sábado, 21 de janeiro de 2012

conversas comigo mesma II


Há alturas na vida em que saímos um pouco de nós porque nos sentimos mal na nossa pele e, às vezes, essas saídas fazem ver-nos as coisas de outra perspectiva. E às vezes essas coisas até nos mostram uma luz ao fundo do túnel. Parece que a esperança está noutro lugar. Ou que pelo menos é uma luz que nos aquece quando estamos mais frios que nunca, com a alma e o coração congelado de um sentimento negro. Até que percebemos que a verdadeira luz nasce dentro de nós. Dentro da pessoa que realmente somos, e não da fuga a que nos sujeitámos. 

Há quem passe a vida a fugir. Quem corra incessantemente atrás de fugas a si mesmo. Quem encontre uma luz ao fundo do túnel ou um oásis no meio do deserto e acredite que é esse o caminho. Há quem viva dependente da felicidade que os outros lhes possam trazer. Daquela estúpida ilusão de que a perfeição está ali à mão de semear. Uma vida cheia de flores e felicidade. Mas a verdade é que, no fundo, não existem túneis infinitos e os oásis geralmente são apenas fruto da nossa imaginação. Quando acendes a tua própria chama e te agarras ao que és verdadeiramente, percebes que a tua felicidade és tu que a constróis. E que por túneis todos passamos, por mais longos que sejam. 

No fundo, apenas dentro de nós sabemos o caminho certo. Se estivermos constantemente em fuga, vamos sempre acabar em oásis inexistentes, morrendo de sede do que é verdadeiro. E esse ponto final, só uma pessoa o pode pôr. Tu.

2 comentários:

Patrícia disse...

Não sei se aplica, mas este teu texto fez-me lembrar um poema que anda sempre comigo. Porque a viagem mais importante é dento de nós mesmos... (digo eu; e diz o poeta)

http://cavafis.compupress.gr/kave_17b.htm

E o Link é seguro :)

Marga disse...

Obrigada :) vou ver!