sábado, 25 de janeiro de 2014

O dia em que ele perdeu a capa

Tinha sido numa quinta-feira à noite da primeira semana académica do ano que eu lhe tinha pedido para me rasgar a capa. Já tinha andado uns largos meses a pensar nisso mas não o queria fazer sem ter certezas da minha parte. Naquela semana e nos poucos meses que antecederam àquela quinta-feira eu tinha todas as certezas do mundo. E a minha capa foi rasgada.

Pedir a alguém que nos rasgue a capa é uma homenagem e, por isso mesmo, deve ser feita de forma totalmente consciente pois homenagens não se prestam a toda a gente. E eu quis prestar-lhe uma homenagem por tudo aquilo que ele simbolizava para mim. Afinal, a nossa história começou na noite do concurso de tunas do Estoril.

Ele retribuiu essa homenagem. Perguntei-lhe se tinha a certeza pois eu não queria que ele me pedisse para rasgar a capa dele apenas por eu lhe ter pedido para rasgar a minha. Ele garantiu-me que não e assim ficámos os dois com um rasgão ao meio, nas nossas capas. O rasgão ao meio é dedicado à pessoa com quem estamos comprometidos, o que enfatiza ainda mais a importância de pensar bem antes de o fazer. Se algo corresse mal, teríamos que voltar a coser aquele rasgão e eu penso que não haja algo pior do que retirar uma homenagem a alguém. Achava eu.

A capa para mim é o maior símbolo da nossa vida académica, sejamos praxantes ou não. Nunca me hei-de esquecer da pessoa que me traçou a capa pela primeira vez. Ele naquele dia não fazia ideia por que é que eu insisti tanto para que fosse ele a traçar-me a capa. Mas eu sabia, eu sentia que era a pessoa certa. O maior e melhor exemplo de Veterano que eu tinha conhecido enquanto caloira, por mais invisível que eu fosse para ele. Foi com ele que, sem ele saber, aprendi a ser Veterana. E um ano e meio depois é um dos amigos que mais prezo.

Foi com a capa sobre os meus joelhos que dei o primeiro beijo à pessoa que mais amei, ao som de uma versão acústica d’ ”O Ciclo Sem Fim” de uma tuna da qual já não me lembro do nome. Foi com a capa nos meus ombros que lhe dei o segundo beijo. E foi enrolada na capa que estive até às 4h da manhã no carro com uma das minhas melhores amigas a falar sobre tudo o que tinha acontecido.

Meses depois foi com a capa traçada que me desfiz em lágrimas quando a Tunística tocou a “Balada do Estudante” e ele não estava lá. Estava em Erasmus e sempre presente no meu pensamento. Foi de capa traçada que o Luís me abraçou como bom amigo que é, dizendo-me que no ano seguinte eu já poderia ouvir a Tunística a tocar a música que mais comove os estudantes daquela faculdade abraçada a ele, que agora estava ausente.

E foi no ano seguinte que, de capa traçada, o tive ao meu lado no último dia da semana de Praxe e chorei a ouvir a tal música, mas sentindo-me mal. Agora ele estava presente, mas talvez preferisse chorar pela sua ausência do que chorar por ele ter perdido a capa. Estúpido não é? Agora tinha-o ali, presente, ao meu lado e estava outra vez a chorar.

A verdade é que nesse dia ele perdeu a capa. Deixou o maior símbolo da vida académica de um estudante à guarda de nem sabe bem quem. Deixou a maior homenagem que já me fizeram, enquanto Veterana, dobrada no chão, misturada com outras capas, acabando por se deixar confundir. Eu disse-lhe para ter cuidado e ele assegurou-me de que estava tudo sob controlo. Uma hora depois ligou-me, já eu estava a uns 2 km dali, a perguntar se por acaso eu não sabia da capa dele. Primeiro veio a raiva, depois a frustração e, por fim, a desilusão. Não cabia em mim o valor que ele não dava à capa para não a proteger acima de tudo, por mais que estivesse entretido a enfeitar os caloiros com peixe, ovos e ketchup. Não cabia em mim ele simplesmente ter ignorado quando o avisei para ele ter cuidado com a capa e ele me ignorou porque provavelmente eu tinha sido chata durante aquela semana por tê-lo chamado a atenção algumas vezes quando achei que ele não estava a agir correctamente. Não cabia em mim ele simplesmente não ter cuidado da homenagem mais preciosa que já me fizeram.

E no dia em que ele perdeu a capa, tudo começou a desmoronar-se. Dias mais tarde contei-lhe de algumas coisas que me incomodavam e ele pediu-me um tempo. A justificação deixou-me de queixo no chão e de lágrimas nos olhos. Voltámos, mais tarde, mas nunca mais foi o mesmo.

Todas as certezas do mundo dissiparam-se e agora eu sou apenas um passado por ser enterrado, uma capa rasgada e perdida. Basta-lhe comprar uma capa nova, começar uma vida nova, uma nova nascente.

E eu fico por aqui a coser finalmente os emblemas na capa, sem certezas de nada. A capa permanecerá rasgada porque fiz o rasgão consciente e, por mais que não possamos prever o futuro, é uma marca do passado. De um passado que eu não pretendo enterrar, mas sim transformar num diferente presente.
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O lado "obscuro" da Praxe


Muito se tem especulado sobre o incidente no Meco e claro que os movimentos anti-praxe não perderam a oportunidade de gritar ao mundo o quão horrível a praxe é, até mata estudantes! Bom, eu não vou entrar em extremismos e dizer que a praxe é o paraíso e que nunca ninguém morreu nela pois estaria a mentir (já aconteceu, infelizmente). Eu respeito as pessoas que não gostam nem se identificam com nada da praxe. Respeito as pessoas que não a compreendem nem querem compreender e para as quais a praxe é totalmente indiferente. Só não lhes admito que nos chamem de tiranos, de bestas que necessitam de maltratar os outros para se sentirem superiores e de rebanho de ovelhas acéfalas. 

Reconheço, embora me custe como estudante e praxante, que há praxe que nem sequer é digna de ter esse nome. Praxe que humilha, que maltrata, que é inconsciente e imprudente. Reconheço! Mas isso não é praxe, é estupidez. Mas claro que apenas a praxe estúpida tem tempo de antena. Os telejornais abrem com imagens de jovens sofredores a fazerem flexões, de estudantes reprimidos aos pés dos veteranos, de caloiros atados com cordas, presos a uma tradição sem escrúpulos. Indignam-se os pais e pedem aos filhos que não participem neste acto macabro. Explodem comentários nas redes sociais, insultam-se os universitários, criam-se movimentos para acabar com a praxe de vez e toda uma panóplia de guerras nascem de uma triste notícia em que seis jovens faleceram, por estarem no sítio errado. Por terem decidido ir para a praia quando todo o país estava em alerta laranja. 




Mas adiante. Com tantos jornais e noticiários a passarem incessantemente imagens repetidas de má praxe ou simplesmente fotografias que fora do contexto transmitem retratos extremamente negativos, decidi que também seria bom mostrar o lado bom. Não vale a pena tentar convencer os anti de que a praxe é uma maravilha, uma lição de vida e beca beca. Nem sempre é. Nem sempre é uma maravilha, nem sempre é uma lição de vida. As lições de vidas não são dadas, são aprendidas. A praxe pode ensinar algumas coisas, mas o caloiro pode aprender tanto quanto quiser com ela.

Queria então esclarecer uns pontos:

Ponto 1 - A praxe não é obrigatória, participa quem quer.
Ponto 2 - Na praxe, pode-se dizer "Não".
Ponto 3 - O intuito da praxe é integrar o caloiro, desafiá-los, pô-los à prova e fazê-los sair da casca. Não é humilhar nem maltratar.
Ponto 4 - Tem tudo a ver com a maneira como se fazem as coisas. Ter um ovo partido na cabeça pode ser considerado humilhante, se o veterano disser "Toma caloiro nojento, esfrega", ou pode ser encarado como uma brincadeira se o veterano disser "Caloira, já experimentou este novo champô?". Dou este exemplo porque foi o que me fizeram e eu nunca me senti humilhada, pois sempre me respeitaram, mesmo na brincadeira. A verdade é que também tive a sorte de estar numa faculdade em que a praxe é levada com respeito.

Dito isto, aqui ficam umas fotografias do lado "obscuro" (aka. que aparentemente ninguém conhece) da praxe:

 

 


















Todas as fotografias deste post são da autoria do Frutas.
Aviso: Este post NÃO é patrocinado pela TMN Moche, apesar de ter várias fotografias com cadernos da mesma.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Escasseiam-se as palavras e as promessas perdidas tropeçam no tempo. O que era certo tornou-se indeciso, o que era impossível afinal estava apenas escondido. Dentro dos compassos que me dão vida, vibra um fulgor de liberdade em erupção. Nas minhas explosões codifiquei os segredos, enigmas indecifráveis. Rompem-se as correntes que me atrapalhavam os passos e corro. Não paro. Esgoto-me. Fecho os olhos e desperto os mais adormecidos dos meus sentidos. A rotina quebrou-se em novidade. Tudo é estranho, embora intemporal. As mesmas silhuetas tomaram novas formas e as mesmas cores tomaram outro brilho. O que achava ser sábio afinal era ingénuo e um suave fluir de energia deu azo a um corropio. 

Metamorfose.
Margarida.

domingo, 19 de janeiro de 2014

carpe diem

Depois de uns tempos afastada do mundo dos blogs, acho que está na altura de voltar... Devagarinho. Como quem regressa à terra da sua infância mas já não se lembra de tudo o que ali aconteceu. A faculdade tem-me consumido o tempo e a vontade de querer escrever para o mundo. Muito aconteceu nestes últimos tempos. 

Há uns dias atrás perdi uma estrela na terra que agora brilha no céu. Uma mulher que foi o exemplo de uma lutadora, não só por si mas também pelos outros. Uma mulher que saiu do país sozinha para poder sustentar os filhos e que regressou para também cuidar dos filhos dos outros que não tinham como o fazer. Uma mulher cujos olhos contavam mil histórias, uma mulher de quem tenho medo de esquecer a voz. Mas mesmo que esqueça a voz não me esqueço das lições que ninguém sabe que eu aprendi. 

O importante é viver o agora. Fazer por nós agora. Darmos o nosso melhor agora. Viver ao máximo agora. Crescer agora. Porque ninguém sabe o que o amanhã ou o "daqui a uns tempos" nos trará, que surpresas o futuro nos reserva. E não adianta fugir das coisas, de pessoas ou de sentimentos. Não adianta batalharmos incessantemente até nos esgotarmos da inutilidade que essa luta nos traz. Não adianta queixarmo-nos de uma situação que vivemos se não tencionamos fazer algo para mudá-la ou tentar melhorá-la, isso só trará más energias e sofrimento por antecipação. Fugir nunca foi solução, é apenas adiarmos os nossos problemas esperando que outro alguém os resolva por nós. It won't work that way. É necessário acalmar. Viver cada dia, sem ânsias e sem expectativas. Em vez disso, criarmos a nossa sorte. 

Durante 99 anos, ela deixou uma marca no mundo. Agora está em paz, junto do homem que ama, a brilhar com todo o fulgor que sempre teve no coração, oferecendo-nos uma noite mais bonita. A sua sabedoria não será esquecida e o seu exemplo de vida será sempre uma inspiração. Porque quem diz hoje que isto está mal, não viveu o que tu viveste sem te queixares. E isso só me dá forças para acreditar que estamos aqui por algum motivo.

Até breve

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Quero escrever mas tenho o coração calado. Quero anotar tudo o que fiz em tempos de silêncio. Mas cessam-se-me as palavras, abafadas pelo barulho dos meus pensamentos. Quero mexer-me mas a minha alma está inerte, sem vontade de me alegrar com os meus pequenos feitos. Quero aprender, mas falta-me a vontade. Há um mês que me ausentei daqui e do mundo, mas ninguém reparou no quão distante eu estava. Fingi bem o que odeio fingir. Senti tudo e estou vazia. Só queria que algo me despertasse, me desse novo alento ou entusiasmo. Resigno-me à mera (in)existência e deito tudo a perder. Tudo me é familiar e estranho ao mesmo tempo e eu quero mistério, o desconhecido, a liberdade. Mas afinal estou completamente perdida, sem saber que caminhos percorrer por este mundo fora. Saio de mim para me encontrar. Fujo do conforto para me sentir viva porque a rotina é morrer lentamente. Não sei o que quero, não quero nada! Quero a solidão e a tristeza, a raiva de quem se deixou a si mesma à toa. Perdi a luz ao fundo do túnel porque escolhi largar-me. Deixo-me porque já nada faz sentido, já nada tem sentido. 

Quero viver.

domingo, 24 de novembro de 2013

Zé Manel & Mariazinha


Recentemente criei uma página de entretenimento chamada Zé Manel & Mariazinha, dois bonecos muito simpáticos! São um casal de velhotes mega tugas e que vão andar por aí a passear como bons reformados que são. O objectivo da página é promover o respeito e carinho pelas pessoas de idade, lembrar que grande parte deles tiveram vidas difíceis, acentuar a veia tuga que todos temos em nós, valorizar os momentos simples, incentivar à aventura e mostrar um pouco mais de nós a quem não fala a nossa língua. 

Por isso, acompanhem as aventuras deste casal amoroso!

 https://www.facebook.com/zemanelemariazinha

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

insónias.

A página está em branco e sinto uma enorme necessidade de a preencher. Preciso de escrever e não sei sobre o quê. O meu pensamento rapidamente voa de um momento para outro e aqui estou eu, feita parva, estúpida, perdida em devaneios sem nexo. Duvido que alguém um dia me compreenda inteiramente; eu própria apenas me compreendo aos bocados. Quero escrever e não sei sobre o quê, mas as palavras têm de sair silenciosamente dos meus dedos. Tenho um turbilhão dentro de mim que precisa de explodir vezes sem conta. Rebento e disperso-me. Concentro-me na minha própria dispersão. E as palavras vão correndo aceleradas tentando apanhar o ritmo das minhas palpitações. Prendo-me a mim mesma dezenas de vezes, calando a minha própria voz, contendo os meus impulsos. Apenas queria ter a liberdade que me tiro a mim mesma. Ridículo? Confuso? Quanto baste. Não sei mais explicar a complexidade que cresceu em mim. Troco o dito por não dito e assim vou andando pela vida: como quem sabe o que está a fazer e na verdade não faz a mínima ideia.

Umas vezes ganhamos, outras perdemos. Ganhar por vezes exige tudo de nós, uma entrega genuína e uma dedicação excepcional. Perder, por vezes, exige que saibamos aceitar um “não” quando fizemos tudo o que podíamos para ganhar. Mas não é o “não” que é difícil. É a rejeição que sentimos mas que não nos é dita. Um pequeno empurrão para trás, quase imperceptível, que nos diz que fomos longe demais. Que somos demais. Demais. E acredita, é pior sermos demais do que sermos insuficientes. 

(...) Quis a minha história que assim fosse. Cheia de percalços, sábia na sorte, pecadora nas perdas e apaixonada nas vitórias. Mas, acima de tudo, recheada do inesperado. Nada do que vivi alguma vez foi esperado. Quando esperei um conto de fadas, vivi um inferno. Quando esperei um pesadelo, encontrei fé. E é essa fé que me faz abraçar-te. A ti, a eles e ao mundo. Esse mundo que percorro quando preciso de me encontrar. Perco-me várias vezes nas pessoas a quem me entrego e que nem notam. Perco-me em quem me inspira e em quem me deixa de coração cheio. E perco-me, vezes e vezes sem conta, inutilmente pois ninguém repara, ninguém nota. Ninguém se apercebe ou então faz de conta de que são distraídos. 

“Não te percebo", já me disseram várias vezes. Ninguém compreende como sou capaz de me dar incessantemente e de me perder constantemente. Mas há pessoas que valem a pena. E a essas dou tudo de mim. Umas palavras de carinho, uma memória antiga, um sorriso genuíno. Um olhar mais atento. E um abraço daqueles apertados, profundos, sentidos. Não precisasse o meu coração de abraços todos os dias. 

Assim me entrego: totalmente, confiando todas as minhas vulnerabilidades a um coração que por breves segundos bate mais perto e em sintonia com o meu. Por vezes, perco-me assim, sem notarem. E vou-me por aí, desencontrada, sem desconfiarem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Segredos.


Há quem pense que os meus segredos estão perdidos em folhas de um qualquer caderno. Outros pensam que eles passeiam de boca em boca de um círculo fechado de amigos. Ou então que se encontram por aqui escondidos por detrás de palavras como se de um enigma se tratassem. Estão errados. Estão todos errados. E a verdade é que sempre olharam para eles, sem nunca terem reparado. 

Os guardiões dos meus segredos são os meus olhos. Aqueles que brilham entusiasmados e que, por vezes, também se apagam. De cor amêndoa, como diz quem percebe de cores. Vulgares, iguais a tantos outros. Mas tantos outros não guardam o que eu guardo em mim.

Por isso, há pessoas que me intimidam. Aquelas que cruzam o olhar comigo e por lá ficam mais do que meros segundos. Capazes de me desmascarar e de me deixarem a balbuciar palavras sem sentido e piadas estúpidas. Tu és uma delas. Quando me confrontas, desvio os meus olhos para que não mos leias. Mas tu insistes e tentas perceber o nó de pensamentos que se perdem neles mesmos. Sinto-me tão óbvia, tão transparente, tão atrapalhada. Finjo ser distraída e ter a cabeça na lua, quando na verdade apenas tento proteger o que levo comigo e não quero desvendar. São os meus olhos que me denunciam.

Sorte a minha que poucos me tentam decifrar.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Há pessoas

Por vezes apaixonamo-nos. Apaixonamo-nos por um sítio, apaixonamo-nos por uma cultura, apaixonamo-nos por uma tradição. Apaixonamo-nos por um projecto ou por uma causa. Apaixonamo-nos pela música, pela natureza e pela poesia. Apaixonamo-nos por pessoas. Apaixonamo-nos sem aviso prévio. 

Há pessoas que me apaixonam. Pessoas que são verdadeiras forças da natureza. Pessoas que tem um coração tão grande, maior do que elas mesmas, capaz de abraçar o mundo. Com olhos que brilham entusiasmados e almas que vibram com a vida, há pessoas que me deixam sem jeito. Perco-me nas poucas palavras que soltam e deixo-as vaguear no pensamento durante horas, dias, semanas. Dou por mim a perder a noção de mim enquanto passeio pelas conversas e rebobino as minhas próprias reflexões. E todas estas vão dar a uma só: são pessoas que me apaixonam. 

Há pessoas que respiram uma magia que não ilude, um compromisso que não se deixa quebrar, uma serenidade que nos oferece paz. Colocam nas nossas mãos, sem medos, o seu coração e conquistam um lugar especial no nosso. São pessoas que nos abraçam fora das ocasiões especiais, sem motivo ou propósito. Que nos dedicam palavras que nos fazem transbordar. Que se despem de vergonhas e preconceitos, simplesmente se entregam. 

Há pessoas que nos encantam. Que trazem à flor da pele os sentimentos mais genuínos e aceleram os batimentos do nosso coração. De algum modo, ficamos ansiosos para abraçar, falar ou simplesmente ver essas pessoas. Algo muito forte em nós nos liga a elas. É cósmico e quase ninguém nota. Quase ninguém nota que há pessoas que me apaixonam e que me fazem sonhar. Que são verdadeiros exemplos para mim e que eu só quero que saibam isso. São contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. 

Por vezes... Apaixonamo-nos! Por pessoas de quem somos amigas, por pessoas que nem conhecemos bem. Apaixonamo-nos por pessoas que admiramos e que de alguma forma nos conquistaram irreversivelmente. Apaixonamo-nos porque o mundo está cheio de pessoas genuínas, lindas por dentro e por fora. De contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. Mas nem sempre reparamos nelas.

Por isso lhes dedico estas palavras.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Discover Portugal On a Budget

Tenho estado ausente. Desde que cheguei que tem sido um turbilhão de coisas para fazer e para sentir. Vim com uma ideia para um novo projecto e tenho-me dedicado a ela. E queria apresentar-vos esse projecto!

Por favor, dêem um salto em Discover Portugal On a Budget e opinem!

Love you!

sábado, 14 de setembro de 2013

thank you for great memories!

Last days are always a mix of feelings. After spending most of my summer in Greece, working at Oceania Club, I can see now that I lived a lot, learned a lot and that I was completely blessed when I first arrived here. The first times were hard, I was missing so much my family and friends, my country, my normal life. The work wasn't what I expected and I felt that I really wanted to give up. One day I woke up, I started to see this as a challenge and it's true what they say: that in the end you will look back and realise that after all it was completely worth it. After all, I got a new kind of family in an awesome cafe near our accomodation, that took care of me like I was one of theirs. I made fantastic friends that really gave attention to the little things of a friendship and made me think about what is important to me, in my life. I worked a lot, I got tired, I got sick, I cried like a baby because of being exhausted, I complained, then I changed my behaviour, I got better, I met really nice guests that made my job worth it, I made mistakes that turned out good stories to tell and laugh about, I got opportunities to learn a bit more and to joke a bit more. 

Yesterday at night, in the beach, we saw about 200 candles light up with the words "Obrigado para as memórias". Of course, Google Translate never translates it properly but it was the meaning that touched me (and Miguel). Are those kind of moments that I keep in my heart and make me feel that I really made some difference around here. Other small gestures I don't forget also: a hug when I was feeling down or simply because they felt like hugging me, some kind help when I felt I was completely tired and fucked up with work, a good conversation about everything and nothing, laughing about stupid things, doing silly things without shame, doing a small trip and getting stories to tell (Mr. Timoleon Antonakis you have to send us the pictures of the day we tried to give blood ahah) and I could continue... 

Maria, my greek mother, offered me a wonderful painting from her and one of her first handmade necklesses. It touched my heart in a way that I didn't feel for so long. I now carry one of the most beautiful necklesses I've ever had, with so much meaning. And the painting, I was so afraid to lose it or ruin it during our next trip that I will receive it by mail and I will put in a special place at home. And much more other beautiful stories like this I have to tell. I won't forget this summer. I won't forget the kindness, the friendship, the moments. I won't forget what some people wrote in my notebook, it was truly touching. I won't forget a single person. 

So thank you, thank you all for making Nea Moudania a unforgettable place and for such a memorable and unique adventure. My dream is to travel the world and this was a great, great start :)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

reencontros.


No primeiro dia de férias, tínhamos combinado ir até Nea Fokea ter com a Catarina, a nossa amiga que também está a estagiar por estes lados, mas num hotel diferente e que, até este dia não tínhamos conseguido ver, por termos horários e folgas incompatíveis. No entanto, no dia anterior, os RH do nosso hotel perguntaram-nos se gostaríamos de, no dia seguinte, ir dar sangue ao Sani Beach Hotel. Nós dissemos que sim e foi juntar o útil ao agradável porque íamos ter boleia do Oceania até lá e depois o hotel onde a Catarina estava a trabalhar era perto. 

Mal sabíamos que a boleia que íamos ter era do Mr. Timos, o director do Oceania Club, no seu fantástico BMW. Íamos quatro para dar sangue: eu, o Miguel, o Mr Timos e a Alina, nossa colega e amiga do restaurante. Chegámos lá, passeámos um pouco pela recepção, ouvindo as explicações do Mr. Timos, tirámos fotografias e dirigimo-nos à sala onde estavam a fazer a recolha de sangue. Depois de preenchermos um questionário em grego (!!), fomos avaliados por uma enfermeira. 


O Mr. Timos foi o primeiro a ser rejeitado pois tinha feito uma tatuagem recentemente. A mim disseram-me que estava com a tensão muito baixa e que, se quisesse mesmo dar sangue, só podia dar 100 ml. Aceitei. Sentei-me na cadeira, lá fizeram os procedimentos habituais e eu, pela primeira vez, senti mesmo o sangue a sair do meu corpo. Estavam a fazer os procedimentos habituais com o Miguel e eu comecei a sentir o meu corpo mais leve, a ver manchas brancas e pretas e a ver a cara da Alina completamente a pensar “oh fuck” e a chamar a enfermeira, que me tirou a agulha do braço e me inclinou a cadeira de maneira a que ficasse com as pernas levantadas, mesmo antes de eu falecer. 

Nisto, assim que me começaram a medir a tensão, que estava baixíssima, eu olho para o Miguel que parecia um vampiro de tão branco que estava, também já com a enfermeira a inclinar-lhe a cadeira. Só me deu vontade de rir ao ver a Alina completamente normal a dar sangue, a olhar para nós e a dizer: Portuguese power is dropping, e depois o Mr. Timos a tirar-nos fotografias enquanto estávamos ali meio falecidos. Foi mesmo engraçado. 

Mr. Timos in the middle eheh
Depois deste pequeno episódio, o Mr. Timos levou-nos ao bar da praia do Sani Beach Hotel, pagou-nos umas bebidas e ficámos a conversar sobre a carreira dele, os nossos estudos e outras coisas assim interessantes. É sempre muito positivo sentir que o director do hotel em que trabalhámos apenas dois meses (a Alina cinco), se interessa por nós, “meros” empregados de mesa. Sabemos que ele também vai falando com os hóspedes e com os empregados, sempre a patrulhar o hotel e a conhecer as pessoas de que o seu próprio hotel é feito. É uma pessoa muito presente e eu acho que isso faz dele um óptimo profissional no que toca a cuidar das pessoas. 

Depois deste pequeno momento, dissemos-lhe que tínhamos uma amiga ali a trabalhar no Sani Beach Club e que lhe íamos fazer uma surpresa, aparecendo lá no hotel, ao que ele diz que a mulher dele é a gestora do restaurante-bar da praia desse hotel e que lhe ia ligar. Conclusão: quando lá chegámos, comemos uns gelados por conta da casa e ligaram para o restaurante em que a Catarina trabalhava, a dizer que ela tinha de ir lá abaixo, mas sem dizerem o motivo. E lá a surpreendemos! 


Passámos a tarde com ela, comemos na cantina do Beach Club Hotel que, ao contrário da nossa, tem comida deliciosa e fomos para a praia, conversar até mais não. No fim do dia, ela tinha de voltar ao trabalho e despediu-se de nós dando aqueles bolinhos com uma mensagem lá dentro que eu sempre quis experimentar. Era o bolinho do Obrigado! 

E assim se fez um dia muito especial…


último dia de trabalho malakas!


O último dia de trabalho foi o mais engraçado, não por ser o último, mas por ter sido um dia em que tudo e mais alguma coisa aconteceu. Para começar, eu e o Miguel combinamos trocar as placas identificativas um com o outro, uma pequena brincadeira. Depois, como era quarta-feira (o que significa setup de gala que é o mais fácil), acabámos o restaurante mesmo rápido e quando demos por nós, estava mais escuro do que habitual. Era uma tempestade que se estava a aproximar. Conseguimos vê-la lá ao fundo, no mar, a vir lentamente e a tornar-se cada vez mais negra. 

Foi ver toda a gente a sair da piscina, os russos a correrem literalmente (até parece que não têm tempestades bem piores) e o pessoal do restaurante todo à janela a pensar: “isto hoje vai ser uma catástrofe”. Começaram todos a correr de um lado para o outro, porque tínhamos de tirar tudo o que estava nas varandas dos restaurantes À La Carte e até mesmo pratos e copos que o Housekeeping deixava na rua, sabe-se lá porquê. Como estava a chover, o pessoal dos bares da praia e da piscina veio ajudar o restaurante pelo que até tivemos um intervalo maior. 

Nisto, o Miguel e o Iorgos começam a pôr pacotes de guardanapos dentro das camisas e os panos com que polimos talheres a fazer de cueca de sumo e começaram a brincar aos massivos lutadores de sumo. Foi qualquer coisa de muito parvo e engraçado. O jantar começou com imensas pessoas a entrarem logo às seis e meia (hora de abertura do restaurante). Algumas pessoas repararam no facto de eu ter um nome de rapaz, mas não disseram nada. Já ao Miguel até lhe perguntaram o que era aquilo, ahah. 



Do nada, os nossos supervisores vêm ter connosco e dizem-nos que vamos trabalhar um bocado no À La Carte e levam-nos até lá. Eu fiquei no Italiano, com a Dora, o Blez e a Anna (que adoro) e o Miguel ficou no Asiático com o Dimitris, o Ilias e a Margarita. Foi uma experiência curta mas que nos mostrou como se trabalha em restaurantes com este tipo de conceito que não se limita a servir bebidas, limpar pratos e fazer novo setup. Ainda tive a sorte de conseguir comer um Amaretto delicioso que os totós dos russos deitaram para o lixo. Comi também uns doces que sobraram e uma bebida preparada pela Anna, a supervisora do À La Carte Italiano. Foram miminhos muito bons de se receberem. 

Depois voltámos à realidade e fomos acabar os trabalhos que nos estavam destinados para aquela noite e fomos para a cantina comer gelado.

sábado, 31 de agosto de 2013

dos aniversários na Grécia.

Uma das coisas mais engraçadas que aprendi foi que, ao contrário de Portugal e outros países, quando alguém faz anos, essa pessoa oferece algo aos outros. Explicaram-me que isso é muito comum aqui na Grécia, bem como na Roménia e na Sérvia. Também descobri que a música que se canta a quem faz anos não tem nada a ver com o “happy birthday to you” nem variantes desta. Não tem absolutamente nada de semelhante. 

E é isto.

domingo, 25 de agosto de 2013

last days in nea moudania.

Dia 28 é o nosso último dia de trabalho. Porquê? Porque o nosso chefe percebeu que, dizendo que era dia 29, nesse dia já não trabalhávamos. O que é que isso nos custou? Três das quatro folgas a que temos direito durante o mês. Ou seja, vamos trabalhar 17 dias seguidos, desde a nossa última folga. 

Mesmo assim, aqui estamos nós a esfalfar-nos e ainda a querer aproveitar os últimos momentos em Nea Moudania, tanto com o staff como com a nossa família grega. Fomos experimentar o tão por aqui afamado Sueño, um bar de praia para onde o pessoal do hotel costuma sair. Ao início, como pessoa que não tem paciência para músicas da dança do copo, estava a achar um bocado seca porque o senhor DJ só passava música de caca e nós estávamos a consumir bebidas que custavam os olhos da cara. Mas depois começaram a chegar pessoas que conhecíamos e a música também começou a melhorar. 

No entanto, a parte mais gira da noite começou quando vimos o nosso chefe a chegar de t-shirt e calções e foi continuando quando descobrimos que o nosso supervisor, Liviu, tinha feito danças de salão e pusemo-nos os 3 a dançar. Tive pena de não ter bateria no telemóvel pois gostava de ter gravado o Miguel e o Liviu a dançarem juntos de mão dada ahah, foi algo imperdível e memorável. 

Só tivemos pena de não vir mais gente do restaurante à festa, mas pode ser que venham a outra festa: a nossa, de despedida.

sábado, 24 de agosto de 2013

petralona caves and our best day off.



A nossa 5ª folga ficou nas mãos do nosso amigo Kostas, filho da Maria. Já andávamos há 3 semanas a combinar a ida às grutas mais antigas da Grécia, as Grutas de Petralona e como ele se tinha oferecido para ir connosco, aceitámos imediatamente. Combinámos às 11h no Synavlia e lá fomos nós, finalmente sem termos de entrar em autocarros que passam de duas em duas horas ou levarmos com russos mal-educados. Na rádio passaram as músicas mais conhecidas em português: “Kuduro” e “Ai se eu te pego”, o que é sempre engraçado após semanas sem ouvirmos nada em português a não ser quando falamos um com o outro ou com os nossos pais. 

Chegámos às grutas e entrámos num pequeno comboio que me fazia lembrar os comboios em que andava em Cascais com os meus 6 anos, e este levou-nos do parque de estacionamento até às grutas, que ainda eram uma subida complicada de se fazer à torreira do sol. Quando lá chegámos, fomos à bilheteira comprar os bilhetes e, à conta de uma discussão parva entre um grego e o senhor da bilheteira, tive tempo para reparar que os estudantes da UE tinham entrada livre. E assim se pouparam 5€ (cada um), fora os bilhetes de autocarro e o táxi que pagaríamos se o Kostas não nos levasse lá! 




As grutas eram simplesmente espectaculares, com milhões de milhões de anos e diferentes camadas que representam as diferentes Eras, como a Idade do Gelo, por exemplo. Dentro da gruta, a temperatura eram uns sempre estáveis 17ºC, o que levou a que vários animais a escolhessem para a hibernação ou para sobreviverem na Era Glaciar, bem como humanos. 

A gruta era simplesmente enorme mas só era possível visitar cerca de um sétimo dela, talvez nem isso. É curioso imaginar como tudo isto era há milhões de anos atrás e como realmente os humanos e animais viviam nestas grutas. É engraçado pensar que estávamos a pisar o mesmo solo que os nossos antepassados e estranho imaginar como é que eles se orientavam no meio das estalactites e estalagmites, pedras e rochedos, a caçar os animais que hibernavam ou procuravam refúgio dentro da gruta, sem visibilidade quase nenhuma. 

Devido à humidade dentro da gruta e a uma queda um bocadinho-dolorosa-mas-não-tanto-quanto-isso, a máquina fotográfica do Miguel estragou-se. Não por completo pois conseguimos liga-la na mesma e tira fotografias, o problema é que o botão de ligar e desligar não funciona, pelo que temos de ir por outros meios. Foi o único mau momento do dia. 



Depois o Kostas decidiu levar-nos a almoçar a Dionisiou e fomos buscar a Katarina, irmã dele. No restaurante, estava lá o Yiannis e a Maria que, no fim, sem sabermos, nos pagaram o almoço, que era óptimo! No fim, fomos para Nea Flogita a um café na praia passar horas e horas a conversar com o Kostas e a Katarina sobre tudo e mais alguma coisa. Finalmente uma conversa que realmente adorei e achei interessante, principalmente porque tínhamos tempo para trocar ideias e falar mais a sério sobre determinados assuntos que não fossem meras banalidades. 

Ao fim da tarde, voltámos para Nea Moudania e fomos obviamente ao Synavlia.