sábado, 8 de fevereiro de 2014

...


"Para onde foste, onde é que estás, para onde vais? 
Fazes parte do céu, do mar, ou de sinais?"

Descansem em paz, exemplos de vida.
(16 de Janeiro) (6 de Fevereiro)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Carta à Miriam

És contagiante, sabias?

Que se lixem os convencionais inícios de uma carta. Tu não és convencional.

Não me lembro do exacto momento em que te conheci, nem da nossa primeira conversa, mas lembro-me da primeira vez em que vi o teu perfil no Facebook. Estúpido, não é? Ainda não tinham saído os resultados da 2ª fase das colocações nas faculdades e eu andava a pesquisar os nomes das pessoas que tinham sido colocadas no meu curso e que provavelmente seriam da minha turma. Lembro-me de ver duas ou três fotografias tuas e pensar: "Esta miúda tem qualquer coisa...".

Meses ou até mesmo um ano depois, tive o prazer de saber que estava certa. Nunca precisámos de estar muito tempo juntas para perceber que és uma pessoa única. Não sei explicar, é estranho para mim, que sempre soube exteriorizar bem o que sinto e o que penso quando escrevo. 

Acho que uma pessoa como tu não se explica. 

É impossível estar triste ou apática ao pé de ti, sabias disso? És energia calorosa que transforma e paz serena que nos devolve harmonia à alma. Contadora de histórias porque as vives, inspiras liberdade e relembras-me sempre que ainda há tanto mundo para experimentar... És música, sem nunca te ter ouvido tocar. E linda, por dentro e por fora.

Se soubesses as vezes em que penso em ti e em como aprecio a tua companhia... Como gosto de me deixar influenciar pelo teu optimismo e a tua leve maneira de ser... Não tens a noção do quanto gosto de ti! 

Às vezes penso em como me deixo levar demasiado pelas minhas obrigações, achando que há sempre um fim-de-semana livre depois, para um café contigo. E agora, aí estás tu do outro lado do Atlântico. É estranho como, apesar de estar raramente estar contigo no dia-a-dia, sinto profundamente a tua ausência. Mas a vida é mesmo assim, feita de desencontros. 

Fica o carinho que tenho por ti e o laço que criámos... As saudades e as promessas de, quando voltares, mandar os desencontros às favas.

És especial.
Volta depressa.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Lo que mas


Cuantas veces nos salvo el pudor
Y mis ganas de siempre buscarte
Pedacito de amor delirante
Colgado de tu cuello un sabado de lluvia a las 5 de la tarde

Sabe Dios como me cuesta dejarte
Y te miro mientras duermes, mas no voy a despertarte
Es que hoy se me agoto la esperanza
Porque con lo que nos queda de nosotros ya no alcanza

Eres lo que mas he querido en la vida
Lo que mas he querido
Eres lo que mas he querido en la vida
Lo que mas he querido

Cuantas veces quise hacerlo bien
Y peque por hablar demasiado
No saber donde, como ni cuando
Todos estos años caminando juntos ahora no parecen tantos

Sabe Dios todo el amor que jurabas
Pero hoy nada es lo mismo ya no vamos a engañarnos
Que soy una mujer en el mundo
Que hizo todo lo que pudo
No te olvides ni un segundo

Que eres lo que mas he querido en la vida
Lo que mas he querido
Eres lo que mas he querido en la vida
Lo que mas he querido.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um dia

Um dia vais perceber que é o teu orgulho que te leva a perder as pessoas do teu passado, em vez de mantê-las no teu presente. Vais perceber que a porrada que levei da vida antes de te conhecer ensinou-me a não ceder a chantagens psicológicas, por mais que aches que não as estás a fazer. E que eu nunca te fechei a porta, nem nunca te disse "nunca mais". 

Um dia vais perceber que eu não deixei de gostar de ti, mas que deixei de ver um futuro em nós pela maneira como as coisas estavam. Um dia vais perceber que nunca te poderás queixar de falta de clareza, falta de sinceridade, falta de honestidade, falta de comunicação da minha parte. Vais perceber que eu fiz de tudo para que abrisses os olhos para o que estavas a fazer e não os desviasses do cerne da questão na tua cómoda situação. Que não foi por falta de aviso, não foi por falta de conversas, não foi por falta de nada. 

Um dias vais perceber que estás a cometer o erro da tua vida ao deliberadamente ausentares-te dessa maneira, de me ignorares dessa maneira, de completamente reduzires toda a nossa relação a cinzas assim. Porque apesar de ter sido eu a pôr um ponto final, fi-lo porque tu, com a desculpa de seres distraído e de não massacrares a tua cabeça a reflectir, repetiste erros incessantemente e sem saberes puseste-me a chorar mais vezes do que imaginas. É verdade que estiveste lá e que foste a melhor relação que já tive, mas quando essa relação se transforma em possessão e exigências, deteriora-se. E ao deteriorar-se, sufoca, mata. 

Um dia vais perceber que pus um ponto final porque tenho um imenso respeito por ti, facto que tu nunca deste conta. Sempre fui transparente, sempre te contei tudo e sempre esforcei-me ao máximo para crescer e aprender a lidar contigo. Tu, por sua vez, deixaste-te ficar, achando que não precisavas mais de crescer, mas olha... Nunca se deve parar de crescer e aprender. 

Um dia, insisto, vais perceber que estás a cometer o erro da tua vida ao deitares tudo o que resta da nossa relação a perder. Ao seres mais uma Matilde da minha vida. Se não te posso dar o que tu queres, então tu simplesmente ignorarás a minha existência como tens feito ultimamente. E não me venhas com merdas de que é para te protegeres porque tem sempre havido preocupação em estares bem, em pensar em cada coisa que digo e faço para não achares que estou a dar esperanças inúteis ou a magoar um coração de que sempre cuidei e tencionava continuar a cuidar.

Um dia vais perceber que as palavras que escrevo nunca foram escritas com ausência de lágrimas. Que haveriam sempre mais páginas para escrever no livro em branco. 

Um dia vais perceber que eu não terminei a relação por gostar de outra pessoa, por querer vida de solteira ou por precisar de perder a cabeça sem arrependimentos. Eu continuo a mesma pessoa, continuo a dedicar-me ao que sempre me dediquei, continuo a gostar de conhecer pessoas sem segundas intenções e coisas novas para aprender e continuo a querer contar-te tudo o que tenho vivido. Porque olha, nunca te menti quando disse que eras o meu melhor amigo, quando disse que sempre quereria contar-te tudo. Mas tu fechaste-te em copas. E fechaste-te em copas quando ainda estávamos juntos. Deixaste de saber ser meu amigo, de saber partilhar as coisas de mim. Estavas mais preocupado com o que eu não te dava.

E agora, és tu que não dás nada. A quem para ti deixei de ser alguma coisa. Um passado para esquecer. Uma existência para ignorar. Uma pessoa que entrou e foi expulsa da tua vida. Alguém que queres fazer sentir culpada por ter feito o mais correcto. Mas sabes, dos meus valores e princípios nunca prescindi nem prescindirei. E foram eles que me levaram a tomar a melhor decisão para ambos. Porque, apesar de não acreditares, foi a melhor solução. De outra maneira, levar-nos-íamos a odiar-nos e eu não te quero odiar. Não quero odiar nem ignorar a pessoa que me fez mais feliz. 

Não vale a pena tentares mexer com o meu psicológico, não vale a pena tentares atirar as culpas para cima de mim e dizer que a minha honestidade é uma falta de respeito. Se calhar passou a ser uma falta de respeito para ti, a partir do momento em que deixaste de reconhecer a pessoa que sempre fui e que ouviste coisas que não te importarias de ouvir de um amigo teu, mas que por ser eu, a pessoa que ousou acabar contigo, já é uma falta de respeito. 

Mal sabes tu, o erro que estás a cometer ao afastar-me definitivamente de ti. Ao deitar tudo a perder. Ao trancares todas as portas e mais algumas. Eu não quero que andes atrás de mim, sempre te disse isso. Só queria não ser ignorada, como se de uma desconhecida me tratasse.

Mas um dia... Um dia vais perceber porque é que me perdeste.
Até um dia.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O dia em que ele perdeu a capa

Tinha sido numa quinta-feira à noite da primeira semana académica do ano que eu lhe tinha pedido para me rasgar a capa. Já tinha andado uns largos meses a pensar nisso mas não o queria fazer sem ter certezas da minha parte. Naquela semana e nos poucos meses que antecederam àquela quinta-feira eu tinha todas as certezas do mundo. E a minha capa foi rasgada.

Pedir a alguém que nos rasgue a capa é uma homenagem e, por isso mesmo, deve ser feita de forma totalmente consciente pois homenagens não se prestam a toda a gente. E eu quis prestar-lhe uma homenagem por tudo aquilo que ele simbolizava para mim. Afinal, a nossa história começou na noite do concurso de tunas do Estoril.

Ele retribuiu essa homenagem. Perguntei-lhe se tinha a certeza pois eu não queria que ele me pedisse para rasgar a capa dele apenas por eu lhe ter pedido para rasgar a minha. Ele garantiu-me que não e assim ficámos os dois com um rasgão ao meio, nas nossas capas. O rasgão ao meio é dedicado à pessoa com quem estamos comprometidos, o que enfatiza ainda mais a importância de pensar bem antes de o fazer. Se algo corresse mal, teríamos que voltar a coser aquele rasgão e eu penso que não haja algo pior do que retirar uma homenagem a alguém. Achava eu.

A capa para mim é o maior símbolo da nossa vida académica, sejamos praxantes ou não. Nunca me hei-de esquecer da pessoa que me traçou a capa pela primeira vez. Ele naquele dia não fazia ideia por que é que eu insisti tanto para que fosse ele a traçar-me a capa. Mas eu sabia, eu sentia que era a pessoa certa. O maior e melhor exemplo de Veterano que eu tinha conhecido enquanto caloira, por mais invisível que eu fosse para ele. Foi com ele que, sem ele saber, aprendi a ser Veterana. E um ano e meio depois é um dos amigos que mais prezo.

Foi com a capa sobre os meus joelhos que dei o primeiro beijo à pessoa que mais amei, ao som de uma versão acústica d’ ”O Ciclo Sem Fim” de uma tuna da qual já não me lembro do nome. Foi com a capa nos meus ombros que lhe dei o segundo beijo. E foi enrolada na capa que estive até às 4h da manhã no carro com uma das minhas melhores amigas a falar sobre tudo o que tinha acontecido.

Meses depois foi com a capa traçada que me desfiz em lágrimas quando a Tunística tocou a “Balada do Estudante” e ele não estava lá. Estava em Erasmus e sempre presente no meu pensamento. Foi de capa traçada que o Luís me abraçou como bom amigo que é, dizendo-me que no ano seguinte eu já poderia ouvir a Tunística a tocar a música que mais comove os estudantes daquela faculdade abraçada a ele, que agora estava ausente.

E foi no ano seguinte que, de capa traçada, o tive ao meu lado no último dia da semana de Praxe e chorei a ouvir a tal música, mas sentindo-me mal. Agora ele estava presente, mas talvez preferisse chorar pela sua ausência do que chorar por ele ter perdido a capa. Estúpido não é? Agora tinha-o ali, presente, ao meu lado e estava outra vez a chorar.

A verdade é que nesse dia ele perdeu a capa. Deixou o maior símbolo da vida académica de um estudante à guarda de nem sabe bem quem. Deixou a maior homenagem que já me fizeram, enquanto Veterana, dobrada no chão, misturada com outras capas, acabando por se deixar confundir. Eu disse-lhe para ter cuidado e ele assegurou-me de que estava tudo sob controlo. Uma hora depois ligou-me, já eu estava a uns 2 km dali, a perguntar se por acaso eu não sabia da capa dele. Primeiro veio a raiva, depois a frustração e, por fim, a desilusão. Não cabia em mim o valor que ele não dava à capa para não a proteger acima de tudo, por mais que estivesse entretido a enfeitar os caloiros com peixe, ovos e ketchup. Não cabia em mim ele simplesmente ter ignorado quando o avisei para ele ter cuidado com a capa e ele me ignorou porque provavelmente eu tinha sido chata durante aquela semana por tê-lo chamado a atenção algumas vezes quando achei que ele não estava a agir correctamente. Não cabia em mim ele simplesmente não ter cuidado da homenagem mais preciosa que já me fizeram.

E no dia em que ele perdeu a capa, tudo começou a desmoronar-se. Dias mais tarde contei-lhe de algumas coisas que me incomodavam e ele pediu-me um tempo. A justificação deixou-me de queixo no chão e de lágrimas nos olhos. Voltámos, mais tarde, mas nunca mais foi o mesmo.

Todas as certezas do mundo dissiparam-se e agora eu sou apenas um passado por ser enterrado, uma capa rasgada e perdida. Basta-lhe comprar uma capa nova, começar uma vida nova, uma nova nascente.

E eu fico por aqui a coser finalmente os emblemas na capa, sem certezas de nada. A capa permanecerá rasgada porque fiz o rasgão consciente e, por mais que não possamos prever o futuro, é uma marca do passado. De um passado que eu não pretendo enterrar, mas sim transformar num diferente presente.
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O lado "obscuro" da Praxe


Muito se tem especulado sobre o incidente no Meco e claro que os movimentos anti-praxe não perderam a oportunidade de gritar ao mundo o quão horrível a praxe é, até mata estudantes! Bom, eu não vou entrar em extremismos e dizer que a praxe é o paraíso e que nunca ninguém morreu nela pois estaria a mentir (já aconteceu, infelizmente). Eu respeito as pessoas que não gostam nem se identificam com nada da praxe. Respeito as pessoas que não a compreendem nem querem compreender e para as quais a praxe é totalmente indiferente. Só não lhes admito que nos chamem de tiranos, de bestas que necessitam de maltratar os outros para se sentirem superiores e de rebanho de ovelhas acéfalas. 

Reconheço, embora me custe como estudante e praxante, que há praxe que nem sequer é digna de ter esse nome. Praxe que humilha, que maltrata, que é inconsciente e imprudente. Reconheço! Mas isso não é praxe, é estupidez. Mas claro que apenas a praxe estúpida tem tempo de antena. Os telejornais abrem com imagens de jovens sofredores a fazerem flexões, de estudantes reprimidos aos pés dos veteranos, de caloiros atados com cordas, presos a uma tradição sem escrúpulos. Indignam-se os pais e pedem aos filhos que não participem neste acto macabro. Explodem comentários nas redes sociais, insultam-se os universitários, criam-se movimentos para acabar com a praxe de vez e toda uma panóplia de guerras nascem de uma triste notícia em que seis jovens faleceram, por estarem no sítio errado. Por terem decidido ir para a praia quando todo o país estava em alerta laranja. 




Mas adiante. Com tantos jornais e noticiários a passarem incessantemente imagens repetidas de má praxe ou simplesmente fotografias que fora do contexto transmitem retratos extremamente negativos, decidi que também seria bom mostrar o lado bom. Não vale a pena tentar convencer os anti de que a praxe é uma maravilha, uma lição de vida e beca beca. Nem sempre é. Nem sempre é uma maravilha, nem sempre é uma lição de vida. As lições de vidas não são dadas, são aprendidas. A praxe pode ensinar algumas coisas, mas o caloiro pode aprender tanto quanto quiser com ela.

Queria então esclarecer uns pontos:

Ponto 1 - A praxe não é obrigatória, participa quem quer.
Ponto 2 - Na praxe, pode-se dizer "Não".
Ponto 3 - O intuito da praxe é integrar o caloiro, desafiá-los, pô-los à prova e fazê-los sair da casca. Não é humilhar nem maltratar.
Ponto 4 - Tem tudo a ver com a maneira como se fazem as coisas. Ter um ovo partido na cabeça pode ser considerado humilhante, se o veterano disser "Toma caloiro nojento, esfrega", ou pode ser encarado como uma brincadeira se o veterano disser "Caloira, já experimentou este novo champô?". Dou este exemplo porque foi o que me fizeram e eu nunca me senti humilhada, pois sempre me respeitaram, mesmo na brincadeira. A verdade é que também tive a sorte de estar numa faculdade em que a praxe é levada com respeito.

Dito isto, aqui ficam umas fotografias do lado "obscuro" (aka. que aparentemente ninguém conhece) da praxe:

 

 


















Todas as fotografias deste post são da autoria do Frutas.
Aviso: Este post NÃO é patrocinado pela TMN Moche, apesar de ter várias fotografias com cadernos da mesma.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Escasseiam-se as palavras e as promessas perdidas tropeçam no tempo. O que era certo tornou-se indeciso, o que era impossível afinal estava apenas escondido. Dentro dos compassos que me dão vida, vibra um fulgor de liberdade em erupção. Nas minhas explosões codifiquei os segredos, enigmas indecifráveis. Rompem-se as correntes que me atrapalhavam os passos e corro. Não paro. Esgoto-me. Fecho os olhos e desperto os mais adormecidos dos meus sentidos. A rotina quebrou-se em novidade. Tudo é estranho, embora intemporal. As mesmas silhuetas tomaram novas formas e as mesmas cores tomaram outro brilho. O que achava ser sábio afinal era ingénuo e um suave fluir de energia deu azo a um corropio. 

Metamorfose.
Margarida.

domingo, 19 de janeiro de 2014

carpe diem

Depois de uns tempos afastada do mundo dos blogs, acho que está na altura de voltar... Devagarinho. Como quem regressa à terra da sua infância mas já não se lembra de tudo o que ali aconteceu. A faculdade tem-me consumido o tempo e a vontade de querer escrever para o mundo. Muito aconteceu nestes últimos tempos. 

Há uns dias atrás perdi uma estrela na terra que agora brilha no céu. Uma mulher que foi o exemplo de uma lutadora, não só por si mas também pelos outros. Uma mulher que saiu do país sozinha para poder sustentar os filhos e que regressou para também cuidar dos filhos dos outros que não tinham como o fazer. Uma mulher cujos olhos contavam mil histórias, uma mulher de quem tenho medo de esquecer a voz. Mas mesmo que esqueça a voz não me esqueço das lições que ninguém sabe que eu aprendi. 

O importante é viver o agora. Fazer por nós agora. Darmos o nosso melhor agora. Viver ao máximo agora. Crescer agora. Porque ninguém sabe o que o amanhã ou o "daqui a uns tempos" nos trará, que surpresas o futuro nos reserva. E não adianta fugir das coisas, de pessoas ou de sentimentos. Não adianta batalharmos incessantemente até nos esgotarmos da inutilidade que essa luta nos traz. Não adianta queixarmo-nos de uma situação que vivemos se não tencionamos fazer algo para mudá-la ou tentar melhorá-la, isso só trará más energias e sofrimento por antecipação. Fugir nunca foi solução, é apenas adiarmos os nossos problemas esperando que outro alguém os resolva por nós. It won't work that way. É necessário acalmar. Viver cada dia, sem ânsias e sem expectativas. Em vez disso, criarmos a nossa sorte. 

Durante 99 anos, ela deixou uma marca no mundo. Agora está em paz, junto do homem que ama, a brilhar com todo o fulgor que sempre teve no coração, oferecendo-nos uma noite mais bonita. A sua sabedoria não será esquecida e o seu exemplo de vida será sempre uma inspiração. Porque quem diz hoje que isto está mal, não viveu o que tu viveste sem te queixares. E isso só me dá forças para acreditar que estamos aqui por algum motivo.

Até breve

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Quero escrever mas tenho o coração calado. Quero anotar tudo o que fiz em tempos de silêncio. Mas cessam-se-me as palavras, abafadas pelo barulho dos meus pensamentos. Quero mexer-me mas a minha alma está inerte, sem vontade de me alegrar com os meus pequenos feitos. Quero aprender, mas falta-me a vontade. Há um mês que me ausentei daqui e do mundo, mas ninguém reparou no quão distante eu estava. Fingi bem o que odeio fingir. Senti tudo e estou vazia. Só queria que algo me despertasse, me desse novo alento ou entusiasmo. Resigno-me à mera (in)existência e deito tudo a perder. Tudo me é familiar e estranho ao mesmo tempo e eu quero mistério, o desconhecido, a liberdade. Mas afinal estou completamente perdida, sem saber que caminhos percorrer por este mundo fora. Saio de mim para me encontrar. Fujo do conforto para me sentir viva porque a rotina é morrer lentamente. Não sei o que quero, não quero nada! Quero a solidão e a tristeza, a raiva de quem se deixou a si mesma à toa. Perdi a luz ao fundo do túnel porque escolhi largar-me. Deixo-me porque já nada faz sentido, já nada tem sentido. 

Quero viver.

domingo, 24 de novembro de 2013

Zé Manel & Mariazinha


Recentemente criei uma página de entretenimento chamada Zé Manel & Mariazinha, dois bonecos muito simpáticos! São um casal de velhotes mega tugas e que vão andar por aí a passear como bons reformados que são. O objectivo da página é promover o respeito e carinho pelas pessoas de idade, lembrar que grande parte deles tiveram vidas difíceis, acentuar a veia tuga que todos temos em nós, valorizar os momentos simples, incentivar à aventura e mostrar um pouco mais de nós a quem não fala a nossa língua. 

Por isso, acompanhem as aventuras deste casal amoroso!

 https://www.facebook.com/zemanelemariazinha

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

insónias.

A página está em branco e sinto uma enorme necessidade de a preencher. Preciso de escrever e não sei sobre o quê. O meu pensamento rapidamente voa de um momento para outro e aqui estou eu, feita parva, estúpida, perdida em devaneios sem nexo. Duvido que alguém um dia me compreenda inteiramente; eu própria apenas me compreendo aos bocados. Quero escrever e não sei sobre o quê, mas as palavras têm de sair silenciosamente dos meus dedos. Tenho um turbilhão dentro de mim que precisa de explodir vezes sem conta. Rebento e disperso-me. Concentro-me na minha própria dispersão. E as palavras vão correndo aceleradas tentando apanhar o ritmo das minhas palpitações. Prendo-me a mim mesma dezenas de vezes, calando a minha própria voz, contendo os meus impulsos. Apenas queria ter a liberdade que me tiro a mim mesma. Ridículo? Confuso? Quanto baste. Não sei mais explicar a complexidade que cresceu em mim. Troco o dito por não dito e assim vou andando pela vida: como quem sabe o que está a fazer e na verdade não faz a mínima ideia.

Umas vezes ganhamos, outras perdemos. Ganhar por vezes exige tudo de nós, uma entrega genuína e uma dedicação excepcional. Perder, por vezes, exige que saibamos aceitar um “não” quando fizemos tudo o que podíamos para ganhar. Mas não é o “não” que é difícil. É a rejeição que sentimos mas que não nos é dita. Um pequeno empurrão para trás, quase imperceptível, que nos diz que fomos longe demais. Que somos demais. Demais. E acredita, é pior sermos demais do que sermos insuficientes. 

(...) Quis a minha história que assim fosse. Cheia de percalços, sábia na sorte, pecadora nas perdas e apaixonada nas vitórias. Mas, acima de tudo, recheada do inesperado. Nada do que vivi alguma vez foi esperado. Quando esperei um conto de fadas, vivi um inferno. Quando esperei um pesadelo, encontrei fé. E é essa fé que me faz abraçar-te. A ti, a eles e ao mundo. Esse mundo que percorro quando preciso de me encontrar. Perco-me várias vezes nas pessoas a quem me entrego e que nem notam. Perco-me em quem me inspira e em quem me deixa de coração cheio. E perco-me, vezes e vezes sem conta, inutilmente pois ninguém repara, ninguém nota. Ninguém se apercebe ou então faz de conta de que são distraídos. 

“Não te percebo", já me disseram várias vezes. Ninguém compreende como sou capaz de me dar incessantemente e de me perder constantemente. Mas há pessoas que valem a pena. E a essas dou tudo de mim. Umas palavras de carinho, uma memória antiga, um sorriso genuíno. Um olhar mais atento. E um abraço daqueles apertados, profundos, sentidos. Não precisasse o meu coração de abraços todos os dias. 

Assim me entrego: totalmente, confiando todas as minhas vulnerabilidades a um coração que por breves segundos bate mais perto e em sintonia com o meu. Por vezes, perco-me assim, sem notarem. E vou-me por aí, desencontrada, sem desconfiarem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Segredos.


Há quem pense que os meus segredos estão perdidos em folhas de um qualquer caderno. Outros pensam que eles passeiam de boca em boca de um círculo fechado de amigos. Ou então que se encontram por aqui escondidos por detrás de palavras como se de um enigma se tratassem. Estão errados. Estão todos errados. E a verdade é que sempre olharam para eles, sem nunca terem reparado. 

Os guardiões dos meus segredos são os meus olhos. Aqueles que brilham entusiasmados e que, por vezes, também se apagam. De cor amêndoa, como diz quem percebe de cores. Vulgares, iguais a tantos outros. Mas tantos outros não guardam o que eu guardo em mim.

Por isso, há pessoas que me intimidam. Aquelas que cruzam o olhar comigo e por lá ficam mais do que meros segundos. Capazes de me desmascarar e de me deixarem a balbuciar palavras sem sentido e piadas estúpidas. Tu és uma delas. Quando me confrontas, desvio os meus olhos para que não mos leias. Mas tu insistes e tentas perceber o nó de pensamentos que se perdem neles mesmos. Sinto-me tão óbvia, tão transparente, tão atrapalhada. Finjo ser distraída e ter a cabeça na lua, quando na verdade apenas tento proteger o que levo comigo e não quero desvendar. São os meus olhos que me denunciam.

Sorte a minha que poucos me tentam decifrar.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Há pessoas

Por vezes apaixonamo-nos. Apaixonamo-nos por um sítio, apaixonamo-nos por uma cultura, apaixonamo-nos por uma tradição. Apaixonamo-nos por um projecto ou por uma causa. Apaixonamo-nos pela música, pela natureza e pela poesia. Apaixonamo-nos por pessoas. Apaixonamo-nos sem aviso prévio. 

Há pessoas que me apaixonam. Pessoas que são verdadeiras forças da natureza. Pessoas que tem um coração tão grande, maior do que elas mesmas, capaz de abraçar o mundo. Com olhos que brilham entusiasmados e almas que vibram com a vida, há pessoas que me deixam sem jeito. Perco-me nas poucas palavras que soltam e deixo-as vaguear no pensamento durante horas, dias, semanas. Dou por mim a perder a noção de mim enquanto passeio pelas conversas e rebobino as minhas próprias reflexões. E todas estas vão dar a uma só: são pessoas que me apaixonam. 

Há pessoas que respiram uma magia que não ilude, um compromisso que não se deixa quebrar, uma serenidade que nos oferece paz. Colocam nas nossas mãos, sem medos, o seu coração e conquistam um lugar especial no nosso. São pessoas que nos abraçam fora das ocasiões especiais, sem motivo ou propósito. Que nos dedicam palavras que nos fazem transbordar. Que se despem de vergonhas e preconceitos, simplesmente se entregam. 

Há pessoas que nos encantam. Que trazem à flor da pele os sentimentos mais genuínos e aceleram os batimentos do nosso coração. De algum modo, ficamos ansiosos para abraçar, falar ou simplesmente ver essas pessoas. Algo muito forte em nós nos liga a elas. É cósmico e quase ninguém nota. Quase ninguém nota que há pessoas que me apaixonam e que me fazem sonhar. Que são verdadeiros exemplos para mim e que eu só quero que saibam isso. São contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. 

Por vezes... Apaixonamo-nos! Por pessoas de quem somos amigas, por pessoas que nem conhecemos bem. Apaixonamo-nos por pessoas que admiramos e que de alguma forma nos conquistaram irreversivelmente. Apaixonamo-nos porque o mundo está cheio de pessoas genuínas, lindas por dentro e por fora. De contadores de histórias, guerreiros de vida e exemplos de amor. Mas nem sempre reparamos nelas.

Por isso lhes dedico estas palavras.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Discover Portugal On a Budget

Tenho estado ausente. Desde que cheguei que tem sido um turbilhão de coisas para fazer e para sentir. Vim com uma ideia para um novo projecto e tenho-me dedicado a ela. E queria apresentar-vos esse projecto!

Por favor, dêem um salto em Discover Portugal On a Budget e opinem!

Love you!

sábado, 14 de setembro de 2013

thank you for great memories!

Last days are always a mix of feelings. After spending most of my summer in Greece, working at Oceania Club, I can see now that I lived a lot, learned a lot and that I was completely blessed when I first arrived here. The first times were hard, I was missing so much my family and friends, my country, my normal life. The work wasn't what I expected and I felt that I really wanted to give up. One day I woke up, I started to see this as a challenge and it's true what they say: that in the end you will look back and realise that after all it was completely worth it. After all, I got a new kind of family in an awesome cafe near our accomodation, that took care of me like I was one of theirs. I made fantastic friends that really gave attention to the little things of a friendship and made me think about what is important to me, in my life. I worked a lot, I got tired, I got sick, I cried like a baby because of being exhausted, I complained, then I changed my behaviour, I got better, I met really nice guests that made my job worth it, I made mistakes that turned out good stories to tell and laugh about, I got opportunities to learn a bit more and to joke a bit more. 

Yesterday at night, in the beach, we saw about 200 candles light up with the words "Obrigado para as memórias". Of course, Google Translate never translates it properly but it was the meaning that touched me (and Miguel). Are those kind of moments that I keep in my heart and make me feel that I really made some difference around here. Other small gestures I don't forget also: a hug when I was feeling down or simply because they felt like hugging me, some kind help when I felt I was completely tired and fucked up with work, a good conversation about everything and nothing, laughing about stupid things, doing silly things without shame, doing a small trip and getting stories to tell (Mr. Timoleon Antonakis you have to send us the pictures of the day we tried to give blood ahah) and I could continue... 

Maria, my greek mother, offered me a wonderful painting from her and one of her first handmade necklesses. It touched my heart in a way that I didn't feel for so long. I now carry one of the most beautiful necklesses I've ever had, with so much meaning. And the painting, I was so afraid to lose it or ruin it during our next trip that I will receive it by mail and I will put in a special place at home. And much more other beautiful stories like this I have to tell. I won't forget this summer. I won't forget the kindness, the friendship, the moments. I won't forget what some people wrote in my notebook, it was truly touching. I won't forget a single person. 

So thank you, thank you all for making Nea Moudania a unforgettable place and for such a memorable and unique adventure. My dream is to travel the world and this was a great, great start :)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

reencontros.


No primeiro dia de férias, tínhamos combinado ir até Nea Fokea ter com a Catarina, a nossa amiga que também está a estagiar por estes lados, mas num hotel diferente e que, até este dia não tínhamos conseguido ver, por termos horários e folgas incompatíveis. No entanto, no dia anterior, os RH do nosso hotel perguntaram-nos se gostaríamos de, no dia seguinte, ir dar sangue ao Sani Beach Hotel. Nós dissemos que sim e foi juntar o útil ao agradável porque íamos ter boleia do Oceania até lá e depois o hotel onde a Catarina estava a trabalhar era perto. 

Mal sabíamos que a boleia que íamos ter era do Mr. Timos, o director do Oceania Club, no seu fantástico BMW. Íamos quatro para dar sangue: eu, o Miguel, o Mr Timos e a Alina, nossa colega e amiga do restaurante. Chegámos lá, passeámos um pouco pela recepção, ouvindo as explicações do Mr. Timos, tirámos fotografias e dirigimo-nos à sala onde estavam a fazer a recolha de sangue. Depois de preenchermos um questionário em grego (!!), fomos avaliados por uma enfermeira. 


O Mr. Timos foi o primeiro a ser rejeitado pois tinha feito uma tatuagem recentemente. A mim disseram-me que estava com a tensão muito baixa e que, se quisesse mesmo dar sangue, só podia dar 100 ml. Aceitei. Sentei-me na cadeira, lá fizeram os procedimentos habituais e eu, pela primeira vez, senti mesmo o sangue a sair do meu corpo. Estavam a fazer os procedimentos habituais com o Miguel e eu comecei a sentir o meu corpo mais leve, a ver manchas brancas e pretas e a ver a cara da Alina completamente a pensar “oh fuck” e a chamar a enfermeira, que me tirou a agulha do braço e me inclinou a cadeira de maneira a que ficasse com as pernas levantadas, mesmo antes de eu falecer. 

Nisto, assim que me começaram a medir a tensão, que estava baixíssima, eu olho para o Miguel que parecia um vampiro de tão branco que estava, também já com a enfermeira a inclinar-lhe a cadeira. Só me deu vontade de rir ao ver a Alina completamente normal a dar sangue, a olhar para nós e a dizer: Portuguese power is dropping, e depois o Mr. Timos a tirar-nos fotografias enquanto estávamos ali meio falecidos. Foi mesmo engraçado. 

Mr. Timos in the middle eheh
Depois deste pequeno episódio, o Mr. Timos levou-nos ao bar da praia do Sani Beach Hotel, pagou-nos umas bebidas e ficámos a conversar sobre a carreira dele, os nossos estudos e outras coisas assim interessantes. É sempre muito positivo sentir que o director do hotel em que trabalhámos apenas dois meses (a Alina cinco), se interessa por nós, “meros” empregados de mesa. Sabemos que ele também vai falando com os hóspedes e com os empregados, sempre a patrulhar o hotel e a conhecer as pessoas de que o seu próprio hotel é feito. É uma pessoa muito presente e eu acho que isso faz dele um óptimo profissional no que toca a cuidar das pessoas. 

Depois deste pequeno momento, dissemos-lhe que tínhamos uma amiga ali a trabalhar no Sani Beach Club e que lhe íamos fazer uma surpresa, aparecendo lá no hotel, ao que ele diz que a mulher dele é a gestora do restaurante-bar da praia desse hotel e que lhe ia ligar. Conclusão: quando lá chegámos, comemos uns gelados por conta da casa e ligaram para o restaurante em que a Catarina trabalhava, a dizer que ela tinha de ir lá abaixo, mas sem dizerem o motivo. E lá a surpreendemos! 


Passámos a tarde com ela, comemos na cantina do Beach Club Hotel que, ao contrário da nossa, tem comida deliciosa e fomos para a praia, conversar até mais não. No fim do dia, ela tinha de voltar ao trabalho e despediu-se de nós dando aqueles bolinhos com uma mensagem lá dentro que eu sempre quis experimentar. Era o bolinho do Obrigado! 

E assim se fez um dia muito especial…