segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Segredo

Posso contar-te um segredo?

Ainda estou aqui, como sempre estive. E eu sei que tu sabes disso, embora preferisse que não soubesses. Isso dava-me mais espaço de manobra, como aquelas que tu fazes com o teu carro e com o meu coração. Sinto que já não sei como te falar, nem como reagir perante ti com todos à nossa volta. Porque eles sabem, até melhor que tu, com que olhos te vejo e as linhas em que te escrevo. E eu não quero que se saiba.

"Tens-me na palma da mão", disseste-me um dia. Saberias tu que o feitiço se viraria contra o feiticeiro? Que a tua verdade tornar-se-ia na minha verdade durante um tempo indefinido? E esse sabor a morango, debaixo das estrelas, que cinco meses depois ainda prevalece na minha mente? Escrevo, porque não quero que oiças, para que nunca venhas a saber o que fizeste à minha existência, essa que roda em espiral à volta da tua. Apenas gostava de te poder mostrar a diferença que fizeste em mim, maior do que qualquer outra. Não é a paixão que me leva a dizer isso, são as memórias de quem eu era. Por isso, agradeço-te.

Mas sinto a tua falta, enquanto te quero em mim.

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