoas que se interessam e querem aprender, ou não teriam eles uma paciência de santo para nos ensinarem uma data de frases e palavras novas que levamos no caderno cada vez que lá vamos!

Para além disso, fazem-nos sentir em casa :)

terça-feira, 16 de julho de 2013

xenodocheío* (atenção, post grande)


Quanto ao estágio, honestamente, ainda não estou a gostar e não sei se gostarei ou se apenas me habituarei. Porquê? Porque realmente não sou uma pessoa que consiga resignar-se à rotina. Ainda nem fiz duas semanas de trabalho e já estou farta de fazer sempre a mesma coisa. Servir bebidas, limpar mesas, limpar mesas, limpar mesas, polir, polir, polir, servir bebidas, fazer setup, fazer setup, polir, polir, polir, limpar, limpar, limpar, tentar perceber russo, receber uma gorjeta por semana, polir outra vez, sair do trabalho sempre meia hora ou uma hora depois do turno ter acabado, etc. Para além disso, como estágio não estou a aprender muito. Estou a aprender sim, mas podia estar a aprender muito, mas muito mais. 

Neste momento, sinto que já posso fazer o relatório que tenho de entregar no final do estágio pois, em princípio, não mudará muito. E se mudar, é só acrescentar. O pior é ter mesmo tempo e paciência para o fazer, tendo em conta que ainda não trabalhei menos de 10 horas por dia e que só tenho uma folga por semana que tento aproveitar ao máximo. Para além disso, a motivação aqui é só mesmo o dinheiro porque quando fazemos as coisas bem, ninguém diz nada (como tudo na vida), ninguém repara. Mas quando erramos por não sabermos, somos logo chamados à atenção. 

O nosso primeiro dia foi passado com colegas de trabalho a ensinarem-nos um bocadinho do que teríamos de fazer. Eu, felizmente, tive a maior sorte do mundo com o Stefan, um rapaz super profissional e que todos os clientes adoram. Está sempre disposto a ensinar-me a fazer seja o que for, mesmo que esteja ocupado e sob pressão. Nunca me disse que não. É, na minha opinião, das pessoas mais profissionais de todo o staff e a que, para mim, tem mais valor no que faz por ser a primeira vez que trabalha num restaurante de hotel, ao contrário da maior parte dos outros, muito bons profissionais também. Por estas e por outras, vou votar nele para empregado do mês, resta saber se eles aqui ligam alguma coisa a isso. 


No entanto, acabamos por aprender por tentativa-erro que é o método que eu menos gosto. Prefiro que me digam como tenho de fazer em cada situação e aí se eu errar corrigirem-me. Mas pronto, cada um tem o seu método. Claro que tenho de dar valor ao facto de eles darem alimentação, alojamento e shuttle bus para aqueles cujo alojamento é fora do hotel, mas a verdade é que os horários do shuttle bus em nada coincidem com os turnos pelo menos do staff do restaurante, o quarto onde nós estamos é muito pequeno e quente, só temos uma janela com vista para uma casa degradada e a comida da cantina, pronto, é comida de cantina. 

Mas isto não é só coisas más, há que ver as coisas com sentido de humor e sempre como uma lição de vida. Se eu não tivesse vindo para cá, estaria provavelmente a deprimir ainda mais em Portugal porque acho que não ia gostar de trabalhar em restaurante durante tanto tempo e nem sequer sairia da rotina em que já estava. Como diz Paulo Coelho, viver é experimentar. E se eu não experimentasse trabalhar em restaurante, talvez nunca desse o valor que os empregados merecem (que é muito mais do que geralmente dão) nem percebesse que tipo de trabalho quero para mim. 

Neste momento, sei que não sou capaz de ter um trabalho rotineiro ou que não me deixe ter, pelo menos, um pouco de tempo para eu poder investir em coisas fora da rotina. E só por isso, por descobrir mais coisas acerca de mim, do que quero e não quero na minha vida e para a minha vida, já tudo isto está a valer a pena.

Tradução: hotel

Continua...

domingo, 14 de julho de 2013

S 'agapó̱*


Nem consegui vir ao blog no dia, mas a verdade é que eu e o meu príncipe fizemos 1 ano no dia 7 de Julho. Fomos festejar na nossa folga, no dia seguinte. Sinceramente, embora tenhamos passado por um mau bocado na relação antes de virmos para a Grécia, esta vinda só nos fez foi bem. Temos sido o apoio um do outro e simplesmente adoro viver com ele. 

Estou a ficar tão acostumada à presença dele que só o facto de termos turnos separados me faz ter saudades dele. Enfim. 

Foi um ano espectacular, que venham muitos mais!

*Tradução: Amo-te.

sábado, 13 de julho de 2013

políkalo*


O caderno que está na imagem foi-me oferecido por um grego muito simpático de uma espécie de tabaqueira onde fomos comprar papel higiénico, uma água e um sumo. Estivemos a trocar uns dedos de conversa e no fim, quando íamos pagar, ele disse que oferecia o caderno que custava 0,80€. Por isso, daí em diante, escrevemos lá de tudo, desde as nossas contas, palavras e frases e a sua tradução em grego, episódios engraçados, as nossas contas e random things. A verdade é que já lá temos umas quantas coisas, até em alfabeto grego (obviamente não escritas por nós)! 

O alfabeto grego é outro desafio que adorava superar, tivesse eu um bocado de tempo para o aprender. Já vou percebendo algumas letras ou combinações de letras e o seu equivalente ao alfabeto internacional, como o NT que equivale ao nosso D ou então o P que equivale ao nosso R. É mesmo engraçado ver os nossos nomes e os dos nossos pais escritos em grego, nos documentos do tax number. 

Vamos ver se encontramos um bom livro english-greek para começarmos a desenvolver mais do que apenas simples palavras ou frases repetidas. Quero imenso perceber a gramática grega que, sendo uma língua latina, não há-de ser assim tão difícil.

*Tradução: Muito bom.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

perimeno*

No dia seguinte à nossa chegada a terras gregas, fomos ao hotel para tratar das coisas do nosso estágio, mas o nosso boss estava noutro hotel e o dia seguinte era o seu dia de folga, pelo que só conseguiríamos falar com ele na 2ª feira. Entretanto, o gestor do restaurante fez-nos uma mini visita guiada e explicou-nos algumas coisas que precisamos de saber e informou-nos de que só começaríamos a trabalhar na 4ª feira. Pensámos logo “boa! 5 dias de férias”, mas afinal foram mesmo 6 porque só começámos a trabalhar 5ª feira, ou seja, ontem (oficialmente, porque fizemos 2h30 na noite anterior). 



Tudo isto porque para podermos trabalhar na Grécia precisamos de um Tax Number e é o hotel que trata disso depois de assinarmos uns quantos papéis. Já temos os nossos uniformes, duas calças pretas e duas camisas azuis. Fomos busca-los à lavandaria, onde conhecemos uma rapariga da Lituânia muito querida chamada Marta. 

Já soubemos que o ano passado o staff tinha muito mais pessoas de fora, ou seja não-gregas, mas que este ano são mais gregos. Isto porque, devido à crise (que diga-se de passagem que aqui se sente muito mais do que em Portugal), instituíram uma lei em que obrigam as entidades empregadoras na Grécia recrutarem mais pessoas do seu país. Trabalhar com gregos tem muito que se lhe diga. Há uns muito bacanos e cheios de energia e outros que estão ali só a atrapalhar, tanto que nem inglês alguns sabem falar! Mas isso fica para outro post.

Quase todos os dias aprendemos a dizer coisas novas em grego. Há palavras que são muito parecidas com o português e já percebi que a real dificuldade está no alfabeto grego e não propriamente em falar, que é o que neste momento nos interessa. 



Durante estes dias de "férias", andámos a estrear as praias e a passear pela vila, mas já começámos a trabalhar e meu deus... 10 horas por dia sempre a andar é obra...

*Tradução: esperar

Ps. Uma vez que não tenho net em casa, cada vez que cá venho é só mesmo para falar com algumas pessoas e actualizar o blog, pelo que não consigo ver os vossos blogs como gostava mas espero que compreendam e que gostem das parvoíces que vão por aqui aparecendo! :)