quarta-feira, 13 de abril de 2011

Da linguagem corporal



Eu, sinceramente, demorei algum tempo a perceber que somos todos uns ladrões. Mas estes foram os primeiros de quem desconfiei. Por estes, entenda-se os políticos. Mas mais importante que o acto em si, feito à descarada (demonstrando uma brutal falta de inteligência para perceber que havia de haver alguém a apanhá-lo, visto que estando a ser filmado tem milhões de olhinhos nele), é a linguagem corporal do sujeito. É daquelas coisas que passa por toda a gente. Numa realidade em que todos no mundo só olham para o seu umbigo, é cada vez mais fácil fazer as coisas à descarada. As pessoas já não perdem tempo a parar e observar o que está à sua volta. E, ainda mais importante, a ver para além de olhar. Um olhar atento pode fazer mais por nós do que alguma vez poderemos imaginar.

Desde que li um livro de linguagem corporal de Allan Pease que o minha forma de olhar para as pessoas nunca mais foi a mesma. Não que eu ande numa caça à mentira, apenas nos primeiros tempos passava o tempo a olhar para as pessoas enquanto falavam com mais atenção e comecei a reparar em vários padrões. Este vídeo é um como se fosse um clássico da malta que está no topo, tendo chulado para chegar onde chegou. 

Ora reparem bem, primeiro o sujeito olha para o objecto-alvo, à cara podre. Ninguém tem noção de quando faz estas caras. Olham para uma coisa bonita e/ou apetitosa e não disfarçam que na sua mente voam pensamentos sobre o que fariam com aquilo, será que poderiam levar, etc. Esta expressão da cara dura entre 1 e 6 segundos (isto já sou eu a inventar, mais ou menos). E todos a fazemos, atenção! É mais forte que nós. A menos que já se vá com o espírito de roubar, mas isso é outra história. Como podemos ver, este senhor tem pouca experiência de roubo de objectos, uma vez que para além de olhar indiscretamente, ainda surripia a caneta sem sequer desviar o olhar para ver se estava a ser observado. Presumo que ele já estivesse mais tempo a olhar para a canetinha, mas que tenham cortado essas imagens no tempo de antena. E porque presumo isso? Porque quando finalmente surripia a caneta, abana a cabeça sem dar por isso, transparecendo os seus pensamentos como quem diz "é isso mesmo, vou levá-la". 

Depois, qual criança, vai esconder com ajuda da mesa, pondo as duas mãos debaixo dela de modo a fazer a transferência de uma mão para a outra. Claro que se fosse um profissional do roubo, tinha posto logo a caneta no colo e a mão logo em cima da mesa; e SÓ DEPOIS a outra mão ia para debaixo da mesa tirar a caneta do colo para o bolso. E eliminava o olhar e sorriso aéreos que emanava enquanto o outro estava a falar.

Por fim, o típico apertar o casaco. Digam o que disserem, para mim esse apertar de casaco é como uma desculpa, por assim dizer. Quando alguém aperta o casaco com uma satisfação daquelas é porque acabou de tramar alguma, só pode! Seja 'fananço', seja 'enrolanso'. É só começar a observar melhor. Esta é mais válida para os executivos, dada a vestimenta. Ah e para não falar de que depois lembrou-se das aulas de imagem que teve e pôs as mãos em cima da mesa, que dá outra impressão do senhor. Mais confiante e confiável.

E pronto.

Ps. Vi o vídeo no blog da Patrícia dos Saltos Altos, que é a minha comentadora mais frequente LOL

4 comentários:

joana disse...

enfim roubam e mal! obrigada pelo teu comentario de parabéns! =D*

patrícia disse...

Este homem é o maior!! :D

Já vi o video mil vezes (MIL) e não consigo deixar de rir de cada vez que vejo. A expressão dele é indiscriminável, tem mesmo aquele ar de quem está a fazer asneiras.

Também uma caneta com pedra semi-preciosas deve valer alguma coisa.:D

Ah... e é com todo o gosto que sou assídua aqui do tasca... :D**

Marga disse...

Obrigada meninas, pelos comentários ^^

cláudia disse...

isto é tão ridículo, tão cómico e tão deprimente que até enjoa ; )