discussao ao pe da capela das salesianas, ebodac, saidas para a praia, segredos, semelhanças, coincidencias, pancas da margarida, cinemas, fotografia das gaivotas, olhares comprometedores, confissões, confiança, "wtf" bem sérios, telefonemas, desabafos, praia, sonhos, viagens de sonho, ferias de sonho, músicas, anjo, fotografias a imitar personagens, passagem de ano, pão de alho(que era meu..), passeios, aniversarios, wee pareço uma rainha, novidades, conspirações, karma, um viva ás descobertas engraçadas, adverbio de modo, "es uma couve? nao..",
e isto é muito pouco, das melhores amigas que alguem pode ter.
A pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas.
Chamem-lhe crise existencial, chamem-lhe parvoíces momentâneas, chamem o que quiserem. A verdade é que estou desiludida com o mundo, e com as pessoas que vivem nele. O declínio da sociedade, a perda dos princípios éticos e morais, o "rouba ou és roubado", o sermos manipulados como se fôssemos uns bonecos da Legos. Sinto-me cada vez mais deslocada das pessoas, a verdade é essa. As mentiras, as omissões, as facadas pelas costas, as traições. Nunca o ser humano se assemelhou tanto aos animais, o mundo está uma selva, as discotecas e a vida nocturna são praticamente sinónimos de refeitórios e masturbações colectivas, andam todos à caça, não importa o que já têm na mão, quanto mais melhor. Desvaloriza-se a qualidade, valoriza-se a quantidade. Já ninguém é responsável pelo que cativa; já ninguém sente esse pequeno prazer de cativar e ser cativado, apenas de as ter nos braços e largá-las logo a seguir... Já ninguém olha para trás, quando esquece os erros que cometeu, e voltam a cometê-los. Todos seguem a multidão, e essa multidão não se apercebe que está à beira do abismo. Já ninguém dá importância à inteligência, aos valores e ao amor. Preferem dá-la à beleza, à diversão e às aventuras. Nunca umas coisas foram antónimos das outras, apenas há que saber ter tudo nas medidas certas.
Eles acham-se loucos, mas nada são para além de estúpidos. E embora tenham uma linha de fronteira muito ténue, existe diferença entre loucura e estupidez. Podemos ser loucos, aliás, como me disseram um dia, é preciso ser-se louco. Mas podemos ser loucos, com princípios, desafiarmo-nos constantemente, ter ataques de parvoíce e fazer as maiores figuras de sempre. Fazemos as pessoas rir com a nossa badaméquice. Agora se formos estúpidos... Vamos acabar com certeza por magoar alguém, por nos afastarmos pelos motivos mais idiotas e por pôr um fim em algo que nos podia fazer crescer mesmo muito. E pior que isto tudo, é dizerem que as pessoas nunca mudam. Onde está a fé? Só não muda quem não quer...
O importante é a evolução, e eu só vejo o Mundo a regredir. Em todos os sentidos... Porque já ninguém quer saber.
Epa, eu sei que ainda tenho muita coisa pela frente.. Mas isto de a 1ª fase já ter acabado.. Que alívio, umas fériazinhas e mais tempo para estudar sem ser à pressão, e fazer as coisas que mais gosto..
11h30
Entrei no autocarro para São João. Tinha de sair de casa para estudar, já que em casa parece totalmente impossível. Às tantas, quando chego à Alapraia, entra uma senhora que se senta ao meu lado e começa a meter conversa comigo. Pensei que fosse apenas mais uma conversa de fazer passar o tempo, nunca me passaria pela cabeça que àquela hora recebesse uma lição de humanidade.
Senhora: Estes motoristas, quase que matam as pessoas à velocidade que arrancam... Uma pessoa vai sentar-se e o homem é bruto a arrancar... Há os serial killers, e há os bus killers.
Ri-me, achei engraçado como uma senhora assim mais de idade se lembrava de dizer aquilo. Eu ia distraída, a pensar na minha vida, nas minhas relações, a olhar pela janela com o telemóvel na mão, quando a senhora me interrompe os pensamentos outra vez.
Senhora: Você é daquelas pessoas que olha sem ver, ou das que vê quando olha?
Margarida: Como assim?
(aí já sabia que a conversa ia ser interessante)
S: Já reparou que, neste autocarro, está um homem sem mão?
M: A sério? ( e comecei a olhar ) Não tinha reparado...
S: Muitas vezes, as coisas passam-nos despercebidas. As pessoas olham para tudo, mas, na verdade, não vêem nada.
M: Isso é bem verdade.
S: Temos tendência para deixar escapar os pormenores, como se não interessassem. A verdade é que às vezes são os que dizem mais. Devíamos todos ser mais atentos. Vocês jovens que se dão muito aos computadores e a essas coisas de informática.. Deviam fazer, como é que se diz?, um scanning. Chegam a um sítio, olham para tudo e vêem uma vez e depois voltam para trás e vêem só o mais interessante.
Depois a conversa foi um bocado mais passa-tempo, no entanto sempre agradável, até que a senhora ficou calada durante um tempo e quase que deu um saltinho, como quem acaba de ter uma ideia, e diz-me:
Propunha uma modificação na gramática.
M: Qual?
S: Uma alteração nas pessoas dos verbos. A primeira pessoa devia ser Ele, a segunda pessoa Tu e só depois, na terceira pessoa, é que devia ser Eu. Deviam ser os outros antes de nós... Mas não, é sempre eu, eu, eu em primeiro. Por isso é que a gente não se entende.
Dito isto, cheguei à minha paragem.
S: Espero que tenha gostado desta lição de humanidade
M: Gostei muito, mesmo. Obrigada e tenha um bom dia.
Às vezes esqueço-me de dar importância às coisas. Dou-a aos pequenos pormenores e parece que ignoro o básico. Aquilo que mais surge no pensamento, que é mais visível, maior. Esqueço-me disso. Ainda não percebi que deixaste uma marca irreversível... Ou se calhar percebi, e não lhe dei importância. Diz-se por aí que são grandes passos, para mim parece que foi apenas mais um passo. Demasiado natural para se lhe dar tamanha importância. Mais a dou aos pormenores em que ninguém repara, que nem tu reparas. O mais discreto é o que mais me chama a atenção. As pequenas coisas. Isto porque se o Mundo é marcado de grandes feitos, só anda para a frente com os nossos quase insignificantes passos de formiga de cada dia. O "pula e avança" é mera ilusão.
Não podemos ser apaixonados só de vez em quando, apenas nos dias importantes... Isso não é nada mais que pura hipocrisia. É necessário abraçar o nosso caminho e correr pela vida, sempre em frente, tropeces as vezes que tropeçares, caias quantas vezes caíres. Joelho esfolado? Faz parte, não pares! Não há mal que não se resolva, é tudo uma questão de confiança. Se ficares com uma cicatriz, feia ou discreta, encara-a como uma lição. Que todas as vezes que foste de cara ao chão, e choraste, apenas te fizeram mais forte. Porquê? Porque foste capaz de te levantar e continuar a correr. Porque se é para dar, é para dar tudo de nós. Mesmo que isso seja apenas mais um passo da corrida, e que esse passo te faça comer areia outra vez...
Anda, desliga o cabo,
que liga a vida, a esse jogo,
joga comigo, um jogo novo,
com duas vidas, um contra o outro.
Já não basta,
esta luta contra o tempo,
este tempo que perdemos,
a tentar vencer alguém.
Ao fim ao cabo,
o que é dado como um ganho,
vai-se a ver desperdiçamos,
sem nada dar a ninguém.
Anda, faz uma pausa,
encosta o carro, sai da corrida,
larga essa guerra, que a tua meta
está deste lado da tua vida.
Muda de nível, sai do estado invisível,
põe o modo compatível com a minha condição,
que a tua vida é real e repetida,
dá-te mais que o impossível, se me deres a tua mão.
Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que mais perde se não vens.
Anda, mostra o que vales,
tu nesse jogo vales tão pouco,
troca de vício por outro novo,
que o desafio é corpo a corpo.
Escolhe a arma, a estratégia que não falhe,
o lado forte da batalha, põe no máximo o poder. Dou-te a vantagem, tu com tudo, eu sem nada,
que mesmo assim, desarmada, vou-te ensinar a perder.
'Parecemos estar hoje animados quase exclusivamente pelo medo. Receamos até aquilo que é bom, aquilo que é saudável, aquilo que é alegre. E o que é o herói? Antes de mais, alguém que venceu os seus medos. É possível ser-se herói em qualquer campo; nunca deixamos de reconhecer um herói quando este aparece. A sua virtude singular é o facto de ele ser um só com a vida, um só consigo próprio. Tendo deixado de duvidar e de interrogar, acelera o curso e o ritmo da vida. O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida. E claro que não detém nada, a menos que se detenha a si próprio. A vida continua sempre a avançar, quer nos portemos como cobardes, quer nos portemos como heróis. A vida não impõe outra disciplina - se ao menos o soubéssemos compreender! - para além de a aceitarmos tal como é. Tudo aquilo a que fechamos os olhos, tudo aquilo de que fugimos, tudo aquilo que negamos, denegrimos ou desprezamos, acaba por contribuir para nos derrotar. O que nos parece sórdido, doloroso, mau, poderá tornar-se numa fonte de beleza, alegria e força, se o enfrentarmos com largueza de espírito. Todos os momentos são momentos de ouro para os que têm a capacidade de os ver como tais. A vida é agora, são todos os momentos, mesmo que o mundo esteja cheio de morte. A morte só triunfa ao serviço da vida.'
"From the bottom of my heart, i just want you to be happy,
you're happy, i'm happy.. ok? [..]
É que agora estás bem, mereces estar bem,
não quero nem vou estragar isso..."
"Porque haverias de estragar?"
"Nada, já falei demais.."
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Ninguém sente medo do desconhecido, porque qualquer pessoa é capaz de conquistar tudo o que quer e necessita. Só sentimos medo de perder aquilo que temos, sejam as nossas vidas ou as nossas plantações. Mas este medo passa quando entendemos que a nossa história e a história do Mundo foram escritas pela mesma mão.