quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Segredos.


Há quem pense que os meus segredos estão perdidos em folhas de um qualquer caderno. Outros pensam que eles passeiam de boca em boca de um círculo fechado de amigos. Ou então que se encontram por aqui escondidos por detrás de palavras como se de um enigma se tratassem. Estão errados. Estão todos errados. E a verdade é que sempre olharam para eles, sem nunca terem reparado. 

Os guardiões dos meus segredos são os meus olhos. Aqueles que brilham entusiasmados e que, por vezes, também se apagam. De cor amêndoa, como diz quem percebe de cores. Vulgares, iguais a tantos outros. Mas tantos outros não guardam o que eu guardo em mim.

Por isso, há pessoas que me intimidam. Aquelas que cruzam o olhar comigo e por lá ficam mais do que meros segundos. Capazes de me desmascarar e de me deixarem a balbuciar palavras sem sentido e piadas estúpidas. Tu és uma delas. Quando me confrontas, desvio os meus olhos para que não mos leias. Mas tu insistes e tentas perceber o nó de pensamentos que se perdem neles mesmos. Sinto-me tão óbvia, tão transparente, tão atrapalhada. Finjo ser distraída e ter a cabeça na lua, quando na verdade apenas tento proteger o que levo comigo e não quero desvendar. São os meus olhos que me denunciam.

Sorte a minha que poucos me tentam decifrar.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Há pessoas

Por vezes apaixonamo-nos. Apaixonamo-nos por um sítio, apaixonamo-nos por uma cultura, apaixonamo-nos por uma tradição. Apaixonamo-nos por um projecto ou por uma causa. Apaixonamo-nos pela música, pela natureza e pela poesia. Apaixonamo-nos por pessoas. Apaixonamo-nos sem aviso prévio. 

Há pessoas que me apaixonam. Pessoas que são verdadeiras forças da natureza. Pessoas que tem um coração tão grande, maior do que elas mesmas, capaz de abraçar o mundo. Com olhos que brilham entusiasmados e almas que vibram com a vida, há pessoas que me deixam sem jeito. Perco-me nas poucas palavras que soltam e deixo-as vaguear no pensamento durante horas, dias, semanas. Dou por mim a perder a noção de mim enquanto passeio pelas conversas e rebobino as minhas próprias reflexões. E todas estas vão dar a uma só: são pessoas que me apaixonam. 

Há pessoas que respiram uma magia que não ilude, um compromisso que não se deixa quebrar, uma serenidade que nos oferece paz. Colocam nas nossas mãos, sem medos, o seu coração e conquistam um lugar especial no nosso. São pessoas que nos abraçam fora das ocasiões especiais, sem motivo ou propósito. Que nos dedicam palavras que nos fazem transbordar. Que se despem de vergonhas e preconceitos, simplesmente se entregam. 

Há pessoas que nos encantam. Que trazem à flor da pele os sentimentos mais genuínos e aceleram os batimentos do nosso coração. De algum modo, ficamos ansiosos para abraçar, falar ou simplesmente ver essas pessoas. Algo muito forte em nós nos liga a elas. É cósmico e quase ninguém nota. Quase ninguém nota que há pessoas que me apaixonam e que me fazem sonhar. Que são verdadeiros exemplos para mim e que eu só quero que saibam isso. São contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. 

Por vezes... Apaixonamo-nos! Por pessoas de quem somos amigas, por pessoas que nem conhecemos bem. Apaixonamo-nos por pessoas que admiramos e que de alguma forma nos conquistaram irreversivelmente. Apaixonamo-nos porque o mundo está cheio de pessoas genuínas, lindas por dentro e por fora. De contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. Mas nem sempre reparamos nelas.

Por isso lhes dedico estas palavras.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Discover Portugal On a Budget

Tenho estado ausente. Desde que cheguei que tem sido um turbilhão de coisas para fazer e para sentir. Vim com uma ideia para um novo projecto e tenho-me dedicado a ela. E queria apresentar-vos esse projecto!

Por favor, dêem um salto em Discover Portugal On a Budget e opinem!

Love you!

sábado, 14 de setembro de 2013

thank you for great memories!

Last days are always a mix of feelings. After spending most of my summer in Greece, working at Oceania Club, I can see now that I lived a lot, learned a lot and that I was completely blessed when I first arrived here. The first times were hard, I was missing so much my family and friends, my country, my normal life. The work wasn't what I expected and I felt that I really wanted to give up. One day I woke up, I started to see this as a challenge and it's true what they say: that in the end you will look back and realise that after all it was completely worth it. After all, I got a new kind of family in an awesome cafe near our accomodation, that took care of me like I was one of theirs. I made fantastic friends that really gave attention to the little things of a friendship and made me think about what is important to me, in my life. I worked a lot, I got tired, I got sick, I cried like a baby because of being exhausted, I complained, then I changed my behaviour, I got better, I met really nice guests that made my job worth it, I made mistakes that turned out good stories to tell and laugh about, I got opportunities to learn a bit more and to joke a bit more. 

Yesterday at night, in the beach, we saw about 200 candles light up with the words "Obrigado para as memórias". Of course, Google Translate never translates it properly but it was the meaning that touched me (and Miguel). Are those kind of moments that I keep in my heart and make me feel that I really made some difference around here. Other small gestures I don't forget also: a hug when I was feeling down or simply because they felt like hugging me, some kind help when I felt I was completely tired and fucked up with work, a good conversation about everything and nothing, laughing about stupid things, doing silly things without shame, doing a small trip and getting stories to tell (Mr. Timoleon Antonakis you have to send us the pictures of the day we tried to give blood ahah) and I could continue... 

Maria, my greek mother, offered me a wonderful painting from her and one of her first handmade necklesses. It touched my heart in a way that I didn't feel for so long. I now carry one of the most beautiful necklesses I've ever had, with so much meaning. And the painting, I was so afraid to lose it or ruin it during our next trip that I will receive it by mail and I will put in a special place at home. And much more other beautiful stories like this I have to tell. I won't forget this summer. I won't forget the kindness, the friendship, the moments. I won't forget what some people wrote in my notebook, it was truly touching. I won't forget a single person. 

So thank you, thank you all for making Nea Moudania a unforgettable place and for such a memorable and unique adventure. My dream is to travel the world and this was a great, great start :)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

reencontros.


No primeiro dia de férias, tínhamos combinado ir até Nea Fokea ter com a Catarina, a nossa amiga que também está a estagiar por estes lados, mas num hotel diferente e que, até este dia não tínhamos conseguido ver, por termos horários e folgas incompatíveis. No entanto, no dia anterior, os RH do nosso hotel perguntaram-nos se gostaríamos de, no dia seguinte, ir dar sangue ao Sani Beach Hotel. Nós dissemos que sim e foi juntar o útil ao agradável porque íamos ter boleia do Oceania até lá e depois o hotel onde a Catarina estava a trabalhar era perto. 

Mal sabíamos que a boleia que íamos ter era do Mr. Timos, o director do Oceania Club, no seu fantástico BMW. Íamos quatro para dar sangue: eu, o Miguel, o Mr Timos e a Alina, nossa colega e amiga do restaurante. Chegámos lá, passeámos um pouco pela recepção, ouvindo as explicações do Mr. Timos, tirámos fotografias e dirigimo-nos à sala onde estavam a fazer a recolha de sangue. Depois de preenchermos um questionário em grego (!!), fomos avaliados por uma enfermeira. 


O Mr. Timos foi o primeiro a ser rejeitado pois tinha feito uma tatuagem recentemente. A mim disseram-me que estava com a tensão muito baixa e que, se quisesse mesmo dar sangue, só podia dar 100 ml. Aceitei. Sentei-me na cadeira, lá fizeram os procedimentos habituais e eu, pela primeira vez, senti mesmo o sangue a sair do meu corpo. Estavam a fazer os procedimentos habituais com o Miguel e eu comecei a sentir o meu corpo mais leve, a ver manchas brancas e pretas e a ver a cara da Alina completamente a pensar “oh fuck” e a chamar a enfermeira, que me tirou a agulha do braço e me inclinou a cadeira de maneira a que ficasse com as pernas levantadas, mesmo antes de eu falecer. 

Nisto, assim que me começaram a medir a tensão, que estava baixíssima, eu olho para o Miguel que parecia um vampiro de tão branco que estava, também já com a enfermeira a inclinar-lhe a cadeira. Só me deu vontade de rir ao ver a Alina completamente normal a dar sangue, a olhar para nós e a dizer: Portuguese power is dropping, e depois o Mr. Timos a tirar-nos fotografias enquanto estávamos ali meio falecidos. Foi mesmo engraçado. 

Mr. Timos in the middle eheh
Depois deste pequeno episódio, o Mr. Timos levou-nos ao bar da praia do Sani Beach Hotel, pagou-nos umas bebidas e ficámos a conversar sobre a carreira dele, os nossos estudos e outras coisas assim interessantes. É sempre muito positivo sentir que o director do hotel em que trabalhámos apenas dois meses (a Alina cinco), se interessa por nós, “meros” empregados de mesa. Sabemos que ele também vai falando com os hóspedes e com os empregados, sempre a patrulhar o hotel e a conhecer as pessoas de que o seu próprio hotel é feito. É uma pessoa muito presente e eu acho que isso faz dele um óptimo profissional no que toca a cuidar das pessoas. 

Depois deste pequeno momento, dissemos-lhe que tínhamos uma amiga ali a trabalhar no Sani Beach Club e que lhe íamos fazer uma surpresa, aparecendo lá no hotel, ao que ele diz que a mulher dele é a gestora do restaurante-bar da praia desse hotel e que lhe ia ligar. Conclusão: quando lá chegámos, comemos uns gelados por conta da casa e ligaram para o restaurante em que a Catarina trabalhava, a dizer que ela tinha de ir lá abaixo, mas sem dizerem o motivo. E lá a surpreendemos! 


Passámos a tarde com ela, comemos na cantina do Beach Club Hotel que, ao contrário da nossa, tem comida deliciosa e fomos para a praia, conversar até mais não. No fim do dia, ela tinha de voltar ao trabalho e despediu-se de nós dando aqueles bolinhos com uma mensagem lá dentro que eu sempre quis experimentar. Era o bolinho do Obrigado! 

E assim se fez um dia muito especial…


último dia de trabalho malakas!


O último dia de trabalho foi o mais engraçado, não por ser o último, mas por ter sido um dia em que tudo e mais alguma coisa aconteceu. Para começar, eu e o Miguel combinamos trocar as placas identificativas um com o outro, uma pequena brincadeira. Depois, como era quarta-feira (o que significa setup de gala que é o mais fácil), acabámos o restaurante mesmo rápido e quando demos por nós, estava mais escuro do que habitual. Era uma tempestade que se estava a aproximar. Conseguimos vê-la lá ao fundo, no mar, a vir lentamente e a tornar-se cada vez mais negra. 

Foi ver toda a gente a sair da piscina, os russos a correrem literalmente (até parece que não têm tempestades bem piores) e o pessoal do restaurante todo à janela a pensar: “isto hoje vai ser uma catástrofe”. Começaram todos a correr de um lado para o outro, porque tínhamos de tirar tudo o que estava nas varandas dos restaurantes À La Carte e até mesmo pratos e copos que o Housekeeping deixava na rua, sabe-se lá porquê. Como estava a chover, o pessoal dos bares da praia e da piscina veio ajudar o restaurante pelo que até tivemos um intervalo maior. 

Nisto, o Miguel e o Iorgos começam a pôr pacotes de guardanapos dentro das camisas e os panos com que polimos talheres a fazer de cueca de sumo e começaram a brincar aos massivos lutadores de sumo. Foi qualquer coisa de muito parvo e engraçado. O jantar começou com imensas pessoas a entrarem logo às seis e meia (hora de abertura do restaurante). Algumas pessoas repararam no facto de eu ter um nome de rapaz, mas não disseram nada. Já ao Miguel até lhe perguntaram o que era aquilo, ahah. 



Do nada, os nossos supervisores vêm ter connosco e dizem-nos que vamos trabalhar um bocado no À La Carte e levam-nos até lá. Eu fiquei no Italiano, com a Dora, o Blez e a Anna (que adoro) e o Miguel ficou no Asiático com o Dimitris, o Ilias e a Margarita. Foi uma experiência curta mas que nos mostrou como se trabalha em restaurantes com este tipo de conceito que não se limita a servir bebidas, limpar pratos e fazer novo setup. Ainda tive a sorte de conseguir comer um Amaretto delicioso que os totós dos russos deitaram para o lixo. Comi também uns doces que sobraram e uma bebida preparada pela Anna, a supervisora do À La Carte Italiano. Foram miminhos muito bons de se receberem. 

Depois voltámos à realidade e fomos acabar os trabalhos que nos estavam destinados para aquela noite e fomos para a cantina comer gelado.

sábado, 31 de agosto de 2013

dos aniversários na Grécia.

Uma das coisas mais engraçadas que aprendi foi que, ao contrário de Portugal e outros países, quando alguém faz anos, essa pessoa oferece algo aos outros. Explicaram-me que isso é muito comum aqui na Grécia, bem como na Roménia e na Sérvia. Também descobri que a música que se canta a quem faz anos não tem nada a ver com o “happy birthday to you” nem variantes desta. Não tem absolutamente nada de semelhante. 

E é isto.

domingo, 25 de agosto de 2013

last days in nea moudania.

Dia 28 é o nosso último dia de trabalho. Porquê? Porque o nosso chefe percebeu que, dizendo que era dia 29, nesse dia já não trabalhávamos. O que é que isso nos custou? Três das quatro folgas a que temos direito durante o mês. Ou seja, vamos trabalhar 17 dias seguidos, desde a nossa última folga. 

Mesmo assim, aqui estamos nós a esfalfar-nos e ainda a querer aproveitar os últimos momentos em Nea Moudania, tanto com o staff como com a nossa família grega. Fomos experimentar o tão por aqui afamado Sueño, um bar de praia para onde o pessoal do hotel costuma sair. Ao início, como pessoa que não tem paciência para músicas da dança do copo, estava a achar um bocado seca porque o senhor DJ só passava música de caca e nós estávamos a consumir bebidas que custavam os olhos da cara. Mas depois começaram a chegar pessoas que conhecíamos e a música também começou a melhorar. 

No entanto, a parte mais gira da noite começou quando vimos o nosso chefe a chegar de t-shirt e calções e foi continuando quando descobrimos que o nosso supervisor, Liviu, tinha feito danças de salão e pusemo-nos os 3 a dançar. Tive pena de não ter bateria no telemóvel pois gostava de ter gravado o Miguel e o Liviu a dançarem juntos de mão dada ahah, foi algo imperdível e memorável. 

Só tivemos pena de não vir mais gente do restaurante à festa, mas pode ser que venham a outra festa: a nossa, de despedida.

sábado, 24 de agosto de 2013

petralona caves and our best day off.



A nossa 5ª folga ficou nas mãos do nosso amigo Kostas, filho da Maria. Já andávamos há 3 semanas a combinar a ida às grutas mais antigas da Grécia, as Grutas de Petralona e como ele se tinha oferecido para ir connosco, aceitámos imediatamente. Combinámos às 11h no Synavlia e lá fomos nós, finalmente sem termos de entrar em autocarros que passam de duas em duas horas ou levarmos com russos mal-educados. Na rádio passaram as músicas mais conhecidas em português: “Kuduro” e “Ai se eu te pego”, o que é sempre engraçado após semanas sem ouvirmos nada em português a não ser quando falamos um com o outro ou com os nossos pais. 

Chegámos às grutas e entrámos num pequeno comboio que me fazia lembrar os comboios em que andava em Cascais com os meus 6 anos, e este levou-nos do parque de estacionamento até às grutas, que ainda eram uma subida complicada de se fazer à torreira do sol. Quando lá chegámos, fomos à bilheteira comprar os bilhetes e, à conta de uma discussão parva entre um grego e o senhor da bilheteira, tive tempo para reparar que os estudantes da UE tinham entrada livre. E assim se pouparam 5€ (cada um), fora os bilhetes de autocarro e o táxi que pagaríamos se o Kostas não nos levasse lá! 




As grutas eram simplesmente espectaculares, com milhões de milhões de anos e diferentes camadas que representam as diferentes Eras, como a Idade do Gelo, por exemplo. Dentro da gruta, a temperatura eram uns sempre estáveis 17ºC, o que levou a que vários animais a escolhessem para a hibernação ou para sobreviverem na Era Glaciar, bem como humanos. 

A gruta era simplesmente enorme mas só era possível visitar cerca de um sétimo dela, talvez nem isso. É curioso imaginar como tudo isto era há milhões de anos atrás e como realmente os humanos e animais viviam nestas grutas. É engraçado pensar que estávamos a pisar o mesmo solo que os nossos antepassados e estranho imaginar como é que eles se orientavam no meio das estalactites e estalagmites, pedras e rochedos, a caçar os animais que hibernavam ou procuravam refúgio dentro da gruta, sem visibilidade quase nenhuma. 

Devido à humidade dentro da gruta e a uma queda um bocadinho-dolorosa-mas-não-tanto-quanto-isso, a máquina fotográfica do Miguel estragou-se. Não por completo pois conseguimos liga-la na mesma e tira fotografias, o problema é que o botão de ligar e desligar não funciona, pelo que temos de ir por outros meios. Foi o único mau momento do dia. 



Depois o Kostas decidiu levar-nos a almoçar a Dionisiou e fomos buscar a Katarina, irmã dele. No restaurante, estava lá o Yiannis e a Maria que, no fim, sem sabermos, nos pagaram o almoço, que era óptimo! No fim, fomos para Nea Flogita a um café na praia passar horas e horas a conversar com o Kostas e a Katarina sobre tudo e mais alguma coisa. Finalmente uma conversa que realmente adorei e achei interessante, principalmente porque tínhamos tempo para trocar ideias e falar mais a sério sobre determinados assuntos que não fossem meras banalidades. 

Ao fim da tarde, voltámos para Nea Moudania e fomos obviamente ao Synavlia.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

toroneos cruiseship.



Na nossa 4ª folga, quisemos experimentar uma excursão que a Jéssica (a rapariga que nos ajudou a conseguir este estágio) fez o ano passado com a Mouzednis Travel, a agência turística que trabalha com o nosso hotel e faz grandes descontos para o staff. Por 22,50€ cada um, fizemos o Toroneos Cruiseship. Claro que éramos os únicos não-russos nesta excursão, os russos aqui são uma praga (sem ofensa, mas são mais que as mães e não são as pessoas mais civilizadas do mundo). Passámos por vários hotéis para apanhar mais participantes desta excursão e lá fomos nós apanhar o barco. 

Passámos por sítios lindos, durante a viagem de autocarro, e a praia onde os barcos estavam atracados parecia ser simplesmente divinal. A água era límpida como nunca tinha visto e à volta da praia era só natureza, árvores com um verde lindo e pedras que não pareciam apenas calhaus. Realmente sentia harmonia naquele sítio. Harmonia essa que foi um bocado estragada pela pressa e estupidez dos nossos companheiros de cruzeiro. 



Mas lá fomos nós, em direcção a uma praia onde estivemos 1 hora, muito gira para fazer snorkeling, onde tirámos fotografias, nadámos e comemos o melhor gelado que já experimentámos na Grécia. Depois disso, voltámos para o barco onde nos ofereceram almoço (com o pior sumo de laranja que já provei em toda a minha vida, mesmo para contrastar ahah) e rumámos para Neos Marmaras, uma vila piscatória onde comprámos umas lembranças para a nossa família e uns postais lindos de morrer. 




Após 2 horas, voltámos para o barco em direcção à ilha tartaruga para, literalmente, saltar do barco para a água. Mais uma vez, fizemos um bocadinho de snorkeling e aí sim tivemos noção de que o sítio onde estávamos tinha uns 20 metros de profundidade e vimos imensos peixes e diferentes relevos ao fundo. 

Por fim, voltámos para o hotel, onde apanhámos o shuttle bus para casa.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

greek family

Há uns dias atrás, fomos ao Synavlia relaxar de um dia de trabalho muito chato e cansativo e aparece-nos o Yiannis com a encomenda que a minha mãe mandou há duas semanas atrás: broas de mel, uns biscoitos, as minhas bolachas preferidas do pingo doce, uma carta fofinha, gomas e a bandeira de Portugal! Oferecemos uns doces ao Yiannis e à Maria para provarem e a bandeira. Porquê? Porque, como acho que disse há uns tempos atrás, eles querem começar a pôr no bar as bandeiras das nacionalidades que por ali passam e claro que Portugal tinha de ser a pioneira! 

Logo a seguir, o Yiannis deu-nos uma gramática que tinha em casa de espanhol-grego, que tinha comprado por engano, achando que era grego-espanhol. Isto porque, de vez em quando, ele faz viagens de camião para entregar mercadoria até Espanha e queria aprender um pouco de espanhol, como já aprendeu francês. 

São estes miminhos que nos vão dando força para continuar.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013




Um dos colegas que mais gostei de conhecer foi o Iustin, um romeno que acabou o contrato duas semanas depois de o nosso começar. Tive imensa pena, mas fiquei feliz por ele pois não estava feliz a trabalhar neste restaurante, pelos mais variados motivos e com razão. Por isso, no último dia de trabalho dele fomos uns quantos à praia à noite, acender uma fogueira e ficar simplesmente a conversar e a rir. O Miguel, o Iustin e o Vlassis (um óptimo amigo também) até foram nadar no meio da escuridão total! 

Sinceramente, gostei imenso do ambiente porque aqui senti que eles não se preocupavam em fumar “socialmente”, apanhar grandes bebedeiras nem em gabar-se do que fazem e no que são bons. Ali simplesmente contavam-se histórias, tiravam-se fotografias, cantava-se, soltavam-se gargalhadas, brindava-se. É este o tipo de ambiente de que gosto e que quero trazer um pouco para Portugal. Um ambiente simples, humilde e genuíno. Sem vícios, simplesmente aproveitando os pequenos prazeres da vida. Sabe mesmo muito bem. 




A praia estava completamente às escuras e deserta e era possível fazer-se uma fogueira com ramos das árvores que lá estavam caídos. Sim, é rara a praia que não tenha árvores e simplesmente adoro isso! Também é rara a praia que seja invadida por uma multidão como as praias da linha de Cascais, pelo que me estou a desabituar completamente de ter labirintos de pessoas para conseguir arranjar um lugar para mim e há que salientar o facto de as praias aqui serem mais pequenas. 

Voltando ao assunto, aqui estou a aprender de uma forma muito mais profunda a valorizar as coisas simples e os pequenos bons momentos, a perceber o que é puro e genuíno e estou mesmo muito curiosa para saber como vai ser voltar para casa com todas estas lições.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

virgem maria 2

No dia seguinte ao feriado nacional, decidimos que íamos mesmo tratar do que até agora não nos tinha sido possível. Fomos ao banco e ao que parece não somos os únicos a ter problemas em activar o nosso cartão, mas mesmo assim não foi resolvido. Felizmente, temos a alternativa de levantar dinheiro e fazer transferências presentemente, por isso a situação podia ser pior. 

À noite fomos ao Synavlia, para marcar o voo para Santorini e quando lá chegámos estavam a festejar o aniversário do nome Maria com amigos, aos quais nos juntámos para comemorar. Estivemos à conversa e a comer, ouvimos música grega, russa, ucraniana e portuguesa. Sim, portuguesa: Emanuel, Ágata, Quim Barreiros. Também ouvimos música brasileira como o “Hey, quem está aí, se tem mulher solteira, dá grito que eu quero ouvir”. Foi muito engraçado. É sempre giro quando ouvimos as nossas músicas em terras com poucos portugueses, mesmo que sejam pimba. Claro que me lembrei logo das festinhas do Pé-da-Serra às quais faltei, infelizmente. Adiante… 

Quando alguns começaram a ir embora, marcámos os nossos voos e, sabe-se lá porquê, até ficaram mais baratos! Como eu digo, tudo o que de mau acontece traz sempre algo bom. Poupámos 50€ no voo para Santorini e agora só falta marcar o hostel, que já está mais que escolhido – Caveland Hostel em Karterados. Depois, é tempo de planear Atenas!

virgem maria

Dia 15 de Agosto aqui é um dos 4 feriados mais importantes dos gregos. Como é que descobrimos isso? Quando precisámos com alguma urgência de tratar dos problemas do nosso cartão da conta grega ao banco e este estava fechado sem qualquer tipo de aviso. Também quando tentámos levantar dinheiro da nossa conta portuguesa no Millenium e foi impossível. E, por fim, quando voltámos a casa desapontados e eu me pus a ler o Guia de Bolso de Santorini, providenciado pelo hostel em que provavelmente iremos ficar, e lá estava uma nota sobre dias importantes na Grécia. 

Dia 15 de Agosto é o dia da Virgem Maria aqui. Ainda não sei bem porquê mas hei-de pesquisar, quando tiver tempo. O interessante aqui é que todas as Marias de cá festejam esse dia como o aniversário do nome. Eles realmente dão os parabéns a todas as Marias de cá! A nossa colega Maria trouxe doces para festejar, enchendo a pança, e até o Synavlia que nunca fecha, fechou porque, lá está, era o dia da Maria! 

Achei mesmo engraçado, não tivesse este dia estragado os planos que tínhamos de marcar a viagem para Santorini e de tratar dos problemas dos nossos cartões. Mas pronto, aqui fica a curiosidade.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

correio em nea moudania.

Eu já tinha reparado que não tinha caixa do correio mas achei que isso era por o meu alojamento ser um antigo hotel, mas como a minha mãe quer mandar umas coisas eu decidi pedir ao nosso amigo Yiannis a morada do bar dele para enviarem para aqui. A questão é que eles aqui não têm moradas tipo "Rua tal e tal, nº7 blabla". Vou, portanto, deixar aqui a "morada" explicada: 

"SYNAVLIA" - nome do bar, entre aspas, para se perceber bem para onde é para entregar a encomenda 
EMP. KENT. K.T.E.L. - isto quer dizer que é perto da estação de autocarros cuja empresa operadora é a KTEL... 
632 00 N. Moudania - vá lá, têm código postal 
Greece / HELLAS 

Perante esta explicação, não posso não citar a minha mãe: 

"Como é que eles se orientam? Os carteiros devem ser como os futebolistas cá, profissão de desgaste rápido. Trabalham 6 meses e ficam com o cérebro em papa. Pior que isso só um mapa do tesouro: dez passos para a direita a partir da primeira oliveira a poente. Cinco cambalhotas, pino e segunda toca do coelho." 

E pronto, é isto. Basicamente as moradas deles são pistas para chegar ao destino. Parece-me que só vou ver as minhas broas de mel quando acabar o estágio.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

do trabalho, parte 2.

Outro desses momentos foi quando me encantei com uma menina muito querida e com um sorriso encantador e que me cumprimentava sempre que vinha ao restaurante, ficasse na minha station ou não. Por algumas vezes, ela e a família jantavam na minha station e passado uns dias, sem estar nada à espera, recebo uma gorjeta de 5€ “for good service” e obviamente fiquei muito contente. 

Nos dias seguintes, foram para a station do Miguel e como nos tinha saído um brinquedo nos cereais que comprámos para a nossa casa, quando passaram pela minha para ir embora ofereci o brinquedo às crianças. Por fim, no último dia deles ficaram na minha station e quando fui perguntar se estava tudo bem, ficaram a falar um pouco comigo, a dizer que estavam tristes por ir embora, que eram da Bielorrússia, que também tinham gostado muito do serviço do Miguel – e eu disse-lhes que era o meu menino eheh –, desejaram-me felicidade e tudo o mais e eu decidi escrever outro recado no guardanapo. 

Porquê sempre um recado no guardanapo? Porque é onde posso escrever algo e dar uma recordação de bons momentos e palavras carinhosas às pessoas que tratam as pessoas que os servem com respeito e simpatia. Parecendo que não, são essas que ficam na nossa memória e que nos dão vontade de dar boas memórias também. Afinal, são as pessoas que fazem um sítio ser bom ou mau e os pequenos gestos podem valer muito mais do que pensamos. 

Adiante, escrevi no guardanapo o meu email e o do Miguel para o caso de eles algum dia irem a Portugal nos contactarem para lhes arranjarmos um sítio simpático para ficarem e a dizer que tinha adorado conhecê-los e às crianças, que eram uma família muito, muito querida. Acabei por emocioná-los e agradeceram-me imenso por tudo. Isso e deram-me 10€ de gorjeta também, coisa de que realmente já não estava à espera pois já tinha recebido 5€ deles. 

São estes momentos que me fazem não querer desistir e continuar a fazer por melhorar. Claro que as gorjetas também sabem bem porque, sendo raras neste restaurante nesta altura do ano, fazem-me sentir que estou realmente a fazer um bom serviço, mesmo não tendo a vantagem que alguns colegas meus têm de perceber e saber falar russo que lhes permite conversar com 90% dos clientes que geralmente não falam grande coisa de inglês. 

E pronto, em Julho lá consegui 27€ em gorjetas e o Miguel 26€ (o que é bastante bom, tendo em conta de que me foi dito que se conseguíssemos 15€ era uma sorte). Vamos ver como corre Agosto agora.