terça-feira, 16 de julho de 2013

xenodocheío* (atenção, post grande)


Quanto ao estágio, honestamente, ainda não estou a gostar e não sei se gostarei ou se apenas me habituarei. Porquê? Porque realmente não sou uma pessoa que consiga resignar-se à rotina. Ainda nem fiz duas semanas de trabalho e já estou farta de fazer sempre a mesma coisa. Servir bebidas, limpar mesas, limpar mesas, limpar mesas, polir, polir, polir, servir bebidas, fazer setup, fazer setup, polir, polir, polir, limpar, limpar, limpar, tentar perceber russo, receber uma gorjeta por semana, polir outra vez, sair do trabalho sempre meia hora ou uma hora depois do turno ter acabado, etc. Para além disso, como estágio não estou a aprender muito. Estou a aprender sim, mas podia estar a aprender muito, mas muito mais. 

Neste momento, sinto que já posso fazer o relatório que tenho de entregar no final do estágio pois, em princípio, não mudará muito. E se mudar, é só acrescentar. O pior é ter mesmo tempo e paciência para o fazer, tendo em conta que ainda não trabalhei menos de 10 horas por dia e que só tenho uma folga por semana que tento aproveitar ao máximo. Para além disso, a motivação aqui é só mesmo o dinheiro porque quando fazemos as coisas bem, ninguém diz nada (como tudo na vida), ninguém repara. Mas quando erramos por não sabermos, somos logo chamados à atenção. 

O nosso primeiro dia foi passado com colegas de trabalho a ensinarem-nos um bocadinho do que teríamos de fazer. Eu, felizmente, tive a maior sorte do mundo com o Stefan, um rapaz super profissional e que todos os clientes adoram. Está sempre disposto a ensinar-me a fazer seja o que for, mesmo que esteja ocupado e sob pressão. Nunca me disse que não. É, na minha opinião, das pessoas mais profissionais de todo o staff e a que, para mim, tem mais valor no que faz por ser a primeira vez que trabalha num restaurante de hotel, ao contrário da maior parte dos outros, muito bons profissionais também. Por estas e por outras, vou votar nele para empregado do mês, resta saber se eles aqui ligam alguma coisa a isso. 


No entanto, acabamos por aprender por tentativa-erro que é o método que eu menos gosto. Prefiro que me digam como tenho de fazer em cada situação e aí se eu errar corrigirem-me. Mas pronto, cada um tem o seu método. Claro que tenho de dar valor ao facto de eles darem alimentação, alojamento e shuttle bus para aqueles cujo alojamento é fora do hotel, mas a verdade é que os horários do shuttle bus em nada coincidem com os turnos pelo menos do staff do restaurante, o quarto onde nós estamos é muito pequeno e quente, só temos uma janela com vista para uma casa degradada e a comida da cantina, pronto, é comida de cantina. 

Mas isto não é só coisas más, há que ver as coisas com sentido de humor e sempre como uma lição de vida. Se eu não tivesse vindo para cá, estaria provavelmente a deprimir ainda mais em Portugal porque acho que não ia gostar de trabalhar em restaurante durante tanto tempo e nem sequer sairia da rotina em que já estava. Como diz Paulo Coelho, viver é experimentar. E se eu não experimentasse trabalhar em restaurante, talvez nunca desse o valor que os empregados merecem (que é muito mais do que geralmente dão) nem percebesse que tipo de trabalho quero para mim. 

Neste momento, sei que não sou capaz de ter um trabalho rotineiro ou que não me deixe ter, pelo menos, um pouco de tempo para eu poder investir em coisas fora da rotina. E só por isso, por descobrir mais coisas acerca de mim, do que quero e não quero na minha vida e para a minha vida, já tudo isto está a valer a pena.

Tradução: hotel

Continua...

1 comentário:

Márcia V. disse...

SE não gostas da rotina o trabalho acaba por ser chato,mas é como dizes há que ver o lado positivo da coisa e estás na Grécia,num sitio que deve ser lindo(tirando a vista da tua janela)e não são só coisas más.