quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Há dias assim..


Há dias assim. Há dias em que o que me assusta não é o futuro, é o passado. Há dias em que julgo que nunca mais nada será como foi. Há dias em que agradeço que nunca mais nada seja como foi. Há dias assim. Dias de nostalgia e melancolia. Hoje chego à conclusão que os únicos dias em que se me escapa o sorriso dos lábios são os dias em que recordo momentos e pessoas que tiveram um fim. Pessoas que, quer eu queira ou não, estão incrustadas no meu coração. Pessoas e momentos que aleatoriamente dão um passeio nos meus pensamentos, reavivando memórias.

Já me disseram que sou uma pessoa que se agarra demasiado ao passado. Dizem isto porque quando me perguntam como imagino a minha vida daqui a 10 anos eu não faço a menor ideia do que responder. Mas isso apenas quer dizer que eu não crio demasiadas expectativas. Se me perguntarem quais os meus sonhos, aí sim, terão uma resposta concreta. Mas sim, por vezes podem dar comigo com o olhar vazio, corpo paralisado, cara fechada e a cabeça bem, bem fora dali.

Li textos e textos, meus e de outros. Pessoas que marcaram e de pessoas que marcaram outras pessoas. E é isto que me assusta no passado. Não o compreender. Não conseguir distinguir aquela linha que divide o que era de antes e o que é de agora. Não perceber onde as coisas acabaram e outras começaram. Não desvendar os ciclos e histórias. Mas o que é que interessa?, perguntam alguns. Boa pergunta. Tal como estudamos História para evitar cometer os mesmos erros ao longo dos séculos, interessa-me perceber o passado para aprender o que se passa no presente.


Há dias assim. Dias em que a noite traz as dúvidas que não são dúvidas. Em que o cérebro anda a mil e que não se conseguem cuspir as palavras. Há dias em que me apetece que alguém diga algo diferente, algo fora da rotina. Que me relembrem porque entraram no meu passado e decidiram permanecer no presente. 

Há dias assim, em que se chora sem motivo. Ou por um motivo estúpido. Há dias em que apetece ter um dia para estar longe de tudo aquilo que me rodeia num dia normal. Ou numa vida normal. Há dias em que a vida que pomos na nossa vida, não chega. Tem de haver momentos para libertar tudo o que se tentou conter com mil planos, mil actividades, mil e uma companhias. 

Há dias assim. Em que, sem razão nenhuma, esqueço quem sou. Quem sou para mim e quem sou para os outros. Dias em que imagino (ou tento imaginar) como seria a reacção das pessoas que fazem parte da minha vida se eu de repente desaparecesse. Como ficavam, se fariam alguma coisa, o que fariam, quanto tempo demorariam a desistir de querer saber...

Há dias assim. Estúpidos.

1 comentário:

Miguel Dias disse...

Deixares de existir? .. Nunca me passou nem poderia passar pela cabeça imaginar isso. É bom demais partilhar a minha vida contigo :)