terça-feira, 23 de abril de 2013

do espectáculo - relato.


O dia começou às 9:00 no Colégio Maristas de Carcavelos, com 70 pessoas à espera para entrar nos camarins. Cada turma ia carregada com os seus objectos, eu levava ainda o meu computador portátil e a guitarra. Isto porque, por questões de segurança e responsabilidade, não nos era permitido sair do Auditório/camarins até ao final do espectáculo da noite. 

Enquanto esperávamos pelo início do último ensaio, as meninas da minha turma ficaram a conviver e a cantar músicas infantis. Quando o ensaio começou, a impaciência também já começava a dar de si e, como sempre, o ensaio correu mal, pelo menos para mim que fiquei sem meia a meio da coreografia. Mas, como dizem, quando o ensaio corre mal, o espectáculo corre bem!

E foi essa a minha esperança. Pouco consegui comer durante o dia, estava ansiosa mas não sentia os nervos. Apenas sentia pessoas nervosas e quase me contagiaram, mas conhecendo-me minimamente já sabia que o nervosismo levar-me-ia a melhor. Por isso decidi tentar acalmar as minhas meninas.



As horas começavam a escassear e as quatro da tarde chegaram. Aí sim, os corações começaram a palpitar, ainda para mais nós éramos a penúltima turma a actuar, sem contar com a coreografia final. Ainda para mais, pormenores como as cortinas ficarem presas às mesas ao entrarmos em palco não tinham sido propriamente resolvidos. A nossa sorte - pelo menos as meninas que ficaram do meu lado do palco - foi que um dos rapazes da turma que actuou antes de nós teve a simpatia de ficar a segurar nas cortinas e as afastar para nós entrarmos. (Rapaz esse que é um fofinho e uma pessoa que estou a gostar muito de conhecer :) )

A actuação da tarde foi, sem dúvida, a melhor embora nos tivessem aplaudido mais entusiasticamente à noite. O palco estava bastante escorregadio para quem ia actuar de meias, mas lá conseguimos dar a volta à situação e recebemos bastantes elogios. 




A Ana que, mais que nossa professora, é nossa amiga, torcia por nós nos bastidores, cheia de vontade de entrar na coreografia connosco (segundo ela!). A verdade é que a "culpa" do nosso êxito é dela. Ela é que engendrou uma coreografia fantástica, que nos fez trabalhar e gostar de trabalhar nela e que acreditou em nós, com aquela fé tão grande e genuína dela. É daquelas pessoas que nos faz acreditar que tudo é possível, com esforço e dedicação. E, ao mesmo tempo, é tão humilde que é impossível não a admirar.

Acabado o primeiro espectáculo e em conversa com as pessoas que me foram apoiar, percebi que nem me reconheceram fisicamente! Fartei-me de rir, recebi elogios, fiquei toda corada e muito, muito grata por eles terem vindo. Depois disso, de volta aos camarins retocar a maquilhagem e descansar para o segundo espectáculo. O convívio entre turmas aumentou, as trocas de elogios e palavras tornou-se mais frequente e o ambiente era de alegria e realização. Como diz a Ana, criou-se ali uma ligação.



Chegou a hora do espectáculo da noite. Plateia cheia! Desta vez foi impossível não ficar nervosa. Ia ter o meu namorado a ver-me. E ia lá estar a minha mãe que, após ver-me dançar, creio que tenha mudado de ideias quanto à dança e ao que ela representa na minha vida. E não há maior satisfação do que saber que ela foi a primeira pessoa a levantar-se e a aplaudir de pé, no final da coreografia com todas as turmas.

O cansaço tomou conta do meu corpo, as nódoas negras assaltaram as minhas pernas e, como diz a Ana, fomos todos dormir de coração cheio. E é bem verdade. Três dias depois, continuo de coração cheio.

1 comentário:

Márcia V. disse...

Que continues com o coração cheio por muito tempo,é assim que ficamos quando fazemos o que gostamos.
No fundo correu tudo bem e isso é que interessa.
No Domingo tive para ir ver um jogo nos Maristas de Carcavelos, coincidência ;) o mundo é pequeno mesmo.